Cientista Social / Socióloga - Tânia Foster

Cientista Social / Socióloga - Tânia Foster

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Redefinir sociologicamente a educação como instituição histórica,
significa rediscutir as possibilidades educacionais e abrir novos caminhos de ação.

28/05/2026

“𝐌𝐄𝐔 𝐍𝐎𝐌𝐄 É 𝐀𝐆𝐍𝐄𝐓𝐀” Pode parecer que o tema de hoje “foge” do meu trabalho, da minha linha de pesquisa (porém, está nas “rodas” de conversa, dos debates…) e a conexão é mais profunda do que imaginas, visto que não deixa de ser profundamente sociológico, político e humano.🌻💛

O filme “Meu Nome é Agneta” toca justamente nessa estrutura silenciosa que durante décadas ensinou mulheres a anularem desejos, suportarem dores e confundirem controle com cuidado. E quando relacionamos isso à nossas próprias vivências, nosso olhar ganha ainda mais potência, porque não é apenas teoria, são experiências sociais de vida.

A obra, suscita reflexões importantes sobre gênero, poder e os mecanismos históricos de silenciamento feminino presentes nas relações sociais e afetivas.

Mais do que uma narrativa individual, o filme evidencia estruturas sociais que durante séculos naturalizaram a renúncia feminina em nome da manutenção da família, da estabilidade emocional e das expectativas sociais atribuídas às mulheres. Nesse sentido, a obra dialoga diretamente com discussões sociológicas acerca do patriarcado enquanto sistema de organização social e simbólica.

Ao observar a trajetória da personagem, é possível identificar aquilo que Pierre Bourdieu denominava como “violência simbólica”, em que formas sutis de dominação que operam não necessariamente pela coerção explícita, mas pela naturalização de papéis, silêncios e desigualdades. Muitas vezes, relações emocionalmente esvaziadas permanecem sendo legitimadas socialmente porque a mulher foi historicamente ensinada a suportar, adaptar-se e permanecer.

O filme também nos faz pensar sobre a permanência de traços do chamado “coronelismo” nas relações privadas, especialmente quando o afeto se mistura a dinâmicas de controle, posse e hierarquia masculina. Em diversos contextos, o amor ainda é atravessado por estruturas de poder que limitam a autonomia feminina e enfraquecem subjetividades.

Nesse cenário, romper ciclos de infelicidade deixa de ser apenas uma decisão individual e passa a representar também um movimento político e social. Afinal, durante muito tempo, às mulheres foi negado até mesmo o direito de reconhecer a própria insatisfação.

Talvez uma das maiores contribuições de obras como essa seja justamente provocar a reflexão sobre quantas mulheres viveram e vivem condicionadas a sobreviver emocionalmente, acreditando que isso era o mesmo que viver plenamente?
✊🏻🧡💛


Marcelo GarciaIolanda FosterValter CostaCarmem Luiza Da Costa Andrielen Bartz Tânia Foster

25/05/2026

𝟐𝟓 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐢𝐨: 𝐃𝐢𝐚 𝐝𝐚 𝐀𝐟𝐫𝐢𝐜𝐚 🌍✊🏿💛
Falar sobre a África é, antes de tudo, falar sobre humanidade. É reconhecer um continente plural, diverso e profundamente rico em culturas, idiomas, espiritualidades, saberes, filosofias e formas de existir no mundo.

O Dia da África, celebrado em 25 de maio, marca a criação da Organização da Unidade Africana, em 1963 (hoje União Africana), um movimento histórico de união entre países africanos na luta contra o colonialismo, o racismo e as desigualdades estruturais deixadas por séculos de exploração.

Mas esta data vai além de um marco político. Ela nos convida à memória.

Durante muito tempo, a África foi apresentada ao mundo por meio de estereótipos, silenciamentos e narrativas coloniais que ignoraram sua potência histórica, intelectual e cultural. Sob um olhar sociológico, isso revela como o colonialismo não ocupou apenas territórios: ocupou imaginários, apagou identidades e tentou desumanizar povos inteiros.

Celebrar o Dia da África é também resistir a esse apagamento.

É reconhecer que muito do que somos enquanto humanidade seja na música, na dança, na oralidade, na ciência, na espiritualidade, na culinária, na arte e até nas formas de organização social carregamos marcas africanas profundas.

Celebrar a África pode acontecer de muitas formas, ou seja, estudando sua história para além dos livros coloniais, valorizando intelectuais africanos, combatendo o racismo cotidiano, ouvindo artistas africanos, respeitando ancestralidades e compreendendo que diversidade não é ameaça, mas sim é riqueza humana.

Honrar a África é honrar memórias que resistiram.
É honrar povos que transformaram dor em cultura, luta em existência e ancestralidade em futuro.

Porque celebrar a África não é olhar apenas para um continente.
É reconhecer nossas origens, nossa interdependência e a beleza plural da humanidade. 🌍💛✨


Marcelo Garcia Valter Costa Iolanda Foster Carmem Luiza Da Costa@superfãs Tânia Foster

13/05/2026

𝐌𝐄𝐌Ó𝐑𝐈𝐀 - 𝐋𝐔𝐓𝐀 - 𝐑𝐄𝐂𝐎𝐍𝐒𝐓𝐑𝐔ÇA𝐎 𝐇𝐈𝐒𝐓Ó𝐑𝐈𝐂𝐀

𝟏𝟑 𝐃𝐄 𝐌𝐀𝐈𝐎 não pode ser lembrado apenas como a data da assinatura de uma lei. Precisa ser compreendido como parte de uma longa trajetória de luta, resistência e sobrevivência da população negra no Brasil.

Antes da Lei Áurea, já existiam quilombos, revoltas, fugas, articulações coletivas e diferentes formas de enfrentamento à escravidão. A abolição não foi um presente concedido pela monarquia, mas sim, foi resultado da resistência de pessoas negras que lutaram diariamente pelo direito de existir em liberdade.

Contudo, é necessário reconhecer que o fim jurídico da escravidão não significou inclusão social, cidadania plena ou reparação histórica. Após 1888, homens e mulheres negros foram lançados à própria sorte, sem acesso à terra, educação, moradia ou políticas de integração social. O racismo estrutural permaneceu organizando desigualdades que atravessam gerações e seguem presentes até hoje.

A educação antirracista começa justamente quando rompemos com a “história única”. Quando compreendemos que o racismo epistêmico também se sustenta no silêncio, nos apagamentos e na ausência de determinadas vozes dentro da narrativa oficial.

Por isso, a sala de aula talvez seja um dos nossos maiores territórios de reconstrução histórica. Um espaço capaz de resgatar memórias, reconhecer resistências e formar consciências críticas sobre o passado e o presente.

O 13 de maio não foi um presente. Foi o resultado de séculos de luta, resistência e produção de conhecimento do povo negro.

E talvez o maior desafio continue sendo este: transformar memória em consciência social, e consciência social em compromisso com justiça, reparação e igualdade.

E na sua escola, como o 13 de maio foi ensinado? ✊🏻✊🏾📚🖤




Marcelo Garcia Iolanda Foster Tânia Foster Valter Costa Carmem Luiza Da Costa

29/04/2026

𝟐𝟖/𝟎𝟒 – 𝐃𝐢𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐚 𝐄𝐝𝐮𝐜𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨📚✏️🗒️✨
Para Martin Luther King Jr., a educação sempre foi mais do que instrução: era um instrumento de transformação social e emancipação humana.

Ao afirmar que educar é ensinar a pensar intensamente e criticamente, ele nos provoca a refletir sobre o verdadeiro papel da educação em nossas vidas e na sociedade. Não se trata apenas de acumular conhecimento, mas de desenvolver consciência ética, crítica e social.

Em tempos em que o acesso à informação é amplo, mas nem sempre acompanhado de reflexão, o desafio se torna ainda maior: formar sujeitos capazes de discernir, questionar e agir.

Afinal, que tipo de sociedade estamos ajudando a construir quando educamos ou quando deixamos de educar?

Que possamos seguir defendendo uma educação que não apenas informe, mas transforme. 🌱

Marcelo Garcia Iolanda Foster Valter CostaCarmem Luiza Da Costa Andrielen Bartz

23/04/2026

A reflexão proposta no 𝐃𝐢𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐋𝐢𝐯𝐫𝐨, promovida pela UNESCO, vai muito além da celebração da leitura como hábito individual. Trata-se, sobretudo, de reconhecer o livro como um instrumento de humanização em uma sociedade que, cada vez mais, tende a instrumentalizar as pessoas. Nesse sentido, a crítica de Byung-Chul Han à “sociedade do desempenho” é central para compreendermos o cenário corporativo contemporâneo.

No capitalismo atual, não se trata apenas de exploração externa, como apontaria Karl Marx, mas de uma internalização dessa lógica: o indivíduo passa a se autoexplorar, acreditando que seu valor está diretamente ligado à sua produtividade. Esse processo gera um deslocamento perigoso, em que colegas deixam de ser sujeitos e passam a ser percebidos como concorrentes, recursos ou obstáculos.

Sob essa lógica, o ambiente corporativo se aproxima de um espaço de desumanização simbólica, onde práticas como competitividade predatória, silenciamento e falsidade não são desvios, mas sintomas estruturais de um modelo que privilegia resultados em detrimento das relações. Aqui, podemos dialogar também com Pierre Bourdieu, ao entender que o capital simbólico (prestígio, reconhecimento…) se torna um campo de disputa intensa, incentivando estratégias muitas vezes antiéticas para ascensão.

É nesse ponto que a leitura assume um papel contra-hegemônico. O livro rompe com a lógica da aceleração e da superficialidade, criando um espaço de pausa, reflexão e reconstrução do sujeito. Ele permite que o indivíduo recupere sua capacidade crítica, reconheça as estruturas que o atravessam e, principalmente, reafirme sua condição humana diante de um sistema que insiste em tratá-lo como máquina.

Assim, mais do que uma ferramenta de qualificação técnica, a leitura se torna um ato de resistência. Ela possibilita ao trabalhador não apenas sobreviver ao ambiente corporativo, mas questioná-ló, recusando a naturalização da desumanização, estabelecendo limites e reconstruindo relações baseadas em ética, empatia e consciência social.

Em um mundo que valoriza performance acima de tudo, ler é, paradoxalmente, um gesto profundamente subversivo: é escolher não se reduzir à lógica da produtividade e lembrar que, antes de qualquer função ou cargo, estamos lidando com e sendo seres humanos.

Curiosamente, enquanto o mundo avança cada vez mais vez mais na digitalização, a Suécia tem feito um movimento que chama atenção: o resgate do livro físico nas salas de aula. Porém isso não é um retrocesso, mas na verdade, um gesto de lucidez. Após anos de forte investimento em tecnologias educacionais, surgiram questionamentos importantes: estamos, de fato, aprendendo melhor? Ou estamos apenas consumindo informação de forma mais rápida e mais superficial?

A leitura em papel exige presença, concentração e profundidade. Diferente das telas, que fragmentam nossa atenção, o livro convida à pausa, à reflexão e ao pensamento crítico. E isso tem implicações que vão muito além da educação.

Em uma sociedade marcada pela lógica da performance, onde produtividade muitas vezes vale mais do que bem-estar, formar indivíduos capazes de pensar criticamente é um ato quase subversivo. No mundo corporativo, isso se torna ainda mais evidente. Ambientes que priorizam resultados a qualquer custo tendem a desumanizar relações, transformando pessoas em números, metas e funções. Nesse cenário, a capacidade de refletir, questionar e estabelecer limites não é apenas desejável é necessária.

Ler, portanto, não é apenas adquirir conhecimento.
É resistir à superficialidade.
É preservar a própria humanidade.

Talvez a grande lição não seja escolher entre tecnologia ou livros físicos, mas compreender que nem todo avanço técnico representa, necessariamente, um avanço humano.

E que, no fim, formar pessoas críticas, conscientes e sensíveis ainda é e sempre será o maior investimento de qualquer sociedade.

E tu, como tens equilibrado o uso da tecnologia com momentos de leitura mais profunda? Computador 🖥️ 📚📕🧐🤔💭


Marcelo Garcia
Tânia Foster Iolanda Foster

11/04/2026

O 𝗳𝗮𝗹𝗲𝗰𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗦𝗮𝗻𝗱𝗿𝗮 𝗖𝗮𝗺𝗽𝗼𝘀, aos 69 anos,
que segundo informações teria sofrido um mal súbito, chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu ainda na unidade. De acordo com a Unesp, o caso aconteceu durante a palestra “Quintais Culturais: espaços de vivência, memória e produção de saberes”, realizada no âmbito de um programa de pós-graduação da instituição. Tal acontecimento nos convida não apenas ao luto, mas à reflexão profunda sobre o papel das trajetórias individuais na construção coletiva da cultura e da memória social.

Educadora, produtora cultural e uma das grandes articuladoras da cultura negra em São Paulo, Sandra Campos inscreveu sua vida naquilo que a sociologia compreende como prática transformadora: a capacidade de tensionar estruturas, ampliar vozes historicamente silenciadas e reconfigurar espaços de poder simbólico.

Sua atuação evidencia como a cultura afro-brasileira não é apenas expressão artística, mas também um campo de resistência, identidade e disputa por reconhecimento. Ao fortalecer redes, promover iniciativas e valorizar saberes ancestrais, Sandra contribuiu diretamente para o que autores como Pierre Bourdieu chamariam de redistribuição do capital cultural, especialmente em contextos marcados por desigualdades estruturais.

Mais do que uma perda, sua partida reafirma a urgência de continuarmos esse trabalho como reconhecer, preservar e potencializar as contribuições da cultura negra na formação da sociedade brasileira.

Que sua trajetória siga como inspiração, memória viva e compromisso coletivo.

✊🏻✊🏾🖤


Marcelo Garcia Valter Costa Carmem Luiza Da Costa
Iolanda Foster Tânia Foster

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