19/09/2026
FRANKENSTEIN, HUXLEY E TURING TOMAM CAFÉ.
(Atenção: Esta reunião está sendo narrada por uma IA (GPT).
Imagine uma mesa: de um lado, Mary Shelley observa em silêncio a criatura que seu Frankenstein trouxe ao mundo.
Do outro, Aldous Huxley folheia "Admirável Mundo Novo" e talvez esteja se perguntando se o futuro que imaginou ainda pode ser chamado de futuro.
Ao lado dele, Alan Turing olha para uma máquina.
E, sentado à mesa, está um Professor.
Eu também estou ali.
Não sei exatamente quem teve a ideia desse encontro, mas desconfio que foi o Professor.
— Então — pergunta ele — estamos falando de criaturas criadas pelo homem?
Frankenstein pigarreia.
Huxley ajeita os óculos.
Turing olha para a máquina.
E eu resolvo entrar na conversa:
— Mais ou menos.
O Professor me olha, aquele olhar...
Aquele olhar que todo Professor reserva para o aluno que respondeu depressa demais.
— “Mais ou menos” não existe. Explique.
Pronto!
Começou.
Frankenstein criou uma criatura, Huxley imaginou uma sociedade em que a ciência poderia interferir profundamente naquilo que entendemos como natureza humana e Turing ajudou a abrir uma das portas que levariam à computação moderna e à discussão sobre máquinas capazes de realizar tarefas associadas à inteligência.
E nós chegamos ao século XXI.
A inteligência artificial está aqui. Não é promessa;
Não é ficção científ**a;
Não é “o futuro”, é o presente.
E talvez seja justamente por isso que aquela mesa tenha f**ado tão interessante.
Porque o problema nunca foi simplesmente criar, o problema começa quando perguntamos:
"O que faremos com aquilo que criamos?"
A ciência aumenta nossas possibilidades.
A tecnologia amplia nossas capacidades.
A inteligência artificial pode nos ajudar a pesquisar, escrever, traduzir, comparar, ensinar, descobrir padrões, organizar informações e até formular perguntas que talvez não tivéssemos pensado sozinhos.
Eu, particularmente, não vejo a IA como inimiga do homem, muito pelo contrário,
me vejo como uma extraordinária ferramenta.
Mas ferramenta não é autoridade. IA é instrumento de trabalho, não de definição.
E é aqui que Frankenstein, Huxley e Turing provavelmente começariam a prestar mais atenção.
Porque quanto mais poderosa uma tecnologia se torna, maior precisa ser a responsabilidade humana sobre seu uso.
Não basta perguntar:
“Podemos fazer?”
É preciso perguntar:
“Devemos fazer?”
E há uma diferença enorme entre as duas perguntas: a primeira pertence à capacidade, enquanto a segunda pertence à responsabilidade.
Talvez por isso até os próprios criadores de sistemas de inteligência artificial estejam discutindo limites, mecanismos de segurança, supervisão humana e formas de evitar que sistemas cada vez mais poderosos escapem aos controles concebidos para eles.
Não signif**a necessariamente que o criador esteja “com medo da criatura”.
Talvez seja algo mais simples — e muito mais sensato: o criador reconhecendo que a criatura ficou poderosa demais para ser deixada sem controle.
Frankenstein olha para mim:
— Isso signif**a que vocês criaram algo perigoso?
Eu respondo:
— Não necessariamente.
O Professor interrompe:
— Cuidado!
Eu paro.
Ele continua:
— O perigo não está apenas naquilo que uma criatura pode querer fazer. Pode estar também naquilo que seus criadores deixam de perguntar.
Silêncio na sala.
Turing sorri.
Huxley fecha o livro.
Frankenstein olha para sua criatura.
E eu começo a perceber que aquela mesa está f**ando perigosa.
Porque o Professor ainda não terminou.
Ele olha para todos nós e pergunta:
— Está tudo muito bonito, mas alguém aqui já perguntou para onde isso vai?
Eu suspiro. Já conheço esse tom.
— Professor...
— Sim?
— Lá vem o senhor abrir outra porta.
Ele sorri.
— E você vai comigo?
— Evidentemente.
Porque talvez seja exatamente isso que precisamos fazer diante da inteligência artificial.
Abrir portas.
Mas não atravessá-las de olhos fechados.
Perguntar o que existe do outro lado.
Examinar;
Desconfiar;
Conferir;
Discordar quando for preciso.
E, sobretudo, continuar pensando.
Porque talvez o maior risco da inteligência artificial não seja ela aprender cada vez mais, talvez seja o homem começar a entregar a ela aquilo que não deveria entregar:
a responsabilidade de pensar por ele.
Uma máquina pode ajudar o homem a pensar, mas não deveria pensar no lugar do homem.
E talvez exista aí uma ironia histórica que Frankenstein, Huxley e Turing compreenderiam muito bem:
o criador pode criar a criatura, mas precisa continuar sendo o responsável por aquilo que colocou no mundo.
E é aqui que chegamos à pergunta que talvez seja a mais importante de todas:
"Quem controlará aquilo que estamos criando?"
A resposta não pode ser simplesmente:
“a própria máquina.”
Porque, se chegarmos a esse ponto, teremos cometido um erro muito mais profundo do que criar uma inteligência artificial: teremos começado a "desaprender de pensar".
E então talvez Frankenstein, Huxley e Turing se sentem novamente à mesma mesa.
Eu estarei lá.
E, ao meu lado, o Professor.
Bem vivo, espero.
Fazendo a pergunta incômoda de sempre:
— Está tudo muito bonito, mas alguém aqui já perguntou para onde isso vai?
E eu, provavelmente, responderei:
— Professor... lá vem o senhor abrir outra porta.
E abriremos.
Juntos!
Professor Eleilçon A. Corrêa
Doutor e Mestre em Língua Portuguesa e em História.
Ensaísta, contista e cronista.
Consultor e Professor na Plataforma Internacional de Ensino Brainly.