22/04/2024
Em 06 de maio de 1965, o Correio da Manhã noticiava a visita do Xá e da Imperatriz do Irã ao Estado da Guanabara onde, dentre outras atividades, inaugurariam o nosso querido ginásio.
Na época, os EUA tinham boas relações com o Irã e era corrente o seguinte jargão: "o que é bom para os EUA é bom para o Brasil". Após a mudança de regime no Irã, o ginásio também mudou de nome.
13/03/2021
FLAGRANTE COTIDIANO
Ginásio Estadual Irã - 1968. Foto tirada no pátio interno.
15/05/2020
Vista mais recente do pátio interno lateral (oeste)
13/08/2017
SUPERMAN (mais uma do Manarino)
O Manarino era também o cara das incertas: volta e meia circulava pelos arredores da escola, tentando flagrar alguém com a camisa do uniforme para fora da calça, algum transviado fumando, uma briga entre colegas de turma. Mal sabia o inspetor que muita coisa acontecia ali mesmo, bem embaixo de seu nariz, na vila em frente à escola, ou lá atrás, na quadra de futebol de salão, ou ainda, no fumacê dos banheiros.Agora, o que tirava mesmo o camarada Manarino do sério era um cabeludo. Os cabeludos eram a antítese do milico, do reco, eram a violação de conduta, da norma do colégio, da disciplina, um atentado vivo à moral e aos bons costumes. Fumavam, bebiam, tocavam guitarra, faziam racha e inspiravam Roberto Carlos a 300 km por hora:
Se um outro cabeludo aparecer na sua rua
E isso lhe trouxer saudades minhas, a culpa é sua
O ronco barulhento do meu carro
A velha calça desbotada ou coisa assim
Imediatamente você vai lembrar de mim.
Ser cabeludo era uma brasa, mora? E as meninas gostavam de se aquecer neste calor. Pois foi na praia do Manarino que eles apareceram pra tirar onda. A hora da entrada também era a da paquera, a do social, do charme jogado. E foi nesse momento que uns cabeludos aceleraram sua caranga incrementada, zoando alto em frente à escola e chamando a atenção do manarínico harém. Uma volta a 100, outra a 200 e o guardião da ordem decidiu intervir, antes que se chegasse aos 300. Pegou o seu meio de transporte careta e partiu para o pega: atravessou-o no meio da rua, cortando a terceira volta e o barato dos paqueradores. Desceu do carro, tirou a chave da ignição dos subversivos. Não se sabe como, levou os carinhas para dentro da escola. De repente eram meio hippies, da paz e do amor, senão teriam dado um cascudo naquele baixinho folgado.O que teria feito o nosso herói com os transgressores? Suspendeu? Não poderia, não eram alunos da escola. Ligou para seus camaradas da repressão e encomendou-lhes uma coça? Quem sabe? Talvez os infratores não tivessem carteira, o que daria ao mantenedor da disciplina um bom trunfo. O fato é que os playboys sumiram da área em mais uma vitória do SuperMan. Porém, não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe: a onda tropicalista já varria os conceitos, negava a tradição, aclamava que 'é proibido proibir'. Foi só questão de tempo: os cabelos acabaram por crescer dentro do próprio colégio e o 'Super' ficou fora de moda.
Relato de: Américo Marques de Toledo
07/08/2017
CAMARADA MANARINO
Manarino na certidão, é certo, é certeza. Nome de guerra. Aliás, Inspetor Manarino, muito respeito! Baixinho, magro e branquelo, camisa social alva, por dentro da calça de tergal azul-marinho, gravata, circulava por entre as fileiras de jovens prontos a entoar o hino e marchar para as salas. O olhar vagava da fivela de um para o polimento do sapato de outro e depois para uma pernoca mais roliça, fazendo de Manarino um legítimo agente da repressão que vigorava.
Com os desenquadrados, formava uma nova fila, a dos proscritos que, naquele dia, voltariam para casa com uma advertência na caderneta: cabelo comprido, saia justa contra a moral e os bons costumes, camisa sem as divisas de patente. E assim crescia a fileira dos exilados, humilhantemente expostos diante dos colegas.
Porém, onde existe a repressão, há também a resistência: num dia qualquer, o pessoal dos porões, aqueles que ficavam lá no final das filas, começaram a assobiar na hora do hino. Claro, a punição certamente seria dura, uma jubilação, quem sabe, mas valia a pena a transgressão. Desafiado, Manarino enlouqueceu. Subiu enfurecido no bebedouro para tentar rastrear os subversivos, deixando de lado a compostura solicitada pelo cântico. Enquanto se entoava de um povo heroico o brado retumbante, os corações também se exultavam na esperança de que uma pequena poça o fizesse escorregar, caindo de bunda no chão. A concentração foi grande, mas o escorregão não aconteceu, para tristeza das massas.
Por esta e outras, incorporou-se ao nome do inspetor o personagem mandão, linha dura, que tão bem encarnava: Inspetor Mandarino. Foi assim que ficou para muitos, atingidos pelo rigor excessivo, desnecessário, porém alinhado com a época. Dizem que o sujeito era professor de matemática e gente muito boa nas horas vagas. Pena que as horas vagas não faziam a algébrica interseção com o iraniano personagem.
O Manarino, ou Mandarino, como queiram, atingiu seu objetivo pelo caminho da repressão. Poderia ter conseguido este intento por outras vias, como a da camaradagem? Talvez não. Naqueles tempos, ser chamado de camarada dava cana dura, e muito dura.
07/03/2017
A única lembrança que tenho dos tempos do Irã. Quanta saudade!
10/03/2016
Só para registro.
Eduardo Cunha, o ás da Educação Moral e Cívica
A história do aluno calado que virou presidente da Câmara e réu na Lava-Jato
09/03/2012
Encontro de ex-alunos no aniversário de 41 anos da escola, que hoje se chama Francisco Manuel.