22/08/2026
A vergonha acompanhou (quase) toda a minha vida na dança.
As minhas primeiras lembranças são das coreografias da Daniela Mercury que as minhas amigas faziam e eu desistia porque “era ruim”. Vergonha era o sentimento.
A primeira vez que fiz uma aula de balé tinha 11 anos e não fiquei.
Na escola, eu sofria demais na educação física porque detestava e não tinha habilidade com a bola. O mundo do corpo ali era dividido entre os bons e os ruins. Não se falava em adquirir habilidades. Ou eu não ouvi.
Com 15 anos, entrei na acrobacia aérea e uma revolução aconteceu. Ganhei tônus, minha flexibilidade aumentou demais e emergi com uma autoestima que me permitiu aprender a dançar forró.
O forró foi o primeiro encontro com uma dança que me deixava feliz, potente e animada.
Escolhi fazer dança na faculdade porque era o que mais se aproximava da minha paixão pelas artes cênicas. E, por acaso, ali encontrei o balé.
E esse encontro foi marcado por uma paixão e, de novo, por ela, que estava ali guardadinha: a vergonha.
18 anos. Muito choro escondido no banheiro. Eu sou ruim. Só tinha esquecido.
Eu mergulhei no balé e me sentia horrível. Fazia todas as aulas que podia e como eu aprendi!
Eu era aquela que todo mundo comentava que estava cada dia melhor. Mas, por dentro, carregava um sentimento de insuficiência difícil de explicar.
Quando a faculdade terminou, fiz aulas em alguns momentos, mas sempre chegava a um ponto em que a vergonha vencia.
Depois que comecei a dar aula para crianças, isso ficou ainda mais cruel. Eu sabia que tinha o conhecimento necessário para ensinar, mas, justamente por ser professora, parecia que eu tinha menos margem para aceitar meus próprios erros.
Como eu não sabia fazer tal passo direito? Como eu podia errar aquela sequência simples sendo professora?
E então eu saía do balé.
Foi há dois anos que eu botei a vergonha debaixo do braço e fui fazer balé.
Minha vontade de aprender venceu.
Hoje eu fico chateada às vezes por demorar a aprender ou por não fazer certos passos como gostaria.
Mas não sinto mais vergonha.
Passou!
Caraca, que delícia.
E quanto tempo demorou. (Tô com 40!)
🎥 Ra