14/08/2026
Freud, de maneira bem-humorada e provocativa, quando nos conta a “História do Movimento Psicanalítico” em 1914, já lidava com críticas à psicanálise oriundas dos ditos homens da ciência da época, os quais sempre apresentavam e apresentam até os dias de hoje as novidades fáceis, milagrosas e eficazes de supressão do sofrimento psíquico.
Entretanto, se para a afirmação de um caminho há tanta neccessidade de diminuir, demonizar e “matar” outro, a dica de que este outro esteja bem vivo não pode ser descartada.
Contribuição de Soraya Magalhães Pinto Homem (Soraya Magalhães ), psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica, membro psicanalista titular da Formação Freudiana, membro do Grupo Brasileiro de Pesquisa Sándor Ferenczi, autora do livro “O estranho no contemporâneo”, coautora no livro “Relacionamentos não nascem prontos”.
10/08/2026
FF Indica
"Hamnet" (2025), de Chloé Zhao, baseado no livro homônimo de Maggie O'Farrell, é um belíssimo complemento imagético de "Hamlet". Não apenas no sentido mais óbvio de fornecer uma explicação para o que estaria na raiz do processo de criação de Shakespeare. Para muito além disso, a narrativa remete ao complemento "ecológico" de nossos investimentos afetivos, na vida e na arte que a espelha: esse fundo frágil por onde circula a potência de Eros.
É que toda relação se dá num meio, numa "casa" (oikos)... e é isso que o filme mostra: Agnes, companheira do poeta-dramaturgo, perde muito cedo a mãe-casa, se volta para a natureza-casa, faz uma família-casa, de onde virão novas perdas e uma angústia sem fim. Shakespeare precisa conquistar sua casa e, para isso, deve "matar" o pai por meio da união com Agnes e de sua própria paternidade, mas perderá o filho por onde efetuava a transição.
Também na peça é assim. Como o psicanalista Winnicott deixou esboçado: Hamlet perde a confiança na mãe-casa e não consegue sair e conquistar seu elemento masculino, num resultado histérico.
A questão que se coloca é a mesma: como passar adiante, "virar a página", a fim de encontrar novas condições (uma nova casa) e reinvestir a vida. É por meio da criação de "Hamlet" que Shakespeare encontra uma atmosfera para respirar. Um dos sentidos do trágico está posto no filme: "o que nos é dado, pode nos ser tirado a qualquer momento". Mas o outro sentido é o da superação das perdas pela afirmação: o histérico Hamlet é o modo afirmativo de lidar com a angústia da perda do objeto amado (Hamnet) e a culpa associada.
10/08/2026
"Hamnet" (2025), de Chloé Zhao, baseado no livro homônimo de Maggie O'Farrell, é um belíssimo complemento imagético de "Hamlet". Não apenas no sentido mais óbvio de fornecer uma explicação para o que estaria na raiz do processo de criação de Shakespeare. Para muito além disso, a narrativa remete ao complemento "ecológico" de nossos investimentos afetivos, na vida e na arte que a espelha: esse fundo frágil por onde circula a potência de Eros.
É que toda relação se dá num meio, numa "casa" (oikos)... e é isso que o filme mostra: Agnes, companheira do poeta-dramaturgo, perde muito cedo a mãe-casa, se volta para a natureza-casa, faz uma família-casa, de onde virão novas perdas e uma angústia sem fim. Shakespeare precisa conquistar sua casa e, para isso, deve "matar" o pai por meio da união com Agnes e de sua própria paternidade, mas perderá o filho por onde efetuava a transição.
(Continua na legenda)
07/08/2026
Neste trecho a autora traz a ideia da maternidade em Ferenczi como expressão da abnegação da mulher pelo fato de ser ela quem deve suportar duras provas demandadas por “ser mulher”, devendo adaptar-se as exigências impostas, incluindo a circunstância da maternidade, mas que por outro lado, ela “padece no paraíso” quando se torna a mãe dedicada e amorosa.
E no caso da criança que não tendo a opção do devido acolhimento pelo adulto que deveria protegê-la, acaba também se adaptando às circunstâncias do desamparo vivenciado.
Mulher/mãe, e a criança em (O sonho do bebê sábio), que sofreram abandonos e desamparos, adquirem uma sabedoria às custas de um trauma.
Contribuição de Maria Auxiliadora Costa (Dora Costa), psicóloga, psicanalista, especialista em Teoria e Clínica psicanalítica, membro titular da Formação Freudiana e membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sandor Ferenczi, e coautora do livro Relacionamentos não nascem prontos.
04/08/2026
Atualização das informações dos módulos | 2º semestre de 2026 📚
Com o objetivo de manter nossas comunicações sempre precisas e atualizadas, informamos sobre os novos horários de três módulos do segundo semestre da Formação Freudiana.
As informações desta publicação substituem os horários anteriormente divulgados para os seguintes módulos:
• Escola de Budapeste
• Experiências Estéticas
• Reintrodução à Psicanálise de Winnicott
Agradecemos a compreensão de todos e convidamos nossa comunidade a consultar esta atualização para acompanhar a programação do semestre.
Para mais informações sobre os módulos e a Formação em Psicanálise, entre em contato pelos nossos canais oficiais ou acesse nossa landing page disponível em nosso link da bio.
31/07/2026
A maternidade situa-se na tensão entre a história singular e a herança arcaica que atravessa o sujeito. Conforme Freud postula em Moisés e o monoteísmo (1939), a transmissão de traços mnêmicos e marcas traumáticas opera para além da experiência individual, retornando como repetição inconsciente na linhagem geracional. Nesse sentido, a gravidez tardia exige um trabalho de elaboração sobre os silêncios familiares: a simbolização dos conteúdos recalcados é o que permite ao sujeito desvencilhar-se da compulsão à repetição, conferindo ao filho um lugar que não seja o de depositário de fantasmas ancestrais.
Contribuição de Mônica Donetto Guedes. Psicanalista e orientadora parental, Membro Titular da Formação Freudiana.
29/07/2026
Lançamento de livro | Sessão de autógrafos
A Formação Freudiana convida sua comunidade para o lançamento da 2ª edição, revista e ampliada, do livro Em Nome do Pai, da Mãe e do Filho: Compreendendo a relação entre adultos e crianças, de Mônica Donetto Guedes, Membro Titular da Formação Freudiana.
A nova edição retoma e amplia uma reflexão fundamental sobre os vínculos entre adultos e crianças, oferecendo importantes contribuições para aqueles que se dedicam à clínica, à educação e ao estudo da constituição psíquica.
📚 Sessão de autógrafos
📅 05 de agosto
🕕 18h às 21h
📍 Livraria da Travessa – Barra Shopping
Será uma excelente oportunidade para encontrar a autora, conhecer a nova edição da obra e participar desse momento de encontro em torno da psicanálise e da produção de conhecimento.
28/07/2026
A Formação Freudiana apresenta o cronograma dos dispositivos clínicos do segundo semestre de 2026, referente ao mês de Agosto.
Os encontros se organizam em três eixos: Reuniões da Clínica, Ambiência e Mobilização, que compõem os dispositivos institucionais voltados à sustentação da prática clínica, à elaboração coletiva das experiências de atendimento e à reflexão sobre o trabalho desenvolvido no âmbito da Clínica da Formação Freudiana.
Esses encontros integram o percurso institucional da Clínica, favorecendo o acompanhamento dos atendimentos, o diálogo entre os participantes e a construção coletiva da experiência clínica no interior da Formação Freudiana.
26/07/2026
Em 26 de julho de 1966, D. W. Winnicott apresentou, em Oxford, a conferência “A criança no grupo familiar”. Nessa reflexão, reafirmou que a família ocupa um lugar essencial no desenvolvimento emocional da criança, mas advertiu que o profissional não deve perder de vista sua singularidade.
Para Winnicott, compreender o sofrimento infantil exige considerar, ao mesmo tempo, a criança, a família, a escola e o contexto social, sem que um substitua o outro. Seu convite é para um olhar clínico capaz de reconhecer o indivíduo dentro dos vínculos que o constituem. Como afirmou: “Lembrem-se da criança individual.” Essa perspectiva permanece um dos fundamentos mais valiosos de sua obra.
“Lembrem-se da criança individual.”
— D. W. Winnicott
Referência📚
WINNICOTT, D. W. Tudo começa em casa. Tradução de Paulo Sandler. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. Capítulo: “A criança no grupo familiar” (conferência proferida em Oxford, em 26 de julho de 1966).
23/07/2026
A Formação Freudiana apresenta os módulos que irão compor o percurso formativo deste 2º semestre, reafirmando seu compromisso com uma formação rigorosa, fundamentada na leitura direta dos textos, na reflexão teórica e na experiência clínica.📚
Cada módulo foi elaborado para proporcionar um percurso consistente de formação, articulando a leitura rigorosa dos textos fundamentais da psicanálise, a elaboração teórica e a experiência clínica, contemplando desde os escritos inaugurais de Freud até os desdobramentos da teoria em diálogo com Ferenczi, a arte, a filosofia e a clínica contemporânea.
Para mais informações sobre a Formação em Psicanálise, entre em contato pelos nossos canais oficiais ou acesse o link da nossa landing page disponível em nossa bio.