O êxito social e cultural da Revista Brasileira, de José Veríssimo, daria coesão a um grupo de escritores e, assim, possibilidade à idéia. Eram trinta membros.
Sejam bem-vindos à página oficial da Academia Brasileira de Letras (ABL) no Facebook.Este local destina-se à divulgação das atividades culturais da Academia, por meios eletrônicos, complementando o Portal da instituição. No fim do século XIX, Afonso Celso Júnior, ainda no Império, e Medeiros e Albuquerque, já na República, manifestaram-se a favor da criação de uma academia literária nacional, nos
moldes da Academia Francesa. Lúcio de Mendonça teve, então, a iniciativa de propor uma Academia de Letras, sob a égide do Estado, que, à última hora, se escusaria a tal aventura de letrados. Constituiu-se então, como instituição privada independente, a Academia Brasileira de Letras. As primeiras notícias relativas à fundação da ABL foram divulgadas a 10 de novembro de 1896, pela Gazeta de Notícias, e, no dia imediato, pelo Jornal do Commercio. Teriam início as sessões preparatórias: na primeira, às três da tarde de 15 de dezembro, na sala de redação da Revista Brasileira, na Travessa do Ouvidor, nº 31, Machado de Assis foi desde logo aclamado presidente. A 28 de janeiro do ano seguinte, teria lugar a sétima e última sessão preparatória, à qual compareceram, instituindo a Academia: Araripe Júnior, Artur Azevedo, Graça Ar**ha, Guimarães Passos, Inglês de Sousa, Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Pedro Rabelo, Rodrigo Otávio, Silva Ramos, Teixeira de Melo, Visconde de Taunay. Também Coelho Neto, Filinto de Almeida, José do Patrocínio, Luís Murat e Valentim Magalhães, também presentes às sessões anteriores, e ainda Afonso Celso Júnior, Alberto de Oliveira, Alcindo Guanabara, Carlos de Laet, Garcia Redondo, Pereira da Silva, Rui Barbosa, Sílvio Romero e Urbano Duarte, que aceitaram o convite e a honra. Havia mister completar os quarenta, como na Academia Francesa. Assim fizeram os presentes, elegendo os dez seguintes: Aluísio Azevedo, Barão de Loreto, Clóvis Beviláqua, Domício da Gama, Eduardo Prado, Luís Guimarães Júnior, Magalhães de Azeredo, Oliveira Lima, Raimundo Correia e Salvador de Mendonça. Os Estatutos foram assinados por Machado de Assis, presidente; Joaquim Nabuco, secretário-geral; Rodrigo Otávio, 1º secretário; Silva Ramos, 2º secretário; e Inglês de Sousa, tesoureiro. A 20 de julho de 1897, numa sala do museu Pedagogium, à Rua do Passeio, realizou-se a sessão inaugural, com a presença de dezesseis acadêmicos. Fez uma alocução preliminar o presidente Machado de Assis. Rodrigo Otávio, 1º secretário, leu a memória histórica dos atos preparatórios, e o secretário-geral, Joaquim Nabuco, pronunciou o discurso inaugural.
08/06/2026
Você gosta de literatura ficcional? Então, não perca a segunda conferência do ciclo Caminhos da Ficção!
Quem conduzirá o debate na próxima semana será o escritor e Acadêmico Domício Proença Filho. Na palestra, ele vai traçar um panorama da própria produção ficcional, compartilhando percursos, temas e reflexões sobre a sua trajetória literária.
📆 9 de junho
🕟 16h
📍 ABL | Entrada franca
🖥️ Transmissão ao vivo pelo YouTube da ABL
08/06/2026
“Morte e Vida Severina”, a obra-prima do imortal João Cabral de Melo Neto, está de volta ao debate na ABL.
Na próxima edição do Quinta É Cultura, o professor e pesquisador José Denis de Oliveira Bezerra apresenta a palestra “Morte e Vida Severina pelo Norte Teatro Escola do Pará: outras histórias do teatro brasileiro”, dedicada à histórica encenação realizada em 1958 pelo grupo paraense Norte Teatro Escola, liderado por Maria Sylvia Nunes e Benedito Nunes.
A partir de suas pesquisas sobre a cena teatral amazônica, Bezerra propõe novas leituras para a trajetória da obra e para a história do teatro brasileiro no século XX.
📅 11 de junho
🕟 17h30
📍 ABL | Entrada franca
🖥️ Transmissão ao vivo pelo perfil da ABL no YouTube
07/06/2026
E lá se vai mais um ano. Em alguns casos, décadas ou até mesmo séculos! Nesta semana, a Biblioteca Acadêmica Lúcio de Mendonça destaca alguns acadêmicos aniversariantes:
Tobias Barreto (7 de junho de 1839). Filósofo, poeta, crítico. É o patrono da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador, seu discípulo e amigo Sílvio Romero. (Fonte: https://www.academia.org.br/academicos/tobias-barreto/biografia)
José Bonifácio de Andrada e Silva (13 de junho de 1763). Foi um naturalista, poeta e estadista. Recebeu a alcunha “Patriarca da Independência” por seu papel na Independência do Brasil. É patrono da cadeira 16 de sócio correspondente.
06/06/2026
Nos acervos da Biblioteca Rodolfo Garcia, cada obra preserva um fragmento de história. Hoje destacamos um trecho do livro “História das Ruas do Rio de Janeiro”, de Brasil Gerson.
“Quando não tinham ainda sido aterrados os mangais de S. Diogo, para que D. João VI mais fàcilmente viajasse entre o Paço da cidade e o de S. Cristóvão, era do caminho de Mata-Cavalos que os cariocas mais se utilizavam para chegar à zona norte e através dela às estradas que levavam ao interior do Brasil-Colônia. Ela se chamava então de Mata-Cavalos, segundo os velhos cronistas, ‘por ser uma vereda cheia de barrancos, e que muito cansava os animais, que por ela transitavam, desde o seu comêço junto dos Arcos, até ao seu fim na lagoa da Sentinela, onde sai a estrada de Mata-Portos’ (hoje Rua Frei Caneca). [...] E tão característica ela era do Rio oitocentista que nela Machado de Assis localizou vários dos mais curiosos personagens dos seus romances, inclusive a Capitu. Nela Biase Labança, seu irmão João Augusto e seu primo José instalaram na primeira década do século um improvisado estúdio, numa das primeiras tentativas feitas no Rio para filmagens cinematográficas e funcionaram também algumas famosas cervejarias, como a Laiden e a Bastos, com vastos salões para o público consumidor, e antes dos bondes sôbre os Arcos era através dela que melhor se subia para Santa Teresa.”
Por se tratar de um recorte feito do texto original, o trecho acima segue a ortografia da época.
GERSON, Brasil. História das ruas do Rio de Janeiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Souza, [19--], p. 317-318.
Brasil Görresen, mais conhecido como Brasil Gerson (1904–1981), foi jornalista, escritor, tradutor, dramaturgo, roteirista e crítico de teatro. Perseguido pelo Estado Novo, esteve entre os comunistas que se exilaram na região do Rio da Prata (Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai) entre 1939 e 1942.
04/06/2026
A Biblioteca Acadêmica Lúcio de Mendonça preserva obras escritas por Acadêmicos da ABL. Hoje, compartilhamos um trecho do livro "Riacho Doce", do imortal José Lins do Rego.
[…] As casas grandes de alpendre, fechadas. Só lá para as bandas da praia continuavam os pescadores, as jangadas saindo de madrugada para a pesca de cavalas. As mulheres ali não ficavam pensando nos maridos distantes. Raros teriam morrido no mar. Êles sabiam resolver as coisas, os quatro paus da jangada não os deixavam nunca ir ao fundo, nem que as sereias os levassem para o seu reino longínquo. Voltariam. Não rezavam por êles, não ficavam esperando na praia a volta das embarcações. O mar não comia os homens, não fazia viúvas. Era bom e manso. Quando estava raivoso, êles ficavam nas caiçaras esperando que a cólera do mar passasse. Mau era o rio doce pequeno, aquêle fio de água, comparado com o mar gigante. Dêle vinham as febres, as dores de lado, a sezão implacável. À tardinha, quando os meninos saíam do banho do rio, vinham tremendo de frio, de dentes batendo, e a febre traiçoeira no corpo engelhado. A velha Aninha benzia a morrinha do corpo. Bem velha era, mãe e avó de praieiros robustos. Sempre tivera fôrça de fora, de cima, para as manobras com os outros. De sua casa de palha saíam as suas orações, os seus benditos para a gente de perto e de longe. Ela sabia quando a lua vinha forte, quando as marés cresciam, quando a chuva tirava os peixes do mar. Velha sábia, de podêres estranhos, de coração duro. Era forte na dor, na desgraça, na alegria. Via defunto, fechava os olhos dos moribundos, cantava as orações dos mortos, benzia meninos, curava as frieiras dos bichos, fazia as cobras correrem para o mato. E nunca ninguém vira a velha Aninha com lágrimas nos olhos. […]
Por se tratar de um recorte feito do texto original, o trecho acima segue a ortografia da época.
REGO, José Lins do. Riacho doce. Ilustrações de Luís Jardim. 5. ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1969, p. 79-80.
Eleito em 1955, na sucessão de Ataulfo de Paiva, José Lins do Rego ocupou a cadeira 25 da Academia Brasileira de Letras. Romancista nordestino, seu maior legado foi o "Ciclo da cana-de-açúcar", conjunto de romances que retratou a decadência dos engenhos nordestinos com base em suas próprias memórias, reunindo “Menino de Engenho”, “Doidinho”, “Banguê”, “Usina” e “Fogo Morto”. Ao longo da carreira, recebeu o Prêmio da Fundação Graça Ar**ha pelo romance “Menino de Engenho” (1932), o Prêmio Felipe d'Oliveira pelo romance “Água-Mãe” (1941) e o Prêmio Fábio Prado pelo romance “Eurídice” (1947).
04/06/2026
A programação da 10ª Semana Nacional de Arquivos chega à ABL!
Na segunda-feira (8), a chefe do Serviço de Paleografia do Arquivo Nacional, Alícia Duhá Lose, apresenta a palestra “Pombal digital: o processo de transcrição e edição de uma biografia pombalina”.
O evento é uma parceria entre a Semana Nacional de Arquivos e o Arquivo Múcio Leão, dirigido pelo Acadêmico Godofredo de Oliveira Neto, que também coordena o encontro.
A Semana Nacional de Arquivos (SNA) é um evento anual promovido pelo Arquivo Nacional com o objetivo de divulgar iniciativas arquivísticas e estimular o debate sobre o papel dos arquivos na sociedade. Integrada ao calendário internacional da Semana Internacional de Arquivos, promovida pelo International Council on Archives (ICA), a SNA mobiliza arquivos públicos, privados e comunitários em todo o país.
📅 8 de junho
🕞 15h
📍 ABL | Entrada franca
🖥️ Transmissão ao vivo pelo perfil da ABL no YouTube
03/06/2026
Entre a memória, a leitura e o Amazonas, Milton Hatoum construiu uma das mais singulares vozes da literatura brasileira contemporânea.
Reconhecido como um dos maiores romancistas do país, e sexto ocupante da cadeira 6 da Academia Brasileira de Letras, sua escrita nasce de um lugar preciso — Manaus — e se expande em direção ao mundo, carregando o ritmo da Amazônia, as histórias dos avós imigrantes e as vozes de caboclas e indígenas que alimentaram sua imaginação desde a infância.
No discurso de posse, intitulado “Imigrantes do imaginário”, essa trajetória ganha forma: escrever é ouvir antes de inventar, é aprender com Graciliano, com Rosa e com Machado que a linguagem pode ser ao mesmo tempo faca e compaixão. É também uma homenagem às professoras e aos professores que formam leitores críticos — e sem os quais nenhuma literatura sobrevive.
Leia o discurso completo em nosso site.
02/06/2026
Se você tem produções científicas nas áreas de memória, patrimônio, informação e cultura, chegou a sua hora de brilhar!
As inscrições para o II Seminário em Memória, Formação e Organização de Acervos Institucionais estão abertas até o dia 1º de julho, pelo site da Academia Brasileira de Letras. A submissão de trabalhos tem o custo de R$ 50.
O seminário ocorre nos dias 21 e 22 de setembro e é uma promoção da ABL, por meio da Biblioteca Rodolfo Garcia e da Biblioteca Acadêmica Lúcio de Mendonça, e é destinado a alunos de pós-graduação, professores, pesquisadores e profissionais das áreas de bibliotecas, arquivos, museus, centros de memória, associações e instituições culturais.
O objetivo do evento é promover reflexões e debates acerca da memória, da preservação documental, da formação de acervos e dos processos de organização, representação e difusão da informação em instituições culturais e científicas, reunindo pesquisas e experiências desenvolvidas em diferentes áreas do conhecimento.
01/06/2026
"Senhores, agrada-vos ouvir uma bela história de amor e de morte?”
No novo romance do Acadêmico José Roberto de Castro Neves, o cronista esportivo Samuel Janowitz recebe a notícia da morte repentina do filho, de quem havia se afastado sem manter qualquer comunicação. Em seguida, encontra um livro deixado por ele.
Em "Onar '82", luto, memória e futebol se encontram numa reflexão sobre os silêncios e as ausências nas relações familiares. É na leitura do manuscrito que Samuel, enfim, descobre quem era o filho.
O livro está disponível nas principais livrarias do país, nas versões física e digital.
31/05/2026
Parte do mundo escrito pelo Acadêmico Milton Hatoum no palco da ABL.
Na próxima terça-feira (2), a partir das 17h30, a professora Stefania Chiarelli conduz a palestra “As águas da memória em Milton Hatoum”, um percurso pela obra do autor amazonense a partir das distintas figurações da água: ilhas, lagos, rios, igarapés e o fino chuvisco manauara que atravessam esse mar de histórias sempre pronto a ser revisitado.
Pesquisadora da obra de Hatoum, Stefania desenvolveu sua tese de doutorado sobre o escritor e assina o posfácio da edição mais recente de “Relato de um Certo Oriente”.
📅 2 de junho
🕟 17h30
📍 ABL | Entrada franca
🔗 Transmissão ao vivo pelo perfil da ABL no YouTube