23/03/2026
A ciência precisa ser matemática para ser ciência?
Essa pergunta orientará uma discussão em sala de aula, na disciplina Economia Ecológica oferecida aos estudantes do PPGDE/UFPR, sobre o pensamento de Nicholas Georgescu-Roegen, e continua sendo central para quem se preocupa com os limites e os fundamentos da economia.
Ao longo do tempo, consolidou-se a ideia de que rigor científico está associado à formalização lógica e matemática. Mas será que todos os fenômenos podem, ou devem, ser reduzidos a esse tipo de representação?
Georgescu-Roegen nos lembra que nem todos os conceitos são “aritmomórficos”, isto é, discretos, precisos e perfeitamente mensuráveis. Muitos dos conceitos mais importantes para a economia, como desenvolvimento, bem-estar, democracia ou sustentabilidade são, na verdade, dialéticos: possuem fronteiras imprecisas, zonas de sobreposição e dependem do contexto histórico e social. O problema surge quando tentamos forçar esses conceitos a caber em números.
Transformar desenvolvimento em PIB per capita, ou bem-estar em utilidade, não é apenas uma simplif**ação, mas uma redução que pode distorcer o próprio objeto de análise.
A Economia Ecológica parte justamente desse ponto: reconhecer que o sistema econômico está inserido em uma realidade biofísica, histórica e irreversível, que não pode ser plenamente capturada por modelos fechados e puramente formais.
Talvez o desafio não seja tornar a economia mais matemática, mas torná-la mais adequada à realidade que pretende compreender.
Esse é o tema do novo artigo publicado no site do GEMAECO
https://gemaeco.ufpr.br/ciencia-aritmomorfismo-e-dialetica-fundamentos-epistemologicos-e-implicacoes-para-a-economia-ecologica%c2%b9/
A questão sobre o que constitui ciência e, mais especif**amente, se a formalização matemática é condição necessária para o conhecimento científico ocupa lugar central no pensamento de Nicholas Georgescu-Roegen em The Entropy Law and the Economic Process, publicado em 1971. No Capítulo II,...