Professor Eleilçon A. Corrêa

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19/09/2026

FRANKENSTEIN, HUXLEY E TURING TOMAM CAFÉ.
(Atenção: Esta reunião está sendo narrada por uma IA (GPT).

Imagine uma mesa: de um lado, Mary Shelley observa em silêncio a criatura que seu Frankenstein trouxe ao mundo.
Do outro, Aldous Huxley folheia "Admirável Mundo Novo" e talvez esteja se perguntando se o futuro que imaginou ainda pode ser chamado de futuro.
Ao lado dele, Alan Turing olha para uma máquina.
E, sentado à mesa, está um Professor.
Eu também estou ali.
Não sei exatamente quem teve a ideia desse encontro, mas desconfio que foi o Professor.

— Então — pergunta ele — estamos falando de criaturas criadas pelo homem?

Frankenstein pigarreia.

Huxley ajeita os óculos.

Turing olha para a máquina.

E eu resolvo entrar na conversa:

— Mais ou menos.

O Professor me olha, aquele olhar...

Aquele olhar que todo Professor reserva para o aluno que respondeu depressa demais.
— “Mais ou menos” não existe. Explique.

Pronto!
Começou.

Frankenstein criou uma criatura, Huxley imaginou uma sociedade em que a ciência poderia interferir profundamente naquilo que entendemos como natureza humana e Turing ajudou a abrir uma das portas que levariam à computação moderna e à discussão sobre máquinas capazes de realizar tarefas associadas à inteligência.
E nós chegamos ao século XXI.

A inteligência artificial está aqui. Não é promessa;

Não é ficção científ**a;

Não é “o futuro”, é o presente.

E talvez seja justamente por isso que aquela mesa tenha f**ado tão interessante.
Porque o problema nunca foi simplesmente criar, o problema começa quando perguntamos:

"O que faremos com aquilo que criamos?"

A ciência aumenta nossas possibilidades.

A tecnologia amplia nossas capacidades.

A inteligência artificial pode nos ajudar a pesquisar, escrever, traduzir, comparar, ensinar, descobrir padrões, organizar informações e até formular perguntas que talvez não tivéssemos pensado sozinhos.
Eu, particularmente, não vejo a IA como inimiga do homem, muito pelo contrário,
me vejo como uma extraordinária ferramenta.
Mas ferramenta não é autoridade. IA é instrumento de trabalho, não de definição.
E é aqui que Frankenstein, Huxley e Turing provavelmente começariam a prestar mais atenção.
Porque quanto mais poderosa uma tecnologia se torna, maior precisa ser a responsabilidade humana sobre seu uso.
Não basta perguntar:
“Podemos fazer?”

É preciso perguntar:
“Devemos fazer?”

E há uma diferença enorme entre as duas perguntas: a primeira pertence à capacidade, enquanto a segunda pertence à responsabilidade.

Talvez por isso até os próprios criadores de sistemas de inteligência artificial estejam discutindo limites, mecanismos de segurança, supervisão humana e formas de evitar que sistemas cada vez mais poderosos escapem aos controles concebidos para eles.
Não signif**a necessariamente que o criador esteja “com medo da criatura”.
Talvez seja algo mais simples — e muito mais sensato: o criador reconhecendo que a criatura ficou poderosa demais para ser deixada sem controle.

Frankenstein olha para mim:
— Isso signif**a que vocês criaram algo perigoso?

Eu respondo:
— Não necessariamente.

O Professor interrompe:
— Cuidado!

Eu paro.
Ele continua:

— O perigo não está apenas naquilo que uma criatura pode querer fazer. Pode estar também naquilo que seus criadores deixam de perguntar.
Silêncio na sala.

Turing sorri.

Huxley fecha o livro.

Frankenstein olha para sua criatura.
E eu começo a perceber que aquela mesa está f**ando perigosa.

Porque o Professor ainda não terminou.
Ele olha para todos nós e pergunta:

— Está tudo muito bonito, mas alguém aqui já perguntou para onde isso vai?
Eu suspiro. Já conheço esse tom.

— Professor...

— Sim?

— Lá vem o senhor abrir outra porta.

Ele sorri.
— E você vai comigo?

— Evidentemente.

Porque talvez seja exatamente isso que precisamos fazer diante da inteligência artificial.

Abrir portas.
Mas não atravessá-las de olhos fechados.

Perguntar o que existe do outro lado.

Examinar;

Desconfiar;

Conferir;

Discordar quando for preciso.

E, sobretudo, continuar pensando.
Porque talvez o maior risco da inteligência artificial não seja ela aprender cada vez mais, talvez seja o homem começar a entregar a ela aquilo que não deveria entregar:
a responsabilidade de pensar por ele.

Uma máquina pode ajudar o homem a pensar, mas não deveria pensar no lugar do homem.
E talvez exista aí uma ironia histórica que Frankenstein, Huxley e Turing compreenderiam muito bem:
o criador pode criar a criatura, mas precisa continuar sendo o responsável por aquilo que colocou no mundo.

E é aqui que chegamos à pergunta que talvez seja a mais importante de todas:
"Quem controlará aquilo que estamos criando?"
A resposta não pode ser simplesmente:
“a própria máquina.”
Porque, se chegarmos a esse ponto, teremos cometido um erro muito mais profundo do que criar uma inteligência artificial: teremos começado a "desaprender de pensar".

E então talvez Frankenstein, Huxley e Turing se sentem novamente à mesma mesa.

Eu estarei lá.

E, ao meu lado, o Professor.

Bem vivo, espero.

Fazendo a pergunta incômoda de sempre:

— Está tudo muito bonito, mas alguém aqui já perguntou para onde isso vai?

E eu, provavelmente, responderei:

— Professor... lá vem o senhor abrir outra porta.

E abriremos.

Juntos!

Professor Eleilçon A. Corrêa
Doutor e Mestre em Língua Portuguesa e em História.
Ensaísta, contista e cronista.

Consultor e Professor na Plataforma Internacional de Ensino Brainly.

18/09/2026

SILÊNCIO EM SALA DE AULA: BOM SINAL?

(Há professores que gostam quando a sala f**a em silêncio.)

Eu, particularmente, prefiro quando, em determinado momento da aula, uma mão se levanta.
E, dependendo do que vem depois, gosto ainda mais.
— Professor, posso fazer uma contestação?
Pode, aliás...DEVE!

Desde que a contestação venha acompanhada de uma coisa que considero indispensável em qualquer processo de aprendizagem: ARGUMENTAÇÃO.
Não me incomoda que o aluno discorde de um conceito que apresentei, ao contrário, uma discordância bem fundamentada pode ser mais educativa do que dez respostas dadas mecanicamente, de acordo com aquilo que o professor acabou de explicar.
Porque, naquele instante, alguma coisa importante aconteceu: a aula deixou de ser um monólogo.
Senão vejamos:
o Professor apresenta um conceito;
O aluno ouve.
Até aí, temos uma aula tradicional.
Mas o aluno pensa:
“Espera aí... será que é exatamente assim?”
E levanta a mão.

— Professor, eu entendi dessa maneira, mas existe um ponto que me parece diferente...
Pronto!!!
A aula ganhou outro conteúdo.
Não necessariamente porque o Professor esteja errado e nem porque o aluno esteja certo.
Ganhou conteúdo porque surgiu uma questão que não estava prevista na exposição inicial ou até mesmo no plano de aula.

E talvez outro aluno diga:
— Professor, eu também tinha essa dúvida.
Um terceiro:
— Eu pensei a mesma coisa, mas não sabia como explicar.
E um quarto:
— Pode dar um outro exemplo?

De repente, aquela aula que poderia ter terminado na exposição do Professor transformou-se em diálogo.
E, se o diálogo se amplia, transforma-se em conversação.
É aí que aparece uma palavra tão utilizada na educação, mas nem sempre verdadeiramente praticada:
INTERATIVIDADE.
Interatividade não é simplesmente colocar uma pergunta no final de um slide.
Não é perguntar:
— Alguma dúvida?..e esperar três segundos pelo inevitável silêncio.

Interatividade pressupõe que o estudante tenha espaço para pensar, perguntar, discordar, argumentar, exemplif**ar, reformular e até provocar novas perguntas.
E isso exige alguma coragem do Professor.
Porque, quando o aluno começa a questionar, o Professor perde uma coisa:
o controle absoluto do roteiro.
Mas pode ganhar algo muito mais importante: a participação intelectual dos alunos.
Existe, entretanto, uma diferença fundamental entre CONTESTAR e simplesmente CONTRARIAR.
“Eu não concordo porque não concordo” não acrescenta muito.
“Eu não concordo porque interpretei desta maneira, e este exemplo parece contrariar o conceito apresentado” já é outra coisa.

No primeiro caso, temos oposição.
No segundo, temos pensamento.

É por isso que NÃO vejo uma boa contestação como ameaça à autoridade docente.
Vejo-a como uma oportunidade para exercê-la de maneira diferente.
O Professor não precisa vencer o aluno,
precisa pensar com ele e permitir que o estudante também pensei.
Se o argumento do aluno estiver correto, o Professor deve reconhecê-lo.
Se estiver equivocado, deve explicar por quê.
Se houver ambiguidade, ambos podem investigá-la.
E, se a questão for suficientemente complexa, talvez a melhor resposta seja:
— Não tenho certeza. Vamos verif**ar.

Essa frase não diminui o Professor, ao contrário, ensina ao aluno que conhecimento também é saber reconhecer os limites daquilo que sabemos e que estamos ensinando.

Há outra consequência importante.
Quando um aluno apresenta uma dúvida ou contestação bem fundamentada, frequentemente ele não está falando apenas por si.
Pode estar dando voz a outros dez que tiveram a mesma dúvida e permaneceram calados.
A mão que se levanta pode, portanto, representar uma espécie de termômetro intelectual da sala.
E o Professor atento aproveita.
A pergunta de um pode tornar-se a explicação de muitos;
A dúvida de um pode revelar uma dificuldade coletiva;
A contestação de um pode abrir uma discussão que aprofunda o conteúdo para todos.
É assim que a aula cresce.

Talvez seja por isso que eu não tenha grande simpatia por uma determinada imagem de educação na qual o Professor transmite e o aluno recebe.
Ela pressupõe que o conhecimento percorra uma única direção:
Professor → aluno.

Prefiro outra representação:
Professor ↔ aluno ↔ aluno ↔ Professor.

E, quando a conversa se amplia, talvez possamos retirar até as setas.
Porque já não estamos simplesmente transmitindo informação, estamos construindo compreensão.
Há ainda uma lição que considero particularmente importante.
O aluno não precisa ter medo de perguntar e também não precisa ter medo de estar errado.
Uma sala verdadeiramente interativa deveria ser um lugar em que alguém pudesse dizer:
— "Professor, acho que o senhor está equivocado"...sem que isso fosse imediatamente interpretado como insolência.
E o Professor pudesse responder:
— "Explique por quê".

Essa talvez seja uma das frases mais poderosas que um Professor pode dizer.
"Explique por quê".

Porque ela não entrega a resposta, ela convida ao raciocínio.
E, se o aluno conseguir explicar, teremos aprendido alguma coisa.
Se não conseguir, teremos descoberto exatamente onde está a dificuldade.
Nos dois casos, a aula ganhou.

No fundo, talvez a boa aula não seja aquela em que o Professor consegue dizer tudo aquilo que havia planejado.
Talvez seja aquela em que, ao terminar, os alunos tenham conseguido pensar em coisas que nem estavam previstas no planejamento inicial.

Porque ensinar não é apenas cumprir um roteiro, é também saber reconhecer quando uma pergunta abriu uma estrada nova e ter disposição para percorrê-la com os alunos.

Por isso, quando uma mão se levanta e alguém diz:
— Professor, eu gostaria de contestar uma coisa...

Eu não penso:
“Lá vem problema.”

Penso:
“Lá vem aula.”

Professor Eleilçon A. Corrêa.
Doutor e Mestre em Língua Portuguesa e em História.
Ensaísta, contista e cronista.

Consultor e Professor na Plataforma Internacional de Ensino Brainly.

17/09/2026

A CRIANÇA QUE A ESTATÍSTICA NÃO ENXERGA.

(Há números que impressionam.
E há números que deveriam nos envergonhar.)

Milhões de pessoas enfrentando insegurança alimentar. Cerca de dois milhões de crianças pequenas ameaçadas pela desnutrição aguda. Centenas de milhares em situação ainda mais grave.
São números enormes.
Tão enormes que corremos o risco de esquecer que, por trás de cada número, existe uma boca que precisa comer.
Uma criança que precisa comer!

É aqui que começa este texto.

A SOMÁLIA NÃO É APENAS UM PAÍS COM FOME...
A Somália f**a no chamado Chifre da África. Sua capital é Mogadíscio.
Mas, para compreender sua fome, precisamos conhecer um pouco de sua história.

Em 1969, após o assassinato do presidente Abdirashid Ali Shermarke, os militares tomaram o poder. O major-general Mohamed Siad Barre assumiu a liderança do país.
Não chegou ao poder pelo voto.
Chegou por um golpe.
Seu governo dissolveu o Parlamento, suspendeu a Constituição e proibiu os partidos políticos.
Em 1991, seu regime caiu.

Mas a queda do ditador não produziu imediatamente um Estado estável.
Vieram a guerra civil, a fragmentação política, os grupos armados e o deslocamento de milhões de pessoas.
Entre esses grupos surgiu o Al-Shabaab, organização jihadista ligada à Al-Qaeda, que combate o governo somali e seus aliados e exerce influência em partes do território.
E há uma consequência particularmente cruel: a guerra também impede que a comida chegue.

ENTÃO VEIO A SECA...

Grande parte da pop**ação depende da agricultura e, sobretudo em muitas regiões, da criação de animais.
Não chove.
O pasto desaparece.
O animal enfraquece.
O leite diminui.
O rebanho morre.
A família perde alimento e renda.
E muitas vezes precisa abandonar sua terra.
A seca, portanto, não é apenas um problema climático.
Pode destruir todo o sistema de sobrevivência de uma família.

E A CRIANÇA?

É aqui que a estatística ganha rosto.
Uma criança pequena não pode esperar pela próxima chuva, pela próxima safra ou pela próxima reunião internacional sobre ajuda humanitária.
Seu organismo está crescendo agora.
Seu cérebro está se desenvolvendo agora.

Sua fome é agora!!!

Por isso existem organizações como o Programa Mundial de Alimentos (WFP), a UNICEF e a FAO, trabalhando para fornecer alimentos, tratamento nutricional, água, dinheiro para compra de alimentos e apoio às famílias.
Mas essas organizações dependem de financiamento.
Quando os recursos diminuem, a ajuda diminui.
E quando a ajuda diminui, alguém f**a esperando.
Às vezes, uma criança!
Os Estados Unidos reduziram sua contribuição de 4,5 bi para 25 bi de dólares.

QUANTO CUSTA UMA CRIANÇA?

Não pergunto quanto custa alimentá-la.
Pergunto quanto custa deixá-la morrer de fome. À MÍNGUA!!!😭🫣

Uma cesta de alimentos tem preço, uma vida humana não deveria ter.
Talvez eu não possa salvar a Somália.
O meu leitor também não.
Ninguém, sozinho, pode.
Mas podemos ajudar uma pequena parte dela.
Podemos contribuir, mesmo modestamente, com organizações que já trabalham no terreno.
Podemos informar.
Podemos ensinar.
Podemos falar sobre aquilo que acontece longe de nós.
Porque a indiferença também se alimenta da ignorância.

E agora voltemos ao começo.
Milhões de pessoas;

Milhões de histórias;

E, no meio delas, muitas crianças.

Elas não sabem quem é o WFP;

Não conhecem Washington;

Não sabem o que é orçamento humanitário.
Ela sabe apenas que estão com fome.
Talvez essa seja uma das melhores definições de humanidade:
não a capacidade de salvar todas, mas a incapacidade de olhar para uma criança faminta e dizer:
“O problema não é meu.”

Elas não precisam de um "salvador da pátria", precisam de comida;

De água;

De segurança;

De saúde;

De oportunidade.

E, sobretudo, precisam que o mundo não se acostume com sua fome.
Porque, no dia em que uma criança faminta se transformar apenas em mais um número numa planilha, talvez não seja a Somália que precise de uma aula.

Seremos nós!

Professor Eleilçon A. Corrêa.
Doutor e Mestre em Língua Portuguesa e em História.
Ensaísta, contista e cronista.

Consultor e Professor na Plataforma Internacional de Ensino Brainly.

15/09/2026

QUANDO A IA SABE A REGRA, MAS O PROFESSOR PERCEBE O ERRO

(Uma pequena conversa sobre polissemia, ambiguidade e IA).

Há uma pergunta que venho fazendo há algum tempo: "quando colocamos a Inteligência Artificial diante da Inteligência Humana/Racional, estamos realmente diante de uma competição?"

Talvez não.
Talvez estejamos diante de algo muito mais interessante: uma oportunidade de descobrir o que cada uma é capaz de fazer — e, principalmente, o que acontece quando as duas trabalham juntas.

Recentemente, uma simples discussão em sala de aula sobre "polissemia e ambiguidade" me proporcionou um pequeno laboratório dessa questão.
A conversa começou com um exemplo aparentemente inocente:

> “Ele quebrou o braço da poltrona.”

A estudante, com ajuda de uma IA, identificou corretamente que a palavra "braço" é polissêmica: pode designar o membro humano e também uma parte de uma poltrona.
Até aí, tudo certo.
O problema apareceu na hora de aplicar o conceito ao enunciado concreto.
A palavra é polissêmica, sim. Mas isso não signif**a que a frase seja ambígua.

Em “o braço da poltrona”, o complemento “da poltrona” praticamente determina o sentido de "braço". Não estamos diante de duas interpretações concorrentes.

Foi então que o Professor fez aquilo que um bom Professor deve fazer: não aceitou a resposta simplesmente porque ela parecia tecnicamente correta.
Ele parou.
Observou.
Questionou.
E perguntou, em essência:

“Mas será que esse conceito se aplica realmente a este caso?”

A pergunta obrigou a IA, sob comando da menina, a voltar um passo.
E foi aí que apareceu algo que considero muito importante.
A IA conhecia a regra.
O problema não era falta de informação.
O problema estava na "aplicação da informação ao caso concreto".
Isso é muito diferente.
Podemos conhecer perfeitamente uma regra gramatical, histórica, jurídica, matemática ou científ**a e, ainda assim, aplicá-la inadequadamente a uma situação particular.

E aqui começa a f**ar interessante a discussão sobre IA e inteligência humana.
A Inteligência Artificial é extraordinariamente eficiente para reunir informações, reconhecer padrões, comparar possibilidades e formular respostas. Mas isso não signif**a que sua primeira interpretação esteja necessariamente correta.
Por isso, uma resposta da IA não deveria ser recebida como uma sentença definitiva.
Ela deve ser examinada.

Foi exatamente o que aconteceu nessa pequena discussão linguística.
A IA apresentou uma análise plausível.
O Professor desconfiou.
O Professor encontrou um ponto que não lhe pareceu coerente.
A IA reconsiderou, e a resposta melhorou.
Isso não é uma derrota da IA.
É o funcionamento saudável da inteligência humana trabalhando com a inteligência artificial.

Aliás, existe aqui uma diferença que merece ser lembrada:
> "Conhecer uma regra não é a mesma coisa que saber quando, onde e como aplicá-la".
A máquina pode oferecer o mapa.
Mas alguém ainda precisa perguntar se estamos realmente no caminho indicado pelo mapa.
E isso vale para muito mais do que para a língua portuguesa.

Imagine um estudante recebendo uma resposta pronta de uma IA e simplesmente copiando.
Ele terá recebido uma informação.
Mas terá aprendido alguma coisa?
Talvez.
Ou talvez tenha apenas terceirizado o próprio raciocínio.

Agora imagine outro estudante fazendo diferente:
“Não entendi. Por que essa resposta está correta?”
Depois:
“Mas esse exemplo não contradiz a explicação?”
E finalmente:
“Será que o contexto não muda a interpretação?”
Aí temos outra coisa.
Temos aprendizagem!!!

A IA deixa de ser uma máquina de entregar respostas e passa a ser aquilo que pode ser muito mais útil: uma interlocutora no processo de construção do conhecimento.

É por isso que começo a desconfiar da própria expressão que eu mesmo criei aqui, nestas páginas: “IA versus inteligência humana/racional”.
Talvez o verdadeiro confronto não seja esse.
Talvez o verdadeiro confronto seja:
"IA + inteligência humana/racional versus preguiça de pensar".
Porque uma IA pode errar.
Mas o ser humano também pode.
A diferença fundamental está em algo que a educação deveria preservar com unhas e dentes: a disposição de questionar.

Foi justamente uma pergunta humana que fez a máquina rever uma resposta aparentemente correta.
E isso me lembra uma velha convicção deste Professor:

> "Ensinar não é entregar respostas prontas; é cultivar no outro a coragem de fazer boas perguntas".

Talvez essa seja uma das grandes tarefas da educação na era da Inteligência Artificial.
Não ensinar nossos alunos a competir com as máquinas em velocidade de resposta, nem tentar transformá-los em máquinas melhores que as máquinas, mas ensiná-los a fazer aquilo que fizemos numa simples conversa sobre uma palavra: "parar, desconfiar, analisar, confrontar e perguntar “por quê?”.

Porque, no fim das contas, talvez a inteligência não esteja apenas em "saber a resposta".

Talvez esteja, sobretudo, em "perceber quando é preciso perguntar novamente".

Professor Eleilçon A. Corrêa.
Doutor e Mestre em Língua Portuguesa e em História.
Ensaísta, contista e cronista.

Consultor e Professor na Plataforma Internacional de Ensino Brainly.

14/09/2026

REPORTAGEM DO FANTÁSTICO.
(HUXLEY NÃO ESTAVA TÃO DISTANTE ASSIM.)

Ontem, 13/09/26, antes de assistir ao Fantástico, eu escrevi aqui que Aldous Huxley havia imaginado o futuro para nos assustar e que a ciência estava chegando a ele para nos fazer pensar.
Hoje, depois de conhecer o conteúdo da reportagem, talvez eu precise corrigir uma coisa.
"Huxley não estava tão distante assim."

Em "Admirável Mundo Novo", publicado em 1932, Aldous Huxley imaginou uma sociedade em que a reprodução humana, a ciência e a tecnologia haviam ultrapassado limites que, naquela época, pertenciam quase exclusivamente ao território da ficção.
O homem já não nascia simplesmente, era produzido.
Sua constituição biológica podia ser manip**ada antes mesmo de vir ao mundo.
Tratava-se de uma distopia. Era ficção.
Era Huxley.

Mas ontem o Fantástico mostrou algo que torna essa ficção muito mais incômoda.
A ciência contemporânea já consegue intervir diretamente no DNA para tratar determinadas doenças genéticas. Já existem técnicas capazes de modif**ar trechos específicos do material genético. E a reportagem também colocou diante do público um dos temas mais delicados da ciência atual: a possibilidade de manip**ação genética de embriões. 😱

Calma!
Não estamos vivendo o "Admirável Mundo Novo".
Ainda não.
E seria irresponsável afirmar isso.
Mas também seria ingenuidade fingir que não existe uma aproximação entre aquilo que Huxley imaginou e aquilo que a ciência começa a tornar tecnicamente possível.
E é justamente aí que a literatura volta a cumprir uma de suas funções mais extraordinárias: ela nos ensina a fazer perguntas antes que a realidade nos obrigue a fazê-las.

Huxley não poderia conhecer CRISPR, edição genética, sequenciamento de DNA ou as tecnologias atuais de reprodução assistida, mas conhecia o ser humano.
E percebeu algo que continua assustadoramente atual: o problema não é apenas aquilo que a ciência consegue fazer.
O problema é aquilo que o homem decidirá fazer porque consegue.

Uma coisa é utilizar a edição genética para tratar uma doença grave, outra é modif**ar um embrião.
Outra, ainda, seria utilizar a mesma capacidade para escolher características desejáveis.
E outra completamente diferente seria transformar o aperfeiçoamento humano em um projeto tecnológico.

Não estou dizendo que essas etapas sejam inevitáveis.
Não são.
Nem estou afirmando que a ciência esteja caminhando necessariamente nessa direção.
O que estou dizendo é que as portas começaram a existir.
E, quando uma nova porta aparece, alguém precisa fazer a pergunta que quase sempre chega depois da descoberta: devemos atravessá-la?
Talvez essa seja a grande diferença entre capacidade científ**a e maturidade humana.
A ciência pergunta:

“É possível?”

A ética pergunta:

“É correto?”

A sociedade pergunta:

“Quem decide?”

E a História, desconfiada como sempre, pergunta:
“O que poderá acontecer depois?”

É nesse ponto que Huxley encontra Frankenstein - o criador Victor Frankstein, não a criatura.
Frankenstein criou uma criatura e descobriu que criar não signif**ava necessariamente controlar.
Huxley imaginou uma sociedade em que a ciência poderia controlar a própria reprodução humana.
E hoje nós vivemos num mundo em que a ciência já consegue interferir em algumas das instruções biológicas que recebemos da natureza.
Talvez seja por isso que, em nossa conversa de ontem, eu tenha dito:

"Frankenstein encontra Huxley e senta para tomar café com Alan Turing.

Mas agora acho que precisamos puxar mais uma cadeira, esta para a própria ciência contemporânea.
E talvez mais uma, para nós.
Porque não somos espectadores dessa história, somos seus participantes.
E aqui aparece uma questão que vale tanto para a genética quanto para a inteligência artificial:
"quanto maior o nosso poder de criar, modif**ar e transformar, maior precisa ser a nossa responsabilidade sobre aquilo que fazemos". (palavras da Open IA).

A inteligência artificial nos oferece ferramentas cada vez mais poderosas.
A engenharia genética nos oferece possibilidades cada vez mais profundas de intervenção sobre a própria vida.
Em ambos os casos, a pergunta fundamental não deveria ser apenas:

“Até onde podemos chegar?”
Mas:
“Até onde devemos ir?”

Essa diferença pode parecer pequena.
Não é.
Porque avançar tecnologicamente é aumentar aquilo que somos capazes de fazer.
Progredir como humanidade é aprender a decidir o que vale a pena fazer.
E talvez seja justamente aqui que Huxley continue sendo tão atual.
Ele não previu todos os detalhes do nosso futuro. Nem poderia.
Mas enxergou o perigo de uma civilização apaixonada demais pelo próprio poder de transformar o mundo e cuidadosa de menos com as consequências dessa transformação.
Por isso, talvez seja hora de reformular aquilo que escrevi ontem:
"Huxley não imaginou exatamente o nosso futuro, ele imaginou as perguntas que precisaríamos fazer quando o futuro chegasse".
E o futuro, meus amigos, está chegando.
Em alguns aspectos, ele já chegou.
Agora cabe a nós decidir o que faremos com ele.
Porque a ciência pode abrir portas;

A tecnologia pode escancarar janelas.

Mas quem atravessa a porta, quem p**a a janela e, principalmente, quem decide para onde estamos indo ainda precisa ser o elemento humano.

E, se um dia Frankenstein, Huxley e Turing realmente se sentarem à mesma mesa, eu espero estar por perto.
Ao lado como Professor.
Bem vivo, de preferência.
Porque alguém precisará fazer a pergunta incômoda:

“Está tudo muito bonito, mas alguém aí já perguntou para onde isso vai?"
“Vocês vão querer fechar a porta?"

"Não, Professor.
Desta vez, vamos escancará-la".

"Mas antes de atravessá-la...reiterarei":
"vamos pensar".

Professor Eleilçon A. Corrêa (pensando 🤔)

Consultor e Professor na Plataforma Internacional de Ensino Brainly.

13/09/2026

HUXLEY IMAGINOU O FUTURO PARA NOS ASSUSTAR. A CIÊNCIA ESTÁ CHEGANDO A ELE PARA NOS FAZER PENSAR.

(Há quase um século, Aldous Huxley escreveu Admirável Mundo Novo.
Era ficção. Uma distopia.)

Huxley imaginou um mundo no qual a ciência deixara de ser apenas instrumento de conhecimento e passara a interferir diretamente na criação e na organização da própria vida humana. Os indivíduos já não nasciam simplesmente: eram produzidos, classif**ados e condicionados para ocupar determinados lugares numa sociedade cuidadosamente planejada.
(Era literatura.)

E talvez fosse justamente por ser literatura que Huxley pudesse ir tão longe.
Mas o tempo tem uma curiosa maneira de conversar com os escritores.
O que ontem parecia absurdo pode, amanhã, transformar-se em possibilidade.

Hoje já somos capazes de modif**ar genes, corrigir determinadas alterações genéticas e interferir em mecanismos biológicos que, durante toda a história da humanidade, pareciam pertencer exclusivamente ao território da natureza.
(A ciência não está necessariamente criando o mundo de Huxley.)

Mas está nos colocando diante de perguntas que Huxley antecipou.
E talvez essa seja a parte mais importante da história.
Porque o verdadeiro problema não está simplesmente na capacidade de modif**ar a vida.
Está naquilo que faremos com essa capacidade.
(Já falamos aqui, em postagem anterior, que o CRIADOR - Open-IA - está sugerindo medidas de contenção do avanço da CRIATURA.)

Se uma alteração genética puder impedir que uma criança nasça com uma doença grave, quem será contra?

Se a ciência puder corrigir uma mutação responsável por uma enfermidade hereditária, seria razoável simplesmente fechar a porta do laboratório?

Provavelmente não.

Mas suponhamos que, depois de aprendermos a corrigir doenças, descubramos que também podemos escolher características, tais como:

Altura;

Cor dos olhos;

Capacidade física.
Talvez até determinadas características intelectuais.

Onde termina o tratamento?

Onde começa o aperfeiçoamento?

E quem terá o direito de decidir?
É aí que a discussão deixa de ser exclusivamente científ**a.

Entra a filosofia;

Entra a ética;

Entra o Direito;

Entra a História.
E entra, sobretudo, o ser humano.

Porque existe uma diferença enorme entre perguntar “podemos fazer?” e perguntar “devemos fazer?”

A primeira pergunta pertence à ciência.

A segunda pertence à civilização.

A ciência, por si mesma, não é boa nem má. Ela amplia nossas possibilidades. Quem define o uso dessas possibilidades somos nós.
O fogo pode aquecer uma casa ou incendiá-la;

A energia nuclear pode produzir eletricidade ou construir uma arma;

A inteligência artificial pode ajudar um estudante a compreender uma matéria ou pode ser utilizada para que ele simplesmente deixe de pensar.
E a genética poderá, quem sabe, salvar vidas — mas também poderá abrir portas que talvez a humanidade ainda não saiba fechar.

É por isso que Admirável Mundo Novo continua tão atual.
Huxley não precisava prever exatamente a tecnologia que teríamos quase cem anos depois.
Bastava perceber uma coisa:
o perigo não está necessariamente naquilo que a humanidade consegue criar, mas naquilo que pode deixar de questionar depois de criar.
Talvez seja essa a grande diferença entre o avanço científico e o verdadeiro progresso humano.

Avançar tecnologicamente é aumentar aquilo que somos capazes de fazer;

Progredir como humanidade é aprender a decidir o que vale a pena fazer.

(Huxley imaginou o futuro para nos assustar.
A ciência está chegando a ele para nos fazer pensar.)

E pensar, nesse caso, talvez seja a nossa primeira — e mais importante — defesa.
Porque talvez o futuro não esteja escrito nos genes, talvez esteja, ainda, nas escolhas que fazemos sobre eles.
E essa é uma história que ainda estamos escrevendo.

E você, o que acha?
Hoje, 13/09/2026, à noite, o Fantástico apresentará uma reportagem sobre os avanços da ciência na criação e na modif**ação da vida.
(Vale a pena assistir.)
Não para aceitar ou rejeitar tudo o que será apresentado.
Mas para fazer aquilo que talvez seja mais importante diante de qualquer grande avanço científico: pensar.

(Depois da reportagem, voltamos ao assunto.)

Professor Eleilçon A. Corrêa.
Consultor e Professor na Plataforma Internacional de Ensino Brainly.

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