Yogalaya Aprenda os conceitos
práticos e teóricos do yoga de acordo com os textos clássicos.

22/09/2026

No McDonald’s eu pedia McChicken com suco de laranja. E riam da minha cara.

“Tá no McDonald’s e vai pedir suco de laranja? Pede logo uma Coca Grande.”

Isso nunca fez sentido pra mim. Porque a Coca Grande continua sendo pior. Eu sei que tô comendo um troço que não faz bem, mas eu preciso piorar ainda mais?

Às vezes a gente chuta o balde porque pensa: já que eu tô meio errado mesmo, vou f**ar muito errado agora.

Não precisa. Já que você tá errado, tenta f**ar o mínimo possível dentro dessa condição.

E a gente tende a esse lugar. Se for pouco, ah, se é só isso não importa.

Repara que essa dúvida não é nova.

Na Bhagavadgītā, o Arjuna pergunta exatamente isso pro Kṛṣṇa: e se eu não conseguir? O que acontece comigo? Quem não consegue, perde? Se destrói?

E a resposta do Kṛṣṇa é direta. Para esse não há destruição aqui nesse mundo, nem lá no outro. Ninguém que faça ação para a liberação alcançará um destino ruim.

Nada se perde no seu processo.

Mesmo que você não chegue lá, cada degrau é um degrau. Você pode não chegar no alto da montanha, mas você tá subindo cada degrau.

Sem pressa e sem pausa. Vai e continua. Um pouquinho de cada vez, fazendo aquilo que tem que ser feito.

Trecho da nossa aula de Bhagavadgītā, capítulo 6.

Me conta aqui: qual foi a última vez que você chutou o balde porque já tinha saído da linha?

E lembra que Yoga é, antes de tudo, cuidado.

18/09/2026

Se yoga é a união entre corpo, mente e espírito, quando meu corpo quer brownie o meu espírito quer também?

Claro que não. Isso não é união, é confusão.

Sentindo o Sentido, episódio 1. A palavra de hoje é yoga.

Yoga e jugo vêm da mesma raiz. Em sânscrito ela é yuj. O jugo é aquela ferramenta de madeira no pescoço do boi: liga dois bois numa mesma direção e liga os bois ao arado. É uma ferramenta que direciona um processo. Por isso yoga também quer dizer método.

Mas olha o que Patañjali traz no sūtra 17 do segundo capítulo.

Ele diz que a causa do sofrimento é saṁyoga: a união completa, a confusão que acontece quando o observador se confunde com aquilo que é observado.

Repara no tamanho disso. A palavra que nomeia o objetivo é a mesma que nomeia o problema.

Se você confunde o que vê com o que é visto, você não consegue olhar a coisa de fora e ter discernimento. E discernimento é um dos objetivos do yoga.

Isso não quer dizer que união esteja errado. Existem textos clássicos que dizem isso com todas as letras. O problema é que virou estereótipo, e estereótipo deixa tudo mais raso.

E tem outro ponto que eu acho fundamental.

Na Bhagavadgītā, Arjuna pergunta a Kṛṣṇa qual caminho é melhor: se isolar e f**ar sozinho meditando, ou ir pra ação. Kṛṣṇa responde que os dois levam na mesma direção, mas que pro Arjuna é melhor a ação.

Arjuna é um guerreiro. Ele está na vida. Então pra ele é adequado ir pra ação. Talvez, se a Gītā fosse um diálogo com um monge, a orientação fosse outra.

Existem caminhos diferentes pra pessoas diferentes. O yoga não é uma coisa só.

Quando você resume a palavra a um conceito, você não diminui só a palavra. Você diz que existe um yoga certo, como se os outros fossem errados.

Não existe um yoga que é certo. Existe um yoga pra cada um.

Sentiu o sentido?

Me conta aqui qual signif**ado de yoga você conhecia.

E lembra que yoga também é, antes de tudo, cuidado.

17/09/2026

Certif**ado não atesta que você sabe fazer. Atesta que você esteve lá.

Chegou aqui: “polêmica, certif**ação realmente importa?”

Importa. A pergunta é pra quem.

Porque o certif**ado atesta que você viu um número X de horas. Isso não é pouco, mas é outra coisa. Entender uma coisa na aula é radicalmente diferente de ter vivido e aprendido com aquilo na sua vida.

E olha, eu vendo uma formação que tem certif**ado. Mas eu tô deixando claro que não é o certif**ado que te dá experiência. Não dá pra certif**ar a experiência de ninguém.

A gente vive numa cultura do resultado. A gente aprende desde criança que o diploma importa: vai pro colégio e precisa da nota, sai do colégio e precisa do diploma pra apresentar na faculdade, sai da faculdade e precisa do diploma pra apresentar no trabalho. Então não é defeito seu, nem do yoga, nem do certif**ado. É a forma como a nossa sociedade se estrutura.

E tem outro ponto: um monte de lugar pede esse certif**ado pra contratar. Normalmente pessoas que estão começando na carreira e ainda não têm reconhecimento profissional. Isso é legítimo. O lugar quer saber se a pessoa de fato estudou aquilo que ela se propõe a ensinar.

Então o problema não é o papel.

O problema é o que aquele papel faz com a pessoa. Porque muitas vezes ela acha que está pronta pra dar aula porque tem o certif**ado. E às vezes não está. Você ter estudado duzentas horas não quer dizer que você aplicou aquilo na vida a ponto de virar verdade. Ainda é só informação.

E no yoga a gente não transmite só informação.

O professor de yoga a gente chama de ācārya. E a palavra ācāra signif**a conduta. O professor de yoga é aquele que ensina pela conduta: ele ensina a partir da aplicação do conteúdo na própria vida, pelo exemplo, pela forma como ele lida com a vida.

Então, antes de trocar de carreira, você precisa aplicar aquilo na sua vida profundamente.

Meu professor sempre falava: não aplica isso ainda, não é pra ensinar pros seus alunos. É pra isso ser verdade pra você antes.

Me conta aqui: como é a sua relação com certif**ação?

E lembra que Yoga é, antes de tudo, cuidado.

16/09/2026

O assento se chama āsana.

Nesse momento, a minha cadeira é o meu assento. O seu tapete é assento. Ou seja: āsana é o lugar onde você senta, não só a postura que você faz em cima dele.

E quando a Bhagavadgītā descreve como se senta para meditar, ela descreve o assento. Ela pede que ele seja firme, e nem muito alto, nem muito baixo.

Repara no que isso quer dizer.

Baixo demais é complicado pro quadril. Até os indianos falam isso. E hoje tem essa moda de que todo mundo deveria sentar no chão, em lótus, e aí a pessoa que nunca sentou no chão na vida chega numa prática e botam ela pra sentar no chão como se todo mundo sempre tivesse sentado assim.

Muito baixo é ruim pro quadril e é ruim pro ventre. O ventre f**a apertado, o quadril f**a dolorido, e dói o joelho. E alto demais dá instabilidade: você senta alto demais e f**a meio bambo.

Agora olha o que o texto não diz. Ele não fala de padmāsana, não fala de perna cruzada, não fala de lótus. Não fala nada disso. A única coisa que ele descreve é a linha: cabeça, pescoço e tronco.

Então pode ser uma cadeira, dependendo da pessoa. Desde que não seja muito alta, nem muito baixa, e que seja firme.

Eu fiz essa investigação na minha prática hoje de manhã. Eleva um pouquinho o assento, e olha como o ventre ganha liberdade. Olha como a cintura ganha liberdade. Eleva mais. Aqui passou do ponto. Aqui é baixo demais. Aqui é alto demais.

E você vai ver que não é nem no chão o ideal, nem sentado alto demais. Tem um lugar ali que vai ser adequado pro seu corpo hoje.

E isso muda.

Então não acha que você tem que sentar no chão. Senta onde for melhor pra você.

Trecho da nossa aula de Bhagavadgītā, capítulo 6.

Me conta aqui: quanto tempo você aguenta sentado no chão antes de alguma coisa começar a doer?

E lembra que Yoga é, antes de tudo, cuidado. Se quiser, compartilha esse vídeo e me segue pra mais.

15/09/2026

“Por que eu não consigo desligar a cabeça antes de dormir?”

Ninguém desliga a cabeça. Ela não tem botão.

E é aí que começa o problema. Se alguém te vende uma técnica pra desligar a sua cabeça antes de dormir, essa pessoa tá te vendendo um interruptor pra uma coisa que não tem interruptor.

A mente muda de estado devagar. E isso começa horas antes de você deitar.

Então repara no que você traz pro momento da sua noite. Lá pelas seis da tarde: o que você tá vendo? Com quem você tá conversando, e sobre o quê? O que você tá comendo?

Se você chega na cama depois de duas horas de tela, ou depois de uma discussão pesada, ou depois de uma comida difícil de digerir, não é a sua mente que não tá desligando. É você que tá pedindo pra ela f**ar acordada.

E isso não é dica de bem-estar. Isso a gente pode interpretar dos niyamas, que são hábitos que a gente cultiva justamente pra manter a mente mais cuidada.

Aí você me pergunta: o que eu faço? E eu vou te decepcionar um pouco, porque tem coisa que eu sei e tem coisa que eu não sei. Tem um fator aqui que é muito individual.

Tem gente que chega em casa com energia sobrando, e talvez precise gastar um pouco antes de deitar. E tem gente que chega exausta de um dia intenso, e aí não é sobre gastar energia, é sobre cuidado. Uma pessoa vai precisar de uma prática mais ativa, outra de uma mais relaxante. Uma precisa de um tipo de alimentação, outra de outro.

Mas claro que tem coisa que a gente sabe. Cultivar exalações mais longas e mais pesadas, com a inspiração bem suave, sem forçar. Diminuir as telas com mais antecedência, trocar o telefone ou a série por um livro. Ter papos mais tranquilos, e não f**ar falando à noite sobre o que mexe profundamente com você.

Mas fora isso, entra o que o yoga pede de mais importante: uma investigação honesta dos seus padrões.

Me conta aqui, como é que é a sua rotina de sono?

Lembra que Yoga é, antes de tudo, cuidado. Se quiser, compartilha esse vídeo e me segue pra mais.

14/09/2026

Eu consigo medir o cortisol que as minhas glândulas soltam quando eu tô abraçando a Bruna. Consigo mesmo.

Agora, o fato de eu medir esse número faz com que essa equação seja a minha experiência? A experiência está codif**ada naquela equação?

Não está. O amor não é metrificável.

A ciência não explica tudo. A ciência explica só o que pode ser verif**ado, metrif**ado e replicado. É isso que ela estuda, e ponto.

E isso de maneira nenhuma é uma crítica à ciência, pelo contrário. É compreender que tem certas coisas que ela não ocupa. Tem certos lugares onde ela não chega.

Repara na diferença. A ciência estuda o que é perene, o que se mantém, o que se prova e se reproduz. O yoga estuda o que está, compreendendo que vai mudar. O yoga quer que você estude e observe como você está, pra que você mude.

E tem outra diferença: a gente aprende com a dúvida.

A ciência não aprende com a dúvida. A dúvida motiva a ciência, mas ela não aceita a dúvida como conhecimento real sobre o presente. O yoga aceita.

A dúvida é uma verdade agora sua.

E o grande objetivo do yoga é trazer reflexões pra que você possa desfrutar da sua subjetividade. Que é única. Que não é replicável. Que nunca mais vai acontecer igual, nunca mais.

E pra que você aprenda mais sobre você e sobre a sua interação com o entorno.

Trecho de um dos nossos satsaṅgas, esse sobre yoga e ciência.

E hoje tem satsaṅga novo, ao vivo às seis da tarde, no canal. Aula aberta, é de graça e qualquer pessoa pode entrar.

Comenta aqui CANAL que a gente te manda o link, e eu te vejo hoje.

E lembra que Yoga é, antes de tudo, cuidado.

13/09/2026

A indústria transformou o āsana em ginástica. A função original dele
é outra: regulação fisiológica.

E isso muda a pergunta que você faz antes de praticar.

Se a sua mente tá a mil por hora e você vai fazer abertura de peito
intensa, você pode estar agravando exatamente o que já tá em excesso.
Mais ar, mais fogo, mais dispersão. Dia agitado pede flexão pra frente,
que apazigua, aterra e relaxa.

Postura não se escolhe pela que é bonita. Nem pela que você gosta de
fazer. Se escolhe pela que você precisa hoje.

Vou lançar o Raiz do Yoga, curso gratuito, com as bases pra você
entender o seu corpo por essa perspectiva.

Comenta aqui embaixo com a palavra RAIZ que eu te explico como participar.

Yoga é, antes de tudo, cuidado.

12/09/2026

“Controle da respiração.” “Controle dos movimentos da mente.”

A palavra controle aparece tanto dentro do Yoga que quase ninguém
para pra perguntar quem, exatamente, estaria no controle.

Eu gosto de pensar num controle remoto. A gente acha que tá com ele
na mão. Mas pelo que o Yoga entende, você não tá com o controle na
mão: você é o controle. E olhando de perto, você não é nem o controle.
Você é a pilha dentro dele.

A pilha não aperta botão nenhum. Quem aperta é o que chega: o que você
vê, o que você ouve, o que alguém te falou. Você não escolhe qual botão
vai ser apertado. Ele é apertado.

O que você escolhe é pra onde olhar depois. Se você olha pro intelecto,
que tá fazendo análise, projeção e expectativa, você aprende uma coisa.
Se você olha pro peito, o mesmo estímulo te mostra outra.

Não é controlar a mente. Se você controlasse a mente, ela parava de
funcionar. É treinar o observador pra olhar pra outro lugar.

Me conta aqui: num conflito, pra onde você costuma olhar primeiro?

Lembra que Yoga é, antes de tudo, cuidado.

11/09/2026

O que você chama de meditação, o Yoga chama de āsana.

Vou te explicar.

Quando os textos clássicos descrevem āsana, eles descrevem, na maioria das vezes, uma postura sentada. Uma postura em que você estabiliza o corpo, estabiliza a respiração, e a mente vai junto.

Repara que é exatamente isso que hoje a gente chama de meditar.

Então tudo aquilo que se atribui à meditação, acalmar o sistema nervoso, regular a respiração, diminuir a oscilação da mente, pela perspectiva do Yoga é benefício de āsana.

E meditação, dhyāna, não é essa estabilidade. É o que brota dela, depois de muito tempo de prática, sem interrupção. A estabilidade é a condição. O dhyāna é o que acontece quando ela se sustenta por tempo suficiente.

Com o tempo a gente desenvolveu outras formas de fazer āsana. E isso é bom. Nem todo corpo cabe na mesma postura sentada.

E a qualidade meditativa não está na forma do corpo. Dá pra estar num cachorro olhando pra baixo com mais qualidade meditativa do que alguém sentado em lótus. Não depende da postura, depende de como você está.

Mas tem uma coisa que a postura sentada oferece e que a gente vem perdendo: tempo de permanência.

Ninguém conhece uma pessoa passando cinco minutos com ela. É f**ando que você descobre alguma coisa. Com o corpo é igual.

Vou te contar uma coisa. As práticas que mais me ensinaram não foram as práticas que eu mais gostei. Foram aquelas em que eu permaneci mais. Porque permanecendo eu tive tempo de ir fundo.

A prática de hoje troca permanência por fluidez, e eu entendo por quê. A gente vive sentado, o corpo pede movimento, e colocar esse corpo pra se mexer com fluidez é importante mesmo. Só que quando você tira toda a permanência, você tira junto o que o āsana tinha de meditativo.

Então, se você quer trazer meditação pra sua prática, não precisa sentar de pernas cruzadas. Escolhe menos posturas e f**a mais tempo em cada uma.

Me conta aqui: qual foi a prática que mais te ensinou? Aposto que não foi a que você mais gostava.

E lembra que Yoga é, antes de tudo, cuidado.

Endereço

Avenida Gastão Senges 55, 1901
Rio De Janeiro, RJ
22631280

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