29/08/2020
Reposted from .santos_ Quando eu comecei na Martins eu tinha muitas crenças - equivocadas - de como se fazia teatro, sabe. Você juntou todas em um saquinho e pediu a sua assistente para jogar fora. Rosângela, uma querida. Eu confesso que me questionei milhões de vezes por que a gente fazia tantos sistemas, mas eu nunca me atrasei, nunca faltei. Nunca. O copinho de açaí em uma mão e o caderninho de anotações na outra. Cismei que você era canhoto, será? Vou perguntar pra Sala de Espelhos, ela vai lembrar.
Eu não sei te dizer com precisão, mas eu pensei em desistir pelo menos um milhão de vezes. Inclusive de me formar. Quando eu te procurei em março você contou que estaria de licença até agosto. Mas eu não aquietei até você dizer que ia participar do nosso processo. Desculpa se eu te enchi o s**o, mas "todo mundo te ama e te quer ahahahah, só vem!" e era verdade. Afinal, foram três etapas juntos, só a minha turma sabe como é bater pés e mãos com precisão cirúrgica, aceitem.
O seu nome estava no meu altar, aos pés de Omulu, eu pedi pra ele cuidar de você. Eu estava relendo nossas conversas quando fiquei sabendo que você tinha partido. E eu chorei. Pra ca***ho. Nossa. Você prometeu que ia participar do processo. Que ia estar comigo. Como é que você faz isso? Perdoa meu egoísmo.
Eu não tenho foto da gente, nem vídeo, eu só guardei as sementes que você me deu. Prometo que vou florescer.
Obrigada por tudo Mário.