19/08/2026
Atrasada, mas seguindo a trend.
No fim, “acho chique” mesmo é ter conhecimento suficiente para não precisar competir, diminuir outras áreas ou fingir certezas.
É estudar, avaliar, reconhecer limites, trabalhar em equipe e colocar o paciente no centro.
Isso, para mim, é ser uma profissional de verdade. 🤍
17/08/2026
Essa é uma questão que aparece com frequência nas supervisões: famílias questionando o pagamento de momentos que não acontecem diretamente com a criança.
Mas existe algo que precisamos compreender e ensinar às famílias:
Uma reunião com a escola é trabalho.
Uma orientação à família é trabalho.
Uma devolutiva é trabalho.
A análise dos resultados é trabalho.
A elaboração de um relatório é trabalho.
E um relatório de qualidade não é simplesmente “digitar o que aconteceu na avaliação”. Ele envolve horas de análise, interpretação, estudo, raciocínio clínico e responsabilidade técnica.
Quando você paga por uma hora de atendimento de um especialista, você não está pagando apenas pela presença física dele diante da criança.
Está pagando pelo conhecimento, pelo tempo, pela experiência e pelo trabalho que existe por trás daquela hora.
Valorizar profissionais também é compreender que nem todo trabalho clínico acontece na frente do paciente.
E isso vale para toda a equipe multidisciplinar.
15/08/2026
Quando cheguei para essa capacitação, o ambiente já dava o tom: parecia que estávamos entrando em uma nave espacial.
E achei que essa metáfora combinava perfeitamente com o que eu faria ali.
Uma capacitação também é uma viagem: sair do conhecido, experimentar, questionar e descobrir novas possibilidades na prática clínica.
E talvez seja justamente essa a melhor metáfora para uma equipe clínica:
você pode ter profissionais excelentes, mas quanto mais preparo, conhecimento compartilhado e espaço para discussão existir, mais longe essa equipe consegue chegar.
Por isso, minha proposta não foi simplesmente apresentar instrumentos.
Uma formação clínica precisa discutir quando utilizar, o que observar durante a aplicação, quais informações podem ser extraídas e, principalmente, como integrar esses dados ao restante da avaliação.
É justamente nesse espaço que o raciocínio clínico se desenvolve.
O teste produz dados. O olhar clínico ajuda a compreender esses dados.
Durante uma capacitação, muitas vezes a maior aprendizagem acontece justamente nas perguntas:
"E se acontecer isso?"
"Como você interpretaria esse resultado?"
"O que mais precisaria investigar?"
É nesse momento que conteúdo começa a virar raciocínio.
E aqui existe uma reflexão importante para gestores de clínicas.
Ter diferentes profissionais na equipe é importante.
Mas oferecer espaço, estrutura e capacitação para que esses profissionais desenvolvam todo o seu potencial é o que permite que a equipe realmente cresça.
Investir na formação da equipe não significa apenas melhorar o currículo dos profissionais.
Significa qualificar processos, ampliar possibilidades de atendimento e fortalecer a qualidade do serviço oferecido pela clínica.
É isso que busco nas minhas capacitações:
não entregar apenas conteúdo, mas compartilhar experiência clínica, provocar reflexão e transformar conhecimento em ferramentas que possam ser utilizadas na prática.
Sua clínica tem uma equipe de Psicopedagogia?
Talvez exista muito mais potencial nessa equipe do que vocês estão conseguindo explorar hoje.
Realizo capacitações personalizadas para equipes, de acordo com as demandas e objetivos da clínica.
13/08/2026
Tem gente criando medo em profissionais sobre o uso da IA na escrita de relatórios.
Mas precisamos separar as coisas.
Uma coisa é jogar resultados na IA e pedir: “faça meu relatório”.
Outra, completamente diferente, é ter domínio técnico, fazer o próprio raciocínio clínico e utilizar a IA como ferramenta para organizar ideias, aprimorar a escrita e tornar o documento mais claro e objetivo.
A IA não deve pensar pelo profissional.
Mas pode ajudar muito o profissional que sabe pensar.
O relatório continua sendo responsabilidade de quem avaliou, interpretou e assinou.
Então, não tenha medo da ferramenta.
Tenha segurança na sua prática.
A IA não substitui a supervisão.
03/08/2026
Essa é uma questão que tem me incomodado muito na prática clínica.
Em avaliações multidisciplinares, algumas vezes encontramos critérios e sinais compatíveis com TEA em crianças que já eram acompanhadas há bastante tempo por profissionais da saúde e da educação.
E esses profissionais nunca haviam sinalizado nada à família.
Não estou dizendo que todo profissional precisa ser especialista em autismo.
Mas existe uma diferença entre não ser especialista e não ter conhecimento mínimo para reconhecer sinais que merecem investigação.
Quem trabalha com clínica infantil, avaliação ou intervenção precisa conhecer os transtornos do neurodesenvolvimento.
Precisa compreender que autismo não tem uma única apresentação.
A criança pode falar, ter bom vocabulário, brincar...
E é justamente por isso que alguns casos não são tão evidentes.
Às vezes, o que falta não é necessariamente uma “característica do autismo”.
Falta olhar clínico para perceber o conjunto.
E também precisamos falar sobre o medo de se posicionar.
Medo de errar.
Medo de “rotular”.
Insegurança para conversar com a família.
Tudo isso pode fazer com que sinais importantes sejam ignorados ou minimizados.
Mas reconhecer um sinal não é diagnosticar.
Observar não é rotular.
Encaminhar não é fechar diagnóstico.
É exercer responsabilidade profissional.
Você não precisa trabalhar com autismo.
Mas, se trabalha com crianças, precisa saber reconhecê-lo.
Porque talvez a próxima criança que chegue até você não seja o “autista clássico” que você aprendeu a identificar.
E talvez seja justamente aí que esteja o seu maior desafio clínico:
conseguir enxergar aquilo que não é óbvio.
23/07/2026
Nem todo diferencial está na técnica mais avançada.
Às vezes está em escrever o nome na folha antes de começar. Em separar o material com antecedência. Em anotar o que os olhos veem além do resultado do teste.
São hábitos simples, nenhum deles está em manual nenhum. Mas foi repetindo esses pequenos detalhes, avaliação após avaliação, que eles se tornaram parte da minha rotina clínica.
Porque o básico bem feito, feito sempre, é o que sustenta um trabalho sério.
Qual desses hábitos já faz parte da sua prática? Conta aqui embaixo 👇
12/07/2026
Existe uma ideia equivocada de que uma avaliação só foi bem feita quando termina com um diagnóstico.
Na prática, é exatamente o contrário.
Uma avaliação de qualidade define o perfil cognitivo, comportamental e emocional do paciente, identifica suas potencialidades e dificuldades, direciona as intervenções necessárias e, quando preciso, estabelece um período de acompanhamento para observar a evolução dos sintomas.
Nem sempre os critérios diagnósticos estão completos naquele momento. E fechar um diagnóstico sem evidências suficientes não demonstra competência, demonstra imprudência.
O diagnóstico é importante porque pode direcionar direitos, tratamentos e acompanhamento. Mas ele precisa ser seguro.
Enquanto isso, as intervenções não precisam esperar.
É o perfil do paciente que orienta o trabalho clínico. E é esse trabalho, muito mais do que um nome no laudo, que promove desenvolvimento e qualidade de vida.
02/07/2026
Esses dois feedbacks representam muito mais do que elogios.
Eles representam aquilo em que acredito desde o início da minha trajetória: uma avaliação de qualidade nasce da união entre bons instrumentos, conhecimento técnico e raciocínio clínico.
Os te**es são indispensáveis. Eles fornecem dados objetivos, ajudam a formular hipóteses e tornam a avaliação mais consistente. Eu valorizo profundamente o uso de instrumentos padronizados e acredito que eles são parte essencial de uma boa prática clínica.
Mas os te**es, por si só, não respondem às perguntas mais importantes.
Eles mostram resultados.
É o raciocínio clínico que explica por que aquela criança apresenta determinadas dificuldades, como aqueles resultados se relacionam com sua história de desenvolvimento e quais caminhos fazem sentido para ela.
E esse raciocínio não está no manual de aplicação dos te**es.
Ele é construído com estudo, reflexão, experiência clínica e supervisão.
Foi justamente isso que aprendi ao longo de quase uma década avaliando crianças e adolescentes e acompanhando psicopedagogas em sua prática clínica.
É essa forma de pensar que compartilho nas minhas supervisões, cursos e mentorias.
Porque ensinar Psicopedagogia, para mim, nunca foi apenas ensinar a aplicar instrumentos.
É ensinar profissionais a integrar informações, formular hipóteses com segurança e construir um raciocínio clínico que transforme dados em decisões.
💚 Na sua experiência, qual é o maior desafio: escolher os instrumentos ou interpretar os resultados e transformá-los em um raciocínio clínico consistente?
01/07/2026
Parece TDAH. Mas não é.
Esse caso reforça uma reflexão importante: uma avaliação de qualidade não se resume à aplicação de instrumentos.
Os te**es são fundamentais, mas não substituem o raciocínio clínico.
É preciso conhecer profundamente os transtornos do neurodesenvolvimento, analisar a história de desenvolvimento, compreender a evolução das dificuldades, observar os padrões de erro e interpretar os resultados dentro do contexto daquela criança ou adolescente.
Transtornos diferentes podem apresentar manifestações muito semelhantes. Dificuldades na leitura, por exemplo, podem se apresentar como aparente desatenção, lentidão, dificuldade para copiar do quadro ou acompanhar a turma. Sem uma investigação cuidadosa, corre-se o risco de tratar o sintoma, sem compreender sua origem.
Uma avaliação de qualidade não existe para confirmar hipóteses.
Ela existe para responder perguntas clínicas e orientar decisões que realmente façam diferença na vida daquela criança.
É por isso que sempre digo:
Aplicar te**es é uma etapa da avaliação. Construir raciocínio clínico é o que transforma dados em decisões.
💬 Agora me conta: na sua opinião, qual é a etapa que mais gera insegurança durante uma avaliação psicopedagógica?