27/07/2026
E se a solidão não fosse apenas um sentimento desagradável, mas também um sinal?
Do ponto de vista evolucionista, a solidão pode ser compreendida como uma espécie de “alarme social”. Ao longo da história humana, permanecer conectado ao grupo esteve relacionado à proteção, cooperação, cuidado e acesso a recursos. Assim, perceber-se desconectado poderia funcionar como um sinal aversivo que nos impulsiona a buscar reconexão.
Mas existe um paradoxo: quando esse alarme permanece ativado, podemos f**ar mais atentos a possíveis sinais de rejeição, ameaça ou instabilidade nas relações. A cautela que inicialmente deveria nos proteger pode favorecer o retraimento — e, com menos oportunidades de experiências sociais positivas, a sensação de solidão pode se manter.
E há outro ponto importante: solidão não é sinônimo de estar sozinho. Podemos estar cercados de pessoas e ainda nos sentirmos profundamente desconectados.
Isso acontece porque conexão social não diz respeito apenas à quantidade de contatos. Envolve também segurança, confiança, reciprocidade e qualidade dos vínculos.
Talvez, então, diante da solidão, a pergunta não seja somente “como posso ter mais pessoas por perto?”, mas:
“Que tipo de conexão está fazendo falta para mim?”
Baseado no livro: Solidão : impactos na saúde e intervenções clínicas.