23/09/2026
Em 23 de setembro de 1939, aos 83 anos, morria Sigmund Freud, em Londres. Durante cerca de uma década e meia, enfrentara um câncer que atingira a mandíbula e o palato, submetendo-se a inúmeros procedimentos cirúrgicos e ao uso de próteses.
Anos antes, Freud havia pedido a seu médico, Max Schur, que não o deixasse sofrer desnecessariamente. Em 21 de setembro, quando a doença já avançara e não havia mais o que fazer, lembrou-o daquele compromisso. Com o consentimento de Anna Freud, Schur administrou-lhe doses calculadas de morfina. Freud caiu em sono profundo e, após nova dose no dia seguinte, morreu perto das três horas da madrugada do dia 23.
Nos últimos anos de vida, consciente da proximidade da morte, Freud continuou escrevendo e ocupando-se da sobrevivência e da transmissão da Psicanálise. Desse período são O homem Moisés e a religião monoteísta e o Compêndio de Psicanálise, escrito em 1938 e deixado inacabado.
Sobre o Compêndio, James Strachey considerou que o texto poderia ser “inacabado, mas não incompleto”. Pedro Heliodoro Tavares, na apresentação da edição brasileira, chama-o de “texto-testamento”.
Talvez não seja por acaso que uma passagem de Goethe atravesse essas páginas e ofereça uma bela imagem para pensar o legado freudiano:
“O que herdaste de teus ancestrais, conquista-o para fazê-lo teu.”
Bibliografia 📚
FREUD, Sigmund. Compêndio de Psicanálise e outros escritos inacabados. Trad. Pedro Heliodoro Tavares. Belo Horizonte: Autêntica.
TAVARES, Pedro Heliodoro. “O testamento inacabado de Sigmund Freud”. In: FREUD, Sigmund. Compêndio de Psicanálise e outros escritos inacabados. Belo Horizonte: Autêntica.
Adriane Brito, Psicanalista e membro titular da Formação Freudiana. Escritora, historiadora e pesquisadora da Antiguidade greco-romana, especialista em Filosofia Grega e Romana Antiga.
Adriane Brito