07/02/2017
EU NÃO ENTENDO POR QUE DEU ERRADO...
Andrea Krug
Tinha tudo pra dar certo. Os números eram bons, os resultados estavam positivos no meio daquele caos, o cenário é extremamente promissor. Então por que não consegui aprovar minha ideia?
Quantas e quantas vezes me deparei com angústias desse tipo na minha vida profissional. Pessoas que depositaram um caminhão de esperança na venda de um projeto, um novo produto, um novo serviço, e não conseguiram seguir adiante com o plano. E o pior é que na maioria das vezes o que deu errado não foi o conteúdo, mas a forma...
Para mim foi muito duro admitir, mas depois de “apanhar” algumas vezes, tenho a mais absoluta certeza de que a forma é tão importante quanto o conteúdo. Nossas ideias deveriam ser como um presente. Por melhor que ele seja, caso não esteja muito bem embalado, não faz o efeito que gostaríamos. O outro simplesmente não valoriza. Por outro lado, se a gente pensar só na forma também não dá muito certo. Não basta um ppt muito legal, as vezes ele nem é necessário.
Eu sou daquelas que dizem que tem o dom da fala. Isso eu não sei se é verdade, só sei que gosto muito de falar. Ah isso gosto mesmo! Nunca tive problemas em fazer nenhum tipo de apresentação. Costumo dizer que meu problema não é subir no palco e sim descer. De alguma forma isso sempre foi exigido de mim. Já tive plateia de mais de 500 pessoas em seminários e já encarei câmera ao vivo na Tv por mais de uma vez. Sou de um tempo onde não havia internet e para recrutar jovens talentos para programas de estágio ou trainee, costumávamos encher auditórios e eu sempre dei conta muito bem.
Confesso que nem sempre foi assim. Lembro-me da primeira vez que ministrei um treinamento na minha vida. Faz é tempo...Precisava instruir gestores da unidade onde eu era responsável pelo RH de como recolher dos funcionários os formulários e documentação necessária para a concessão de um novo benefício que chegava sob a forma de Lei: o vale transporte. Me lembro de dois Gerentes ao fundo, sentados numa mesa, com uma cartolina escrita bem grande: né?, que levantavam cada vez que eu terminava uma frase. Descobri que aquilo era um sinal de insegurança da minha parte, como seu eu precisasse da aprovação de todos ao final de cada conteúdo explanado.
Muitas pessoas tem um verdadeiro pânico de se apresentar em público. Quantos estudantes em busca de um estágio não travam na hora da famigerada apresentação individual em uma dinâmica de grupo? E quantos executivos gaguejam na hora de realizar uma apresentação para a Diretoria? Conheço alguns que morrem de medo mesmo. Quantos, por esse medo não ficam prolixos, usam dezenas de elementos e acabam tornando-se monótonos, pouco interessantes.
Mas mesmo para mim que sempre tive facilidade, entendo que fazer uma apresentação é algo muito complexo. Quantos elementos não estão envolvidos? Como saber o que usar, quando usar?
Me lembro de uma especialmente desastrosa. Quem me conhece, ou mesmo quem acompanha meus posts sabe que gosto de uma piada. Sou daquelas que acredito que rir é o melhor remédio. Pois bem, minhas apresentações nunca foram muito diferentes disso. Uma vez fui fazer uma apresentação para meu VP de RH, com quem já trabalhava fazia um tempo. O tema era um novo arranjo da área, que envolvia movimentos dos gestores que trabalhavam comigo bem como novas atribuições. Resolvi, com a aquiescência dos dois gestores, fazer piadinha com o perfil deles, comparando-os a personagens, para explicar o porque da minha escolha. Bom, fui eu quem dessa vez tomou um feedback, e foi um daqueles. Ainda bem que eu tinha um histórico positivo e ele me deu a chance de voltar na manhã do dia seguinte com algo descente. Virei a noite refazendo tudo....
Por isso foi um verdadeiro divisor de águas, quando um chefe meu (não o do desastre da piada) me disse: te inscrevi num curso de técnicas de apresentação. Eu na mesma hora perguntei: pra que? Não preciso? E ele me disse: mas quero que você vá assim mesmo. E eu fui, e foi fantástico! Aprendi tantas coisas... Aprendi que por muitas vezes o silêncio da pausa é o melhor que temos a dizer. Aprendi que ser um bom falador não significa ser um bom comunicador. Aprendi principalmente que comunicação não é o que eu falo, e sim o que o outro entende. E só assim pude entender que podemos e devemos sim ter um estilo, mas que devemos adequar nossa mensagem ao público. E isso significa adequar os recursos que utilizaremos, a linguagem que empregamos, e principalmente inserir o outro nesse contexto.
Assim aprendi que treinar é importante. Aprender a reconhecer o que utilizar, quando utilizar, de que forma utilizar, faz toda diferença entre o sucesso e o insucesso de uma apresentação. É importante aprender a desenvolver um modelo mental para utilizar ao formatar cada uma de suas intervenções. O improviso pode ser uma ferramenta, mas nunca o método. Não é boa estratégia tentar se lembrar momentos antes da sua apresentação de todos os detalhes do que pretende dizer. Agindo assim irá se pressionar ainda mais. Saber transmitir a mensagem, sempre facilitando o entendimento dos ouvintes é que é o verdadeiro dom. E este não vem de fábrica, a gente aprende!
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