20/11/2020
Dia da consciência negra - 20 de novembro
Nesse dia importante de vozes prontas para serem ouvidas, uma ecoa estrondosa, vibrante: Ruth de Souza. Falar de Ruth não é fala fácil; dona de si e de uma carreira extensa, Ruth saiu do subúrbio carioca rumo a premiações internacionais, como o festival de Veneza, em 1954.
Nascida e criada no Rio de Janeiro, morando em uma fazenda em Minas Gerais por pouco tempo após seu pai falecer, Ruth desde cedo percebeu que, para realizar seus sonhos, teria que travar algumas batalhas a mais. Ainda menina já se dizia artista e que viveria de sua arte, dom que dizia sua mãe ter lhe concedido com "sensibilidade muito grande, gostava muito de música".
Aos 24 anos, conhece o Teatro Experimental do Negro (1944), fundado pelo Abdias do Nascimento e amigos, e lá Ruth decola. Após alguns poucos meses de ensaio, em 1945, ela e o elenco do TEN sobem no Teatro Municipal do Rio de Janeiro estreando a cena do teatro dramático negro no Brasil com a peça "O Imperador Jones", do premiado diretor norte americano Eugene O'Neill (1920).
Logo Ruth é convidada pra estrelar novas frentes de arte no Brasil: o cinema e a telenovela. "Sinhá Moça", filme dirigido pelo diretor argentino Tom Payne e baseado no romance de Maria Dezonne Pacheco Fernandes, lhe redeu indicação ao prêmio Leão de Ouro de melhor atriz no festival internacional de cinema de Veneza, sendo a primeira atriz brasileira indicada a um prêmio internacional.
Ruth também ganhou bolsas de estudos, em 1948, pela Fundação Rockfeller, dos Estados Unidos, estudando na Universidade Howard e na Academia Nacional do Teatro. Em 2017, recebeu prêmio Dandara de valorização da mulher negra no Rio de Janeiro pela ALERJ;
Faleceu aos 98 anos, vítima de pneumonia grave.
É pela memória de Ruth e de tantas o dia de hoje.
É também pelo fim do memoricídio de nossas histórias.
Fonte: documentário "Ruth de Souza - a Sacerdotisa da Dramaturgia", do diretores Rodrigo Felha e Luiz Antônio Pilar: https://www.youtube.com/watch?v=yrNSjnzA5yI