21/08/2026
📌 A gestão começa na escuta
Gestores costumam ser cobrados pelas respostas. Mas talvez as melhores lideranças sejam reconhecidas pelas perguntas que aprenderam a fazer. O que está acontecendo aqui? O que ainda não estou conseguindo enxergar? De que vocês precisam? O que podemos construir juntos? Antes de decidir, escutar. Antes de corrigir, compreender. Antes de propor uma solução, conhecer o problema.
Paulo Freire nos lembra que escutar é muito mais do que simplesmente permitir que o outro fale. A verdadeira escuta exige abertura para reconhecer que existe algo que ainda podemos aprender. E isso muda a gestão. Porque uma escola não cabe em uma planilha. Os indicadores mostram muito. Mas não mostram tudo.
Há informações que aparecem apenas nas conversas. Nos corredores. Nas reuniões. Na sala dos professores. Na fala de uma família. Na percepção de um estudante.
Edgar Schein destaca a importância da humildade na investigação: em vez de presumir que já conhecemos as respostas, precisamos desenvolver a capacidade de perguntar genuinamente.
Carl Rogers também colocou a escuta no centro das relações humanas. Escutar verdadeiramente signif**a tentar compreender o mundo a partir da perspectiva do outro. Isso não signif**a concordar com tudo. Nem transformar toda opinião em decisão. Escutar não elimina a responsabilidade de liderar. Qualif**a-a.
Michael Fullan mostra que mudanças educacionais consistentes dependem de confiança, participação e construção coletiva. E confiança não nasce de comunicados. Nasce de relações.
Talvez, por isso, uma liderança que apenas fala consiga transmitir muitas informações. Mas uma liderança que escuta consegue descobrir aquilo que nenhum relatório seria capaz de contar. Porque, antes de transformar uma escola, é preciso compreendê-la. E compreender começa por uma atitude aparentemente simples: sentar. perguntar. escutar.
Curadoria | Prof. Vagner Lima
Ideias, autores e perguntas para pensar a educação além do óbvio.