Formação Freudiana

Formação Freudiana Sociedade psicanalítica voltada para o ensino e divulgação da psicanálise, atuante na cidade do

A Formação Freudiana foi fundada em 1992, quando 22 psicanalistas - vindos de diversas instituições - atenderam a convocação feita por Chaim Samuel Katz para a criação um centro de estudo e ensino da psicanálise, que respeitasse - sem dogmatizar - a multiplicidade e os desafios da teoria e da clínica psicanalítica, considerando sempre a importância de se manter o texto freudiano como balizador dos estudos e pesquisas; e que abordasse as diferenças e a pluralidade que marcaram a constituição do pensamento do fundador da psicanálise.

Em 23 de setembro de 1939, aos 83 anos, morria Sigmund Freud, em Londres. Durante cerca de uma década e meia, enfrentara...
23/09/2026

Em 23 de setembro de 1939, aos 83 anos, morria Sigmund Freud, em Londres. Durante cerca de uma década e meia, enfrentara um câncer que atingira a mandíbula e o palato, submetendo-se a inúmeros procedimentos cirúrgicos e ao uso de próteses.

Anos antes, Freud havia pedido a seu médico, Max Schur, que não o deixasse sofrer desnecessariamente. Em 21 de setembro, quando a doença já avançara e não havia mais o que fazer, lembrou-o daquele compromisso. Com o consentimento de Anna Freud, Schur administrou-lhe doses calculadas de morfina. Freud caiu em sono profundo e, após nova dose no dia seguinte, morreu perto das três horas da madrugada do dia 23.

Nos últimos anos de vida, consciente da proximidade da morte, Freud continuou escrevendo e ocupando-se da sobrevivência e da transmissão da Psicanálise. Desse período são O homem Moisés e a religião monoteísta e o Compêndio de Psicanálise, escrito em 1938 e deixado inacabado.

Sobre o Compêndio, James Strachey considerou que o texto poderia ser “inacabado, mas não incompleto”. Pedro Heliodoro Tavares, na apresentação da edição brasileira, chama-o de “texto-testamento”.

Talvez não seja por acaso que uma passagem de Goethe atravesse essas páginas e ofereça uma bela imagem para pensar o legado freudiano:

“O que herdaste de teus ancestrais, conquista-o para fazê-lo teu.”


Bibliografia 📚

FREUD, Sigmund. Compêndio de Psicanálise e outros escritos inacabados. Trad. Pedro Heliodoro Tavares. Belo Horizonte: Autêntica.

TAVARES, Pedro Heliodoro. “O testamento inacabado de Sigmund Freud”. In: FREUD, Sigmund. Compêndio de Psicanálise e outros escritos inacabados. Belo Horizonte: Autêntica.

Adriane Brito, Psicanalista e membro titular da Formação Freudiana. Escritora, historiadora e pesquisadora da Antiguidade greco-romana, especialista em Filosofia Grega e Romana Antiga.

Adriane Brito

Hoje, 21 de setembro, lembramos o aniversário de morte de Marie Bonaparte (1882–1962), uma das pioneiras da Psicanálise ...
21/09/2026

Hoje, 21 de setembro, lembramos o aniversário de morte de Marie Bonaparte (1882–1962), uma das pioneiras da Psicanálise e figura fundamental na história do movimento psicanalítico.

Princesa da Grécia e da Dinamarca, escritora e psicanalista, Marie Bonaparte tornou-se próxima de Sigmund Freud, de quem foi analisanda, discípula e amiga. Sua atuação foi decisiva em um dos momentos mais difíceis da vida de Freud.

Em 1938, diante da perseguição nazista, Bonaparte mobilizou sua influência e seus recursos para auxiliar Freud e sua família a deixarem Viena e se estabelecerem em Londres, contribuindo para que Freud pudesse escapar da perseguição e continuar seu trabalho.

Sua trajetória também foi marcada por uma intensa dedicação à difusão da Psicanálise e pela participação ativa na construção de suas instituições.

Neste dia, recordamos sua contribuição para a história da Psicanálise e sua presença em um dos momentos decisivos para a preservação do legado freudiano.

Nesse artigo, que irá fazer parte do seu livro “The Primitive Edge of Experience”, Ogden apresenta um de seus conceitos ...
18/09/2026

Nesse artigo, que irá fazer parte do seu livro “The Primitive Edge of Experience”, Ogden apresenta um de seus conceitos mais importantes, o de posição autista contigua. Um dos principais psicanalistas contemporâneos, Ogden se apropria, amplia e cria conceitos a partir, principalmente, de Freud, Klein, Winnicott e Bion. O autor propõe uma posição, um modo de organizar e dar sentido à experiência, mais primitivo às posições apresentadas por Melanie Klein (esquizoparanóide e depressiva). Seria um modo pré-simbólico de atribuir sentido à experiência, preponderantemente sensorial. É nessa superfície que a experiência do Self tem suas origens. Para o psicanalista americano, as posições são diacrônicas e sincrônicas, coexistem dialeticamente. Ogden cita Freud “ O ego é primeiro e inicialmente um ego corporal”(1923). Me faz lembrar da célebre frase do poeta Paul Valéry “ o mais profundo é a pele”.

Referência Bibliográfica:

Thomas H. Ogden
“Sobre o Conceito de uma Posição Autística-Contigua”
(artigo publicado no International Journal of Psychoanalysis -1989).

Contribuição de Ricardo Parente de Mello. Psicanalista, membro titular e Coordenador da Clínica da Formação Freudiana.

@‌parentedemello

Em 13 de setembro de 1927, Freud escreve a Max Eitingon, reagindo ao termo escotomização, empregado por René Laforgue em...
14/09/2026

Em 13 de setembro de 1927, Freud escreve a Max Eitingon, reagindo ao termo escotomização, empregado por René Laforgue em “Recalcamento, escotomização e transferência” (1926) para nomear um mecanismo específico, diferente do recalcamento, na descrição da esquizofrenia. Freud reage vigorosamente ao termo, que lhe parece um “neologismo besta”. Depois de uma visita de Laforgue, porém, resolve acrescentar uma nota que matiza sua crítica: a escotomização não se aplicaria à neurose.

A primeira versão de “Fetichismo” havia sido concluída em agosto de 1927. O artigo pode ser lido como prolongamento de “A negação”, acerca dos diferentes mecanismos da negação e de suas consequências para a constituição subjetiva. Em Fetichismo, Freud delimita a Verleugnung, mecanismo de negação próprio às perversões, em relação ao complexo de castração na perversão.

Na Verleugnung, a percepção permanece: há um duplo movimento no qual ela é, ao mesmo tempo, aceita e negada, e saber e não saber podem coexistir. Para se elevar à condição de fetiche, o complexo representativo deve ser capaz de substituir um objeto inexistente: o “pênis feminino”.

O alemão Fetisch deriva do português feitiço, através do francês fétiche; feitiço, por sua vez, deriva do latim facticius, “artificial, fictício”. Seu emprego com conotação sexual remonta, na França, a Binet, em 1888.

Donald Winnicott, por sua vez, buscou mostrar que “o fetiche seria uma espécie de substituto coisificado dos ‘objetos transicionais’”.

Bibliografia: FREUD, Sigmund. Fetichismo (1927). In: Neurose, psicose, perversão. Obras Incompletas de Sigmund Freud. Tradução de Maria Rita Salzano Moraes. Belo Horizonte: Autêntica Editora.


Adriane Brito, Psicanalista e membro titular da Formação Freudiana. Escritora, historiadora e pesquisadora da antiguidade greco-romana, especialista em Filosofia Grega e Romana Antiga.

Adriane Brito

Bollas afirma que o idioma humano (modo peculiar que cada indivíduo tem de moldar os conteúdos da vida no encontro com o...
11/09/2026

Bollas afirma que o idioma humano (modo peculiar que cada indivíduo tem de moldar os conteúdos da vida no encontro com os objetos) é derivado de uma disposição genética influenciada e que o indivíduo tem um potencial inato para desenvolver o seu próprio idioma.

O conhecido não pensado será a lógica operacional dos pais internalizadas pelo bebê, derivadas das contribuições intersubjetivas.

Referência Bibliográfica:

A Sombra do Objeto: Psicanálise do conhecido não pensado. Christopher Bollas; São Paulo: Editora Escuta. 2015. Pag:309.

Contribuição de Henriete Schteinberg . Psicóloga Clínica e Organizacional. Membro associado à Formação Freudiana. Coautora em quatro livros. (Henriete Schteinberg)

Ao contrário do que diz o senso comum e as crenças pseudo-científicas,quando afirmam que o perverso seria alguém muito i...
05/09/2026

Ao contrário do que diz o senso comum e as crenças pseudo-científicas,quando afirmam que o perverso seria alguém muito inteligente, Ogden nos mostra a profunda limitação destes, que elegem um único e imutável caminho de obtenção de prazer e de sentido na vida que, ironicamente, a desvitaliza.

Contribuição de Soraya Magalhães Pinto Homem ( Soraya Magalhães ) , psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica, membro psicanalista titular da Formação Freudiana, membro do Grupo Brasileiro de Pesquisa Sándor Ferenczi, autora do livro “O estranho no contemporâneo”, coautora no livro “Relacionamentos não nascem prontos”

II Encontro Brasileiro Nebulosa MarginalA Formação Freudiana celebra e apoia o II Encontro Brasileiro Nebulosa Marginal ...
01/09/2026

II Encontro Brasileiro Nebulosa Marginal

A Formação Freudiana celebra e apoia o II Encontro Brasileiro Nebulosa Marginal | Mulheres na Psicanálise, uma iniciativa do nosso parceiro Instituto Nebulosa Marginal que propõe revisitar as contribuições e o legado das pioneiras da psicanálise, reconhecendo a importância de suas vozes na construção e transformação do campo psicanalítico.

Um encontro que reúne história, pensamento e clínica para ampliar o debate sobre a psicanálise contemporânea e os caminhos que ainda precisam ser percorridos.

📍 São Paulo | UNIP- PARAÍSO
📅 10, 11 e 12 de setembro de 2026

A Formação Freudiana tem a alegria de fortalecer essa parceria e deseja ao Instituto Nebulosa Marginal um encontro potente, marcado pela escuta, pelo diálogo e pela construção coletiva.

Que seja um encontro à altura do legado que se propõe a revisitar!

Em 31 de agosto de 1932, Freud concluía as Novas conferências de introdução à psicanálise, publicadas em dezembro daquel...
31/08/2026

Em 31 de agosto de 1932, Freud concluía as Novas conferências de introdução à psicanálise, publicadas em dezembro daquele ano, com a data de 1933. A nova sequência foi concebida como uma continuação das Conferências de introdução à psicanálise, apresentadas na Universidade de Viena entre 1915 e 1917.

O contexto teórico, porém, já era bastante diferente: desde então, a psicanálise havia passado pela importante reviravolta de 1920. Entre as novas conferências está a ###III, “A feminilidade”, em forte conexão com Sobre a sexualidade feminina, publicado em 1931. O texto apresenta, em tom mais didático, questões relativas à sexualidade feminina que Freud vinha desenvolvendo naquele período.

A feminilidade voltaria a ser retomada por ele, ainda que brevemente, no Compêndio de psicanálise. Na Conferência ###III, uma reformulação teórica ganha especial destaque: a questão do caráter da libido. Freud não atribui à própria libido uma distinção sexual e formula essa posição de maneira particularmente clara. Nas palavras de Freud: “Só existe uma libido, que está a serviço tanto da função sexual masculina quanto da feminina. A ela própria não podemos atribuir nenhum sexo.”

Bibliografia:
FREUD, Sigmund. A feminilidade (1933 [1932]). In: Amor, sexualidade, feminilidade. Obras Incompletas de Sigmund Freud. Belo Horizonte: Autêntica.

FREUD, Sigmund. Sobre a sexualidade feminina (1931). In: Amor, sexualidade, feminilidade. Obras Incompletas de Sigmund Freud. Belo Horizonte: Autêntica.

Contribuição de Adriane Brito (). Historiadora, psicanalista, e membro titular da Formação Freudiana.

Em seu texto Amor e Morte na Transferência, o autor traz a idéia de que em análise não se busca a cura no sentido de uma...
28/08/2026

Em seu texto Amor e Morte na Transferência, o autor traz a idéia de que em análise não se busca a cura no sentido de uma síntese, uma harmonia total. O que o analista tenta sustentar é o lugar do conflito entre o amor (Eros), e a morte (Thânatos ), para que assim o paciente possa reconhecê-lo e encará-lo. E entender que o negativo em Psicanálise também é linguagem, e não o negativo como morte.

Referência Bibliográfica: Cínica Psicanalítica: Estudos. Pierre Fedida; São Paulo: Editora Escuta, 1998.

Contribuição de Maria Auxiliadora Costa Dora Costa . Psicóloga, psicanalista, especialista em Teoria e clínica psicanalítica, membro titular da Formação Freudiana, membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sandor Ferenczi e coautora do livro Relacionamentos não nascem prontos.

Assim, a criança cria seu espaço relacional psíquico ao viver na intimidade com a mãe. Segundo Maturana a biologia do am...
21/08/2026

Assim, a criança cria seu espaço relacional psíquico ao viver na intimidade com a mãe. Segundo Maturana a biologia do amor é fundamental para o desenvolvimento de todos os humanos.

Contribuição de Maristela Villas Bôas (Maristela Villas Boas), psicóloga, psicanalista, membro titular da Formação Freudiana.

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Avenida Das Américas 500. Bl 13. Loja 230
Rio De Janeiro, RJ
22640-100

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