05/08/2026
Uma decisão judicial histórica traz esperança de justica e reparação às vítimas da ditadura militar no Brasil. Depois de 50 anos da denúncia formalizada, finalmente a Justiça Federal condenou o ex-sargento do Exército Antônio Waneir Pinheiro de Lima, o “Camarão”, pelos crimes de cárcere privado qualificado e estupro cometidos contra a historiadora e militante política Inês Etienne Romeu em 1971, na Casa da Morte, centro clandestino de tortura e execuções, mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em Petrópolis (RJ).
Única sobrevivente da Casa Morte, Inês Etienne Romeu lidou com as sequelas do que sofreu nos porões da Casa da Morte mas nunca desistiu de buscar justiça. Lamentavelmente ela faleceu em 2015, sem conhecer o resultado do longo processo, a partir da denúncia oferecida pelo Ministério Público contra o militar. Durante todos esses anos, a única sobrevivente das atrocidades cometidas em Petrópolis naqueles anos de chumbo ajudou o Ministério Público e a Comissão Nacional da Verdade no levantamento de, pelo menos, 22 nomes de pessoas desaparecidas que teriam sofrido torturas no local, entre elas o jovem presbiteriano Ivan Motta Dias.
A pena aplicada ao ex-sargento, torturador e estuprador, foi fixada em 12 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além da significativa perda do cargo público militar. A sentença também reconheceu o crime de estupro, cometido durante a ditadura, como um crime contra a humanidade, portanto, imprescritível e não passível de aplicação da Lei de Anistia.
MEMORIA É UTOPIA!