02/03/2023
🙏🌅🏢🏬 GEOGRAFIA MARIANA!
O espaço é uma das nuances da existência humana.
Entender e conhecer a existente em nosso continente latino-americano e caribenho é entrar em contato com instituições, monumentos, patrimônios, expressões artísticas, vestígios históricos, microeconomias, enfim, é conhecer a intimidade da América Latina e Caribe.
Na série vamos entrar em contato com essas expressões dos cultos e devoções a Nossa Senhora no continente. Hoje, destacamos o Santuário de Nossa Senhora dos Anjos na cidade de Cartago na Costa Rica.
Uma das Marias de Nossa Mãe, Nossa Senhora dos Anjos, conhecida também entre os costarriquenhos como a Virgem Morena, tem sua narrativa espiritual ligada ao século XVII na região colonial do Povoado dos Pardos (atual cidade de Cartago) e à jovem menina pobre chamada Joana Pereira. Mais uma história ligada às padroeiras das Américas no qual encontramos uma personagem principal ligada à narrativa das camadas populares, algo recorrente entre as padroeiras do continente e de muitas aparições marianas nas Américas e em outros continentes.
Ainda no período colonial, em 1639 se construiu a primeira igreja em louvor à Virgem Morena marcando o espaço como um dos pontos marianos de referência da região. Com o aumento da devoção popular, resolveram os fiéis, em 1674, ainda no século XVII, edificar um tempo maior e mais suntuoso. Em 1822, porém, um terremoto de magnitude significativa arrasou o templo. Dois anos depois, iniciou-se a edificação de um terceiro, o qual foi também destroçado em 1910 por outro tremor de terra. Finalmente, em 1912 teve início a construção do atual Santuário Nacional, com estruturas reforçadas para os abalos sísmicos. No dia 26 de julho de 1935, o Papa Pio XI lhe outorgou o título de Basílica Menor. Sua festa reúne peregrinos de vem de todas as partes do país e de países vizinhos do continente movimentando o turismo e a economia local.
Deixamos um trecho dos antropólogos Renata Menezes e Lucas Bártolo do Museu Nacional (UFRJ), em artigo no qual refletem sobre as relações entre o sagrado e profano no Carnaval das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, no qual propõe uma visão sobre os cultos aos santos que podemos estender, com suas especificidades é claro, para às devoções e práticas religiosas marianas.
Afinal, se debruçar sobre estas histórias, espaços, práticas, representações e narrativas é, ao mesmo tempo, se dedicar à questões objetivas, econômicas, sociais e legais que nos cercam a todo tempo. Conhecer as histórias marianas das Américas é se tornar mais próximo das histórias da formação das nossas sociedades.
"A ênfase no culto aos santos tal como vivido e praticado - o que seria, a nosso ver, uma posição extensível ao estudo da religião de um modo geral -, levou-nos a considerar, para além das nuances e complexidades das formas de reciprocidade, outros aspectos das práticas devocionais, como as ontologias nativas acerca da santidade e o entrelaçamento entre a vida do santo e a do devoto, permitindo o estabelecimento de jogos de interação e produção de identidades, subjetividades e coletividades a partir de diferentes ângulos. Para tanto, passamos a prestar atenção também às formas nas quais essas relações se materializam, em objetos ou coisas, os quais não são apenas coadjuvantes, mas integrantes dessas relações e possuem, eles próprios, sua vida social."
(MENEZES, Renata; BÁRTOLO, Lucas. Quando Devoção e Carnaval se Encontram. IN: Revista de Antropologia e Arte, UNICAMP, JAN-JUN, 2019, p. 99)
Boa noite, até mais, continuem acompanhando nossos trabalhos nas redes sociais e nossas produções acadêmicas e audiovisuais.
Salve as Marias de Nossa Mãe!
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