10/07/2025
Se queremos falar de viver em paz, liberdade e prosperidade sem racismos e discriminações, não tem outro jeito: nós devemos tirar os brancos do nosso xirê! Mesmo que o branco chegue miúdo, de canto e quieto, sua mera presença já causa desconforto em alguns e exibicionismo em outros. É o mal que a doença do fascínio pelo branco gerou na mente colonizada da nossa comunidade. Então só quando ele estiver absolutamente de fora que a gente vai estar completamente dentro da gente.
Outra é catar entender que o branco não entra nas nossas reuniões apenas com seus corpos, mas também com seus espíritos.
Prof. Amós Wilson diz que toda pessoa negra vive meio que possuída por um branco dentro de si. E esse branco exerce sobre o preto todas aquelas violências e controles raciais que, antes, o branco de carne e osso precisava, ele mesmo, fazer. Sem precisar sujar as próprias mãos, o branco continua a nos acorrentar para trabalharmos para eles, chicotear nossa mente se a gente não obedecê-lo e nos calar se a gente falar algo contra ele. Tudo isso, já fazemos com esse possessor white que habita na gente.
E por causa desse possessor, a gente não consegue tirar o branco da conta quando vamos equacionar nossos problemas de povo preto. Todas as compreensões, considerações, deliberações e decisões sempre vão ser aceitas ou rejeitadas de acordo com o que nosso possessor branco diz que é certo ou errado, bem ou mal, belo ou feio. Mesmo que não haja um branco de corpo presente, a gente traz o branco em espírito para tutelar nossas conjurações de liberdade.
Tirar os brancos de nossas reuniões é tirar o branco de nossos organismos. As pessoas são um complexo de corpos, desejos, aparências, crenças, conhecimentos, relacionamentos e por aí vai. Cada uma dessas coisas estão reunidas nisso que chamamos pessoas (Ntu). Tirar o branco das nossas reuniões também é tirar o branco dos diversos elementos que nos compõem enquanto humanos.
O branco não merece nossa importância. Só o desprezo. Com ele temos que lidar com atenção, mas não com afeição. Pois o ódio é o recalque do amor. Contra o opressor, a gente tem que ter raiva.
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06/07/2025
A morte sempre ocupou um lugar de destaque nas matrizes culturais africanas. Dentro da cosmogonia do continente, ela não replica a lógica ocidental; carrega outros relógios, outras chaves de leitura. Como, quando e por que alguém parte reorganiza as rotas de toda a comunidade.
A morte, não é acidente. Ela valoriza a vida e nos empurra a manter o passo certo enquanto estamos aqui.
Na visão africana de dualidade, Ìkú não é vilã nem he***na; simplesmente acontece. Cabe a nós garantir que, quando chegar, seja suave. Como fazer? Mantendo o corpo e a mente alinhados às leis da comunidade e aos ancestrais, para que só o último motivo — a vontade do Ser Supremo — nos leve. Vida longa, livre de feitiçaria, sem quebrar tabu, em paz com quem abriu o caminho antes de nós: é esse o tipo de morte que se deseja.
Culturas africanas são pró-vida; por isso tratam a morte com tamanha reverência. Ela encerra, mas também confirma que vivemos conforme o pacto coletivo.
Hoje, porém, nosso povo experimenta um descompasso brutal: mortes precoces nos rondam em massa. Esse quadro não é apenas individual; afeta o corpo inteiro da comunidade. Se estamos partindo antes da hora, é sinal de que o modo de vida imposto a nós não serve. Mudar é tarefa nossa.
Fortalecer as redes, honrar os interditos que protegem a existência e reclamar o controle sobre nossos caminhos são atos de autodefesa. Porque, enquanto a morte não cumprir o tempo certo, continuaremos a erguer quilombos de vida digna.
02/06/2025
O descaminho também é caminho.
Nem tudo que parece desvio é perda.
Èṣù ensina: é na encruzilhada que se revela quem tá pronto pra caminhar com consciência.
É ali, no cruzo dos mundos, que ele testa nossa escuta, nossa coragem e nosso compromisso com o axé.
Nem toda confusão é queda. Às vezes, é lição.
Às vezes, é Èṣù rindo, pedindo que a gente enxergue melhor.
Você sabe pra onde vai? Ou vai deixar que decidam por você?
#Èṣù
30/05/2025
Você cuida da sua cabeça ou da cabeça dos outros
Como ajudar o outro sendo que você tá todo errado.
Curso Ori e a saúde mental da população preta e o papel da espiritualidade.
29/05/2025
Última chamada.
Curso hoje Orixás & Pretagogias
Link na descrição
23/05/2025
Estão sabendo do curso que a Orixás & Pretagogias em conjunto com vai oferecer sobre Orí e a sanidade mental do povo preto.
Falando de axé para a cabeça preta com o olhar racializado.
Acontecerá dia 29/05/2025 as 20:30
Mais informações no direct.
Link na descrição
21/05/2025
O termo banzo tem origem nas línguas Bantu, faladas por diversos povos do continente Afrikano. Derivado de palavras como mabanzo ou kubanza, o termo remete a pensamento profundo, saudade, melancolia, ou seja, a uma espécie de dor silenciosa que afeta o corpo e a alma.
Durante o período da escravidão no Brasil, o banzo passou a descrever um fenômeno muito frequente entre os pretos recém-chegados da Áfrika: uma tristeza profunda, acompanhada de isolamento, recusa de alimentos, prostração, choro constante e, em muitos casos, morte. O banzo era, na verdade, a manifestação do trauma extremo da diáspora forçada que levou à separação da terra natal, da família, do idioma, da espiritualidade e de toda a rede que estruturava a vida de cada preto que era arrastado para longe do seu lar.
Para os colonizadores, o banzo era visto como uma “doença dos pretos”, um sinal de “preguiça” ou “irracionalidade”, e não como um adoecimento psíquico causado por sofrimento extremo, afinal, para eles os pretos não eram sequer seres humanos. Além disso, o banzo é também uma chave de leitura para compreender a saúde mental da população preta hoje. As consequências da escravidão, como o racismo, a pobreza, o encarceramento em massa, a violência estatal e a exclusão social, continuam produzindo formas modernas de banzo, sendo a tristeza crônica, a sensação de não-pertencimento, a desesperança e o adoecimento psíquico são algumas delas.
Para falar mais sobre este assunto convido vocês a participarem do curso “Orí: a saúde mental da população preta e o papel da espiritualidade” que acontecerá no dia 29 de maio às 20h30.
Link de inscrição na bio!
20/05/2025
Na tradição Yorubá, Orí é mais do que a cabeça física: é o nosso eu espiritual, a centelha que carrega o destino, a sabedoria interior e a conexão direta com Olódùmarè, o Criador. Cuidar do Orí é cuidar da nossa essência, do que somos e do que viemos realizar no mundo.
Para nós, pessoas pretas, marcadas por séculos de escravização, racismo e desumanização, a saúde mental precisa ser pensada a partir do cuidado com o Orí. O sofrimento psíquico que nos atravessa - ansiedade, depressão, esgotamento, autossabotagem - muitas vezes nasce da violência cotidiana que tenta nos separar da nossa história, do nosso valor e do nosso axé.
Orí é o primeiro orixá. Isso significa que nossa trajetória e nossos caminhos já nasceram com propósito. Mas o mundo ra***ta em que vivemos tenta desalinhar o nosso Orí: nega nosso saber, invisibiliza nossa dor, e nos faz crer que não somos dignos.
E, para falar um pouco mais sobre a importância de cuidar da nossa cabeça, nós, da Orixás & Pretagogias, estamos oferecendo o curso “Orí: a saúde mental da população preta e o papel da espiritualidade”. O nosso encontro será no dia 29 de maio a partir das 20h30. Se eu fosse você não perderia, hein.
Link de inscrição na bio.
16/05/2025
🖤 CURSOS ONLINE GRATUITOS EM HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DE MALCOLM X 🖤
O Kilûmbu Òkòtó apresenta uma série de cursos online e GRATUITOS, exclusivos para a comunidade preta, celebrando o legado e o exemplo de MALCOLM X.
De 16 a 22 de maio, vamos estudar a vida, os feitos e lições de Malcolm!
📚 OS CURSOS
Sexta, 16/05 - Malcolm da UNIA
Sexta, 16/05 - Malcolm X no Brasil
Sábado, 17/05 - Malcolm, Fanon, Lumumba e Robert Williams
Domingo, 18/05 - Malcolm e o Garveysmo
Segunda, 19/05 - Malcoolm nas Próprias Palavras
Quinta, 22/05 - Malcolm Pós-Nação do Islã
📚 Temas diversos, com o bonde do Òkòtó e tudo por Google Meet pra você acompanhar de onde estiver!
🍽️ Os cursos são gratuitos, mas quem puder contribuir com R$30 ou mais ainda garante 50% de desconto em nosso jantar Nakupenda, durante o evento!
🔗 Inscreva-se pelo Linktree: https://linktre.e/kilumbuokoto
🎥 Câmera aberta e perfil verificado: é tudo nosso, para nós!
Garvey
08/05/2025
Se conta que, quando o mundo foi criado, nenhum animal tinha cabeça. Olódùmarè havia prometido que todos receberiam uma — bela, digna, completa. Mas a procura era tanta que ninguém sabia quando seria sua vez.
O caranguejo, que vivia de adivinhação e era muito íntimo de Exu, soube antes de todo mundo: no dia seguinte, as cabeças seriam distribuídas. Só que não havia para todos. Quem chegasse por último, ficaria sem.
Exu avisou: “Vai lá primeiro, escolhe a sua, depois espalha a notícia.” Mas o caranguejo, por vaidade ou descuido, correu contar pra todo mundo. Ganhou presentes e agradecimentos, mas esqueceu do principal: cuidar do próprio Orí.
Quando chegou sua vez, não restava mais nenhuma cabeça. Desacreditado, foi rejeitado até por Exu. Desde então, vive no pântano, enterrado na lama, escondendo a cabeça que nunca teve.
Esse itã não fala só de bicho. Fala da gente.
Orí não é só a cabeça física. É nosso destino, nosso caráter, nossa consciência.
É o que guia nossas decisões, o que se conecta com os ancestrais, o que escuta Exu nas encruzilhadas. É o que se constrói com escolhas, com espiritualidade, com responsabilidade.
Quem negligencia o próprio Orí vive desorientado.
Quem se alinha com ele, anda com firmeza, mesmo na lama do mundo.
Cultuar o Orí é ato de revolta, proteção e direção.
Porque sem Orí, não há caminho.
E quem não cuida do seu, acaba servindo ao caminho dos outros.
05/05/2025
Às vezes, a melhor coisa pra manter o controle da sua cabeça
é fingir que não tem cabeça nenhuma.
Já ouviram falar que Èṣù não tem cabeça?
E, por isso, não carrega problema de ninguém.
O que mais acontece é você ir buscar problema que não é seu
e dormir com o problema dos outros na cabeça.
O povo preto, em si, tem uma capacidade enorme de suportar seus próprios pesos...
mas vive carregando o peso dos outros.
Olha quantas bandeiras se aproveitam dos movimentos pretos.
Faz a conta aí: quantos pretos morreram por carregar problema alheio?
Aqui dá pra citar vários:
LGBT sem recorte racial, feminismo branco, nazismo, marxismo, bolsorarismo, lulismo... e os diabos a quatro.
A questão é:
por que só temos cabeça pra carregar os problemas dos outros?
Tao sabendo do novo curso da Orixás & Pretagogias em conjunto com a Orí de kilûmbu?
Dia 29/05/2025 apartir das 20:30 até às 22:30
Curso sobre Orí e a saúde mental da população preta e o papel da espiritualidade
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02/05/2025
Tao sabendo do novo curso da Orixás & Pretagogias em conjunto com a Orí de kilûmbu?
Dia 29/05/2025 apartir das 20:30 até às 22:30
Curso sobre Orí e a saúde mental da população preta e o papel da espiritualidade
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