13/08/2026
Teve um momento recente que me marcou muito no trabalho com orientação acadêmica.
Uma cliente me procurou inicialmente para algo bem específico: orientação para o projeto de mestrado, porque ela iria se inscrever no processo seletivo. Organizamos tudo com cuidado, tema, delimitação, objetivos, metodologia, adequação às exigências do edital. Tecnicamente, estava tudo no caminho certo.
Mas, no meio do processo, a vida pesou.
Pressões pessoais, problemas cotidianos, cansaço acumulado… e aquilo que para muitos é “só escrever”, para ela se tornou um bloqueio enorme. Ela simplesmente não conseguia escrever.
Em determinado momento, ela me disse que estava pensando em desistir.
Foi ali que ficou claro algo que eu vejo com muita frequência: o problema quase nunca é falta de capacidade intelectual, é excesso de pressão. Quando o emocional aperta, a escrita trava, a confiança some e o sonho começa a parecer distante demais.
Expliquei a ela que o meu trabalho não é apenas revisar texto ou orientar tecnicamente, mas ajudar a pessoa a sair desse lugar de sufocamento acadêmico. Disse que iria assumir a construção do projeto junto com ela, estudar o edital, preparar o material, ajudá-la a entender o que falar para a banca e também acompanhar a preparação para a prova escrita.
Ela me perguntou quanto eu cobraria a mais, já que o combinado inicial era apenas orientação e revisão textual.
Respondi com muita tranquilidade que, pela história que ela tinha comigo, pela confiança construída ao longo dos anos e pelo momento difícil que estava vivendo, eu faria isso como um apoio a mais, sem custo adicional. Um cuidado, não um serviço extra.
Mesmo assim, quando finalizamos, ela insistiu em me pagar um valor simbólico a mais, não porque eu cobrei, mas porque ela reconheceu o valor do cuidado envolvido.
Esse tipo de experiência reafirma algo que carrego comigo:
orientação acadêmica não é só sobre normas, método e escrita. É sobre gente. É sobre sustentar alguém enquanto ela atravessa um processo que, sozinho, estava pesado demais.
É assim que eu escolho trabalhar.