27/02/2018
Por que Programar?
Rick Rashid, VP de Pesquisa, Microsoft
Talvez a maior barreira para ensinar crianças a criar programas não tenha nada a ver com a criança, mas sim com os preconceitos dos adultos e a relativa escassez de pessoas dispostas ou capazes de ensinar habilidades básicas de software para as crianças. Isso é uma vergonha, na verdade, porque a capacidade de programar é a capacidade de criar. Se pudéssemos dar aos nossos filhos essas habilidades no início da vida, isso permitiria a eles ser não só participantes da nossa sociedade digital, mas também agentes. Isso lhes daria tanto uma compreensão de como o nosso mundo, cada vez mais movido pela tecnologia, funciona, como a confiança de saber que eles podem mudá-lo se eles assim escolherem. Também contribuiria muito para satisfazer uma necessidade por habilidades técnicas cada vez maior na sociedade, que pede por pessoas que possam fazer nossas ferramentas, gadgets, e serviços oferecerem mais valor e funcionarem melhor.
Apesar do fato de que nós vivemos num mundo cada vez mais técnico, a criação de software _ uma das habilidades mais fundamentais na era da informação_ ainda é um mistério para alguns e no máximo é vista como uma arte difícil e talvez até arcana. A sociedade vê a “programação” como algo que, se você aprender, aprende nos estágios mais avançados do high school ou na universidade. Se uma criança mais nova aprende a programar, nós estamos mais condicionados a pensar nela como um prodígio (ou pelo menos um caso especial).
O fato, entretanto, é que há na verdade muito poucos pré-requisitos para ensinar uma criança os fundamentos da criação de software. Quase tudo que uma criança precisa saber para começar a aprender engenharia de software é leitura e escrita básicas, aritmética muito básica, simples noções de lógica (“verdadeiro e verdadeiro é verdadeiro”, “verdadeiro e falso é falso”) e noções básicas de abstração. A maior parte das crianças tem essa habilidade já com 6 ou 7 anos.