O Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras UFRJ surgiu em 2014. Nosso objetivo é conferir visibilidade aos conhecimentos de Mulheres Negras.
GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS INTELECTUAIS NEGRAS UFRJ
APRESENTAÇÃO
a) Histórico
O Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras (GIN-UFRJ) foi criado em 2014 por Giovana Xavier e surgiu do desejo de congregar mulheres negras de diferentes áreas para construção de uma rede feminista negra engajada na produção de conhecimentos e promoção de ações com foco em comunidades negras, suas experiências
e histórias. Neste primeiro momento, em conjunto com as professoras Azoilda Loretto da Trindade (ancestral), Celia Cristo, Claudielle Pavão, Janete Santos Ribeiro e Marta Muniz Bento promovemos um conjunto de reuniões abertas, que tinham como foco definir as feições do grupo, discutindo tanto as possibilidades e limites de nos definirmos como Intelectuais Negras quanto as ações de formação interna e externa que poderíamos desenvolver. Apostando na promoção de ações diversificadas em escolas, universidades e na mídia, tais quais campanhas, cursos, eventos, projetos, programas de ensino, extensão, pesquisa e reuniões de formação continuada em gênero e feminismos negros, o grupo tem contribuído para o reconhecimento das múltiplas identidades e experiências de gênero, raça, classe, sexualidade em torno do ser mulher negra. a) Principais ações
Entre 2015 e 2016, com experiências acumuladas em nosso processo de constituição, realizamos dois eventos: o Encontro de Formação Gestando Espaços, Criando Laços e o I Seminário Intelectuais Negras: Escritas de Si. Em conjunto com o Núcleo de Pesquisa em Desconstrução de Gêneros (DEGENERA-UERJ), coordenado por Amana Mattos, oferecemos o Simpósio Temático Feminismos Interseccionais no Simpósio Internacional Desfazendo Gênero, realizado em 2015, na cidade de Salvador. Em consonância com nosso papel de intelectuais públicas criamos a Campanha Vista Nossa Palavra FLIP 2016, com objetivo de conferir visibilidade à produção literária de Autoras Negras, invisibilizadas na 14a Festa Literária de Paraty. b) Intelectuais Negras: Muitas e Visíveis
Valorizamos a autoria de mulheres negras, enfatizando o poder que sua palavra e sua escrita desempenham nas lutas contra as desigualdades em sociedades pós-escravistas como o Brasil. Para tal, partimos do princípio da diversidade que nos constitui como Mulheres Negras. Acreditamos que tal reconhecimento, muitas vezes invisibilizado pelo racismo, é parte de algo primordial: o cuidar umas das outras. Nessa lógica, o Grupo baseia-se na perspectiva feminista negra interseccional, que inclui o diálogo e o respeito com todos as formas de organização conduzidas por Mulheres Negras (Feminismo Negro, Mulherism Afrikana, Womanism, Negralismo, Transfeminismo Negro) e também com movimentos feministas brancos comprometidos com a luta contra o racismo. Baseadas na perspectiva da “educação com afeto”, criada por Azoilda Loretto da Trindade, nossa agenda de pesquisa ativista motiva-nos a buscar respostas para questões como:
Quais limites e possibilidades de definir individual e coletivamente o que é ser Mulher Negra?
Que experiências nos aproximam ou nos distanciam enquanto Mulheres Negras?
Como lidar com as diversas histórias de Mulheres Negras sem hierarquias, invisibilizações e silenciamentos?
Quais estratégias podemos lançar mão para que os saberes que produzimos – enquanto Intelectuais Negras – contribuam para enfrentarmos os dilemas postos? Seguimos trabalhando para significar o Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras como um espaço de educação cooperativa com vistas à criação e visibilização de práticas pedagógicas e conhecimentos emancipatórios que promovam fortalecimentos individuais e coletivos entre Mulheres Negras.
“Nossos passos vêm de longe”!
20/08/2018
"Através das reflexões que faço, diante da realidade que me cerca, produzo Ciência", Ricardo Lage
No Programa de Educação Tutorial, construímos uma noção mais democrática da Ciência. Uma visão, por meio da qual, valorizamos as histórias e os pontos de partida de cada estudante que consegue acessar a graduação no Brasil.
I Seminário Ciência para o Negro
Dias 22 e 23 de agosto, IFCS-UFRJ. Compartilhem. Inscrevam-se: https://www.facebook.com/events/2195077150736614/
"Estar na universidade é muito significativo pra mim, principalmente, por estar ocupando um espaço que não foi pensado a meu favor, podendo assim disputar narrativas na produção científica. Para alguns a trajetória pode terminar no ensino médio, mas eu prossegui! E através das reflexões que faço, diante da realidade que me cerca e da aquilo que me reconhece, produzo Ciência! Sigo, portanto, finalizando este primeiro passo da minha trajetória acadêmica e buscando novas formas de produzir conhecimento!"
Ricardo Lage, Granduando em Ciências Sociais, UFRJ.
20/08/2018
"A formação acadêmica na minha vida representa a possibilidade de poder ser", Stéphane Marçal Sabino
No Programa de Educação Tutorial, desenvolvemos um trabalho relacionado à construção da identidade acadêmica por jovens negros. Para isso, priorizamos leituras e referenciais que tornem possível a articulação entre teoria e prática.
I Seminário Ciência para o Negro
Dias 22 e 23 de agosto, IFCS-UFRJ. Compartilhem. Inscrevam-se: https://www.facebook.com/events/2195077150736614/
Como a primeira pessoa da minha família a entrar numa universidade pública, a formação acadêmica na minha vida representa a possibilidade de poder ser. Independente daquilo que faço ou estudo, para os meus pais, desde que eu esteja feliz, o meu entrar na UFRJ foi um marco de que podemos ser o que quisermos ser. Embora, toda a estrutura social funcione para impedir pessoas negras e faveladas de alcançarem altos cargos e tenha conseguido atrapalhar o sonho da minha mãe, por exemplo, de terminar o ensino médio podendo ingressar numa faculdade, meus pais me apoiaram durante toda a minha vida e se transformaram no mais forte alicerce que eu podia ter para buscar ir além. Ir além do esperado para pessoas como eu, ir além das estatísticas e das expectativas. A formação acadêmica desempenha na minha vida o afago que a minha família ansiava. O suspiro por ter construído novos passos. A esperança de alcançar lugares inimagináveis pelos meus antepassados, não tão distantes. É um romper de silêncios e uma fabricação de chaves que abram portas de oportunidades para os que não se veem capazes de simplesmente ser o que quiserem ser.
Stéphane Marçal, 20 anos, graduanda em Letras, UFRJ.
20/08/2018
"Ingressar na UFRJ era um ato de resistência e apropriação", Veronica Santos
No Programa de Educação Tutorial, temos a oportunidade de conversar sobre o que estar na academia representa individualmente e como esta presença pode gerar conquistas coletivas. Isso é feito através de leituras de textos de intelectuais negrxs, do compartilhamento de histórias familiares, do estímulo à escrita literária.
I Seminário Ciência para o Negro
Dias 22 e 23 de agosto, IFCS-UFRJ. Compartilhem. Inscrevam-se: https://www.facebook.com/events/2195077150736614/
Ocupar o espaço da universidade era uma possibilidade remota, mas no ensino médio participando das aulas no PVNC, percebi que tinham diversos estudante como eu. Iniciou-se a minha primeira construção de identidade de jovem na Baixada. Então, ingressar na UFRJ era um ato de resistência e apropriação, para descentralizar estes conhecimentos acadêmicos. Estar no grupo PET Conexões é uma experiência importante, pois tive a oportunidade de conhecer diversas leituras e autorxs negrxs importantes. E através disto construir novas epistemologias, que potencializam as nossas individualidades na vivência acadêmica." Eu sou porque nós somos." Gratidão!
Giovana Xavier, Paloma Nepomuceno, Kdu Vasconcellos, Camille Tantow, Stéphane Marçal Sabino, Niuani Pereira, Marlon Gama, Vitor Domingues.
Veronica Santos, graduanda em licenciatura em ciências socias.
Faltam 3 dias pro nosso primeiro Diálogos de 2018.2, e estamos ansiosas pra dialogar, debater e produzir mais conhecientos e reflexões junto com vocês.
O Diálogo acontecerá no IFCS/UFRJ, no Largo São Francisco, Centro do Rio de Janeiro. Começa as 18h e termina as 21h.
A sala para nosso encontro será a sala (auditório) 106, no primeiro andar.
Esperamos vocês!!!
LEMBRANDO:
Texto para leitura:
Djamila Ribeiro. "O que é: lugar de fala?". Belo Horizonte: Letramento, 2017.
Intelectuais Negras Diálogos é um espaço de formação acadêmica baseado em práticas de leitura, escrita e cuidado. O projeto inspira-se tanto na produção de Mulheres Negras em diferentes espaços de atuação quanto na importância de oferecer subsídios para a produção de narrativas acadêmicas através dos referenciais dos feminismos negros, descoloniais e interseccionais.
Cabe ressaltar que em seus quatro anos de existência, o Grupo Intelectuais Negras UFRJ tem se destacado por desenvolver ações e metodologias de trabalho , ligadas às escritas de si, narrativas na primeira pessoa e escrevivências. Todas essas trabalhadas, de forma pioneira, como ferramentas de produção de conhecimento científico através da localização dos saberes de Mulheres Negras.
Reafirmando a importância da leitura e do debate na formação acadêmica, a coordenadora e as pesquisadoras do Grupo convidam todas para estarem conosco no dia 17/08 às 18h, discutindo a obra "O que é lugar de fala?", da filósofa Djamila Ribeiro.
Esperamos vocês!!!
LEMBRANDO:
Texto para leitura:
Djamila Ribeiro. "O que é: lugar de fala?". Belo Horizonte: Letramento, 2017.
14/08/2018
Intelectuais Negras Diálogos é um espaço de formação acadêmica baseado em práticas de leitura, escrita e cuidado. O projeto inspira-se tanto na produção de Mulheres Negras em diferentes espaços de atuação quanto na importância de oferecer subsídios para a produção de narrativas acadêmicas através dos referenciais dos feminismos negros, descoloniais e interseccionais.
Cabe ressaltar que em seus quatro anos de existência, o Grupo Intelectuais Negras UFRJ tem se destacado por desenvolver ações e metodologias de trabalho , ligadas às escritas de si, narrativas na primeira pessoa e escrevivências. Todas essas trabalhadas, de forma pioneira, como ferramentas de produção de conhecimento científico através da localização dos saberes de Mulheres Negras.
Reafirmando a importância da leitura e do debate na formação acadêmica, a coordenadora e as pesquisadoras do Grupo convidam todas para estarem conosco no dia 17/08 às 18h, discutindo a obra "O que é lugar de fala?", da filósofa Djamila Ribeiro.
Esperamos vocês!!!
LEMBRANDO:
Texto para leitura:
Djamila Ribeiro. "O que é: lugar de fala?". Belo Horizonte: Letramento, 2017.
10/07/2018
Você já cursou a disciplina Intelectuais Negras?
Então corre pra sua caixa de e-mail ou para o grupo do Facebook que existe um recado lá :D
O que você, pessoa cis, sabe sobre a população tr****ti e transexual do Brasil?
Como você se posiciona?
Essas foram algumas das questões que nortearam o debate na nossa aula de Intelectuais Negras. Vale lembrar também que estamos no mês do orgulho LGBT.
Se acreditamos no poder de mulheres negras contando suas próprias histórias, que tal seguirmos algumas das nossas referências? Aqui estão alguns dos nomes que recordamos ao longo da aula.
Lembrou de mais alguém? Conte pra gente nos comentários que vamos editar este post! Não se esqueçam de compartilhar essa lista com amig@s!
14/06/2018
O grupo CULTNA (Cultura Negra no Atlântico), convida todxs para um encontro amanhã, com o intuito de discutir um balanço geral do II Seminário Internacional Histórias do Pós-Abolição, que aconteceu entre 15 e 18 de maio na FGV, e que mobilizou estudantes da graduação, pós-graduação, pesquisadores, professores universitários brasileiros e estrangeiros, e também ativistas de diferentes segmentos culturais que se dedicam a estudar e implementar práticas eficientes na construção de uma educação antiracista e democrática. Muita potência!!!
É um ótimo encontro para quem não pode comparecer ao Seminário da FGV, e também aos que foram para somar nos debates e percepções acerca do que produzimos dentro e fora da academia no que tange as políticas relativas ao Pós-Abolição e à História do Racismo no Brasil.
Nós do grupo Intelectuais Negras estaremos lá!
Venham trocar com a gente.
09/05/2018
CONHEÇA AS INTELECTUAIS NEGRAS 2018.1:
Para iniciar a fase dos Ateliês Bibliográficos do curso, os grupos prepararam lindos estandartes das Intelectuais Negras homenageadas:
MÃE BEATA DE IEMANJÁ 👑
Beatriz Moreira Costa, ou Mãe Beata de Iemanjá, é nossa ancestral e foi ialorixá do terreiro Ilê Omi Oju Aro, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense). Mãe Beata foi defensora de causas que envolviam raça, religiões de matriz africana, gênero, sexualidade e direitos humanos dentro e fora dos terreiros. Mãe Beata também foi escritora.
CAROLINA MARIA DE JESUS 👑
Engana-se quem pensa que a mineira de Sacramento, Carolina Maria de Jesus, publicou somente 'Quarto de Despejo'. 'O Diário de Bitita', 'Casa de Alvenaria' e outras 5 obras. Para romper com o discurso da 'história única' que retrata Carolina apenas como "catadora de papel", o grupo contou parte da história da escritora e relembra: há livros disponíveis para download e uma área dedicada à autora no Museu Afro Brasil.
VANESSA ANDRADE 👑
A psicóloga e professora da UFRJ Vanessa Andrade é autora do projeto Afrobetizar, que ensina crianças do Cantagalo, favela da Zona Sul do Rio de Janeiro, a reconhecerem espelhos positivos de negritude. O estandarte, além de destacar aspectos da personalidade da Vanessa, trouxe uma citação:
"Não basta dizer para as crianças que é lindo ser negra. Contar quem foi Zumbi ou Maria Carolina de Jesus. Essas crianças precisam viver uma experimentação positiva para que elas interiorizem esse sentimento de valorizar a própria cultura".
DONA IVONE LARA 👑
Nossa joia rara, agora ancestral, teve parte da vida profissional dedicada ao Serviço Social e a luta antimanicomial. O grupo pretende enfatizar a contribuição de Dona Ivone Lara para a saúde mental do povo negro brasileiro. Isso, é claro, sem deixar de lado a trilha sonora.