Ginásio Estadual Irã

Ginásio Estadual Irã

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Ginásio Estadual Irã Foi também, para todos nós, a época do primeiro beijo, de fumar escondido, de matar aula, de descobrir os primeiros amigos.

Referência de qualidade no ensino no extinto estado da Guanabara, nos anos 60 e 70, o Ginásio Estadual Irã - uma escola pública e gratuita - foi responsável pela formação moral e intelectual de milhares de jovens. Aqueles eram dias de "Brasil ame-o ou deixe-o", "Ninguém segura esse País", da chegada do homem à lua, da Copa do Mundo de 70, de jornais e filme censurados. A despeito do nome que receb

Photos from Ginásio Estadual Irã's post 22/04/2024

Em 06 de maio de 1965, o Correio da Manhã noticiava a visita do Xá e da Imperatriz do Irã ao Estado da Guanabara onde, dentre outras atividades, inaugurariam o nosso querido ginásio.
Na época, os EUA tinham boas relações com o Irã e era corrente o seguinte jargão: "o que é bom para os EUA é bom para o Brasil". Após a mudança de regime no Irã, o ginásio também mudou de nome.

MEMÓRIA 13/03/2021

FLAGRANTE COTIDIANO

Ginásio Estadual Irã - 1968. Foto tirada no pátio interno.

Photos 15/05/2020

Vista mais recente do pátio interno lateral (oeste)

13/08/2017

SUPERMAN (mais uma do Manarino)

O Manarino era também o cara das incertas: volta e meia circulava pelos arredores da escola, tentando flagrar alguém com a camisa do uniforme para fora da calça, algum transviado fumando, uma briga entre colegas de turma. Mal sabia o inspetor que muita coisa acontecia ali mesmo, bem embaixo de seu nariz, na vila em frente à escola, ou lá atrás, na quadra de futebol de salão, ou ainda, no fumacê dos banheiros.Agora, o que tirava mesmo o camarada Manarino do sério era um cabeludo. Os cabeludos eram a antítese do milico, do reco, eram a violação de conduta, da norma do colégio, da disciplina, um atentado vivo à moral e aos bons costumes. Fumavam, bebiam, tocavam guitarra, faziam racha e inspiravam Roberto Carlos a 300 km por hora:

Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isso lhe trouxer saudades minhas, a culpa é sua
O ronco barulhento do meu carro
A velha calça desbotada ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim.

Ser cabeludo era uma brasa, mora? E as meninas gostavam de se aquecer neste calor. Pois foi na praia do Manarino que eles apareceram pra tirar onda. A hora da entrada também era a da paquera, a do social, do charme jogado. E foi nesse momento que uns cabeludos aceleraram sua caranga incrementada, zoando alto em frente à escola e chamando a atenção do manarínico harém. Uma volta a 100, outra a 200 e o guardião da ordem decidiu intervir, antes que se chegasse aos 300. Pegou o seu meio de transporte careta e partiu para o pega: atravessou-o no meio da rua, cortando a terceira volta e o barato dos paqueradores. Desceu do carro, tirou a chave da ignição dos subversivos. Não se sabe como, levou os carinhas para dentro da escola. De repente eram meio hippies, da paz e do amor, senão teriam dado um cascudo naquele baixinho folgado.O que teria feito o nosso herói com os transgressores? Suspendeu? Não poderia, não eram alunos da escola. Ligou para seus camaradas da repressão e encomendou-lhes uma coça? Quem sabe? Talvez os infratores não tivessem carteira, o que daria ao mantenedor da disciplina um bom trunfo. O fato é que os playboys sumiram da área em mais uma vitória do SuperMan. Porém, não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe: a onda tropicalista já varria os conceitos, negava a tradição, aclamava que 'é proibido proibir'. Foi só questão de tempo: os cabelos acabaram por crescer dentro do próprio colégio e o 'Super' ficou fora de moda.

Relato de: Américo Marques de Toledo

07/08/2017

CAMARADA MANARINO

Manarino na certidão, é certo, é certeza. Nome de guerra. Aliás, Inspetor Manarino, muito respeito! Baixinho, magro e branquelo, camisa social alva, por dentro da calça de tergal azul-marinho, gravata, circulava por entre as fileiras de jovens prontos a entoar o hino e marchar para as salas. O olhar vagava da fivela de um para o polimento do sapato de outro e depois para uma pernoca mais roliça, fazendo de Manarino um legítimo agente da repressão que vigorava.
Com os desenquadrados, formava uma nova fila, a dos proscritos que, naquele dia, voltariam para casa com uma advertência na caderneta: cabelo comprido, saia justa contra a moral e os bons costumes, camisa sem as divisas de patente. E assim crescia a fileira dos exilados, humilhantemente expostos diante dos colegas.
Porém, onde existe a repressão, há também a resistência: num dia qualquer, o pessoal dos porões, aqueles que ficavam lá no final das filas, começaram a assobiar na hora do hino. Claro, a punição certamente seria dura, uma jubilação, quem sabe, mas valia a pena a transgressão. Desafiado, Manarino enlouqueceu. Subiu enfurecido no bebedouro para tentar rastrear os subversivos, deixando de lado a compostura solicitada pelo cântico. Enquanto se entoava de um povo heroico o brado retumbante, os corações também se exultavam na esperança de que uma pequena poça o fizesse escorregar, caindo de bunda no chão. A concentração foi grande, mas o escorregão não aconteceu, para tristeza das massas.
Por esta e outras, incorporou-se ao nome do inspetor o personagem mandão, linha dura, que tão bem encarnava: Inspetor Mandarino. Foi assim que ficou para muitos, atingidos pelo rigor excessivo, desnecessário, porém alinhado com a época. Dizem que o sujeito era professor de matemática e gente muito boa nas horas vagas. Pena que as horas vagas não faziam a algébrica interseção com o iraniano personagem.
O Manarino, ou Mandarino, como queiram, atingiu seu objetivo pelo caminho da repressão. Poderia ter conseguido este intento por outras vias, como a da camaradagem? Talvez não. Naqueles tempos, ser chamado de camarada dava cana dura, e muito dura.

07/08/2017
07/03/2017

A única lembrança que tenho dos tempos do Irã. Quanta saudade!

Churrasco dos ex-alunos em 2006 17/03/2012
Photos 09/03/2012

Encontro de ex-alunos no aniversário de 41 anos da escola, que hoje se chama Francisco Manuel.

Photos 28/02/2012
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