16/01/2026
Dois casos meus pediram alta no final do ano pelo fato de que o aluno está grande (mais de 16 anos), entraram num efeito platô, não há mais avanços, não há mais vontade e também não há mais energia. Nem deles, nem da família.
O sempre falou sobre os Autistas com Deficiência Intelectual grandes e graves que ninguém quer tratar ou não sabem tratar, ou chega numa fase que o tratamento para. É... esse momento chegou na minha trajetória, e é um marco triste, é um choque pq vai contra a literatura mas vai de encontro a realidade 😔
Ocorre que, tanto esses meus dois alunos como todos os demais que eu conheço, nenhum deles teve tratamento correto na idade certa e daí chega um tempo que todo mundo cansa 😥 porque tá todo mundo exausto.
Você vê clínicas e centros de intervenção precoce abrindo todos os dias no Brasil, mas vc não vê lugares abrindo para ensinar habilidades básicas para jovens e até adultos. Parece que os Autistas depois dos 13, 14 anos de idade ficam abandonados à própria sorte, nada mais dá resultado, se dá é pouco, e tudo vai ficando mais difícil e muito mais caro. Muito caro...
Eu fiquei muito triste por ter que atender o pedido dessas famílias de encerrar os atendimentos, e isso não é sobre perder cliente, é mto mais profundo que isso, é um vinculo que se quebra, é menos uma pessoa (das poucas) POR esses jovens. Jovens que já foram abandonados pelo sistema (pq nunca receberam um tratamento do sistema SUS), pela escola (pq não tem plano de ensino adaptado e estão lá para ter um lugar para ficar e não para aprender), a família não abandonou mas... cansou.
E quando eles tiverem 20 anos?
30 anos?
40 anos?
Esse assunto tem muitas camadas...
Mas... Uma coisa me deixa tranquila:
Eu nunca abandonei nenhum caso, nunca dei uma alta pq o caso era difícil, sempre briguei junto, andei junto, ri, chorei, venci TODAS as guerras que eu travei por eles e fiz muito mais que o meu trabalho, sempre.
Mas... eu fui até onde deu e agora precisei parar.