23/09/2026
Nos acervos da Biblioteca Rodolfo Garcia, cada obra preserva um fragmento de história. Hoje, destacamos um trecho de “Hamlet”, do escritor William Shakespeare.
”FANTASMA
Eu sou o espectro de teu pai;
Condenado a vagar durante a noite
Por algum tempo e a jejuar de dia,
Prêso no fogo, até que êste consuma
E purifique as faltas criminosas
Que cometi em vida. Mas proibido
De contar os segredos de meu cárcere,
Pois se os narrasse, a mínima palavra
Cortaria tu’alma e gelaria
O próprio sangue de teu jovem corpo,
Faria teus dois olhos, como estrêlas,
Saltar das órbitas, e os teus cabelos
Eriçarem-se rijos, como as cerdas
Se eriçam no irritado porco-espinho,
Mas revelar não posso o eterno arcano
Aos ouvidos humanos. Ouve! Escuta!
Escuta! Amaste um dia um pai querido...”
Por se tratar de um recorte feito do texto original, o trecho acima segue a ortografia da época.
SHAKESPEARE, William. Hamlet. Tradução de Anna Amélia Carneiro de Mendonça. Rio de Janeiro: Agir, 1968, p. 59.
William Shakespeare foi poeta, dramaturgo e ator inglês. Um dos grandes nomes da literatura mundial, nasceu em Stratford-upon-Avon, em 1564, construiu sua carreira no teatro londrino e deixou uma obra que reúne tragédias, comédias, peças históricas e poemas. Autor de clássicos, como ”Hamlet”, ”Romeu e Julieta”, ”Macbeth” e ”Rei Lear”, Shakespeare segue sendo lido, encenado e reinterpretado séculos depois de sua morte, em 1616.