Projeto Residência Pedagógica Língua Portuguesa Furg Capes

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Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Projeto Residência Pedagógica Língua Portuguesa Furg Capes, Formação, FURG/Campus Carreiros, Rio Grande.

O projeto RP FURG/CAPES busca promover a formação de professores em nível superior para atuar na educação básica, no sentido de possibilitar aos estudantes a compreensão teórico-prática do processo de ensino e aprendizagem nas escolas públicas.

29/11/2023

Durante o ano de 2023, tivemos a oportunidade de trocar ricas experiências com vários colegas que, gentilmente, se disponibilizaram a conversar com o grupo do PRP Língua Portuguesa. Em junho, tivemos uma importante conversa com as psicopedagogas clínicas e professoras do AEE da rede municipal: Bianca Briese e Juliana Vitória. O tema da nossa roda de conversa foi: "Aprimorando saberes para uma prática inclusiva". Foi sensacional!!!

29/11/2023

O PRP Língua Portuguesa teve um breve momento de pausa entre um edital e outro. Em outubro de 2022 iniciamos uma nova etapa, com novas escolas, novos preceptores e novos residentes. Apesar de termos ficado alguns meses sem atualizar a página do projeto, muitas atividades foram desenvolvidas, muitas rodas de conversa foram realizadas.
Vamos, aos poucos, atualizando as postagens aqui!!

24/05/2021

Os últimos dias de trabalho na RP foram de muita ansiedade. Os cortes orçamentários chegaram ao Programa RP, infelizmente. Nos restou a indignação...
Fomos forçados a nos despedir antecipadamente de vários residentes, que faziam um excelente trabalho junto às professoras formadoras.
Agradeço ao grupo de residentes que se despede da RP, foi um belo trabalho!!! Desejo sucesso a vocês, daqui a pouco formados e partindo para outros desafios! Que os obstáculos nos façam crescer cada vez mais!
Abraço carinhoso!


28/04/2021

Nesta terça, 27/04, o grupo da RP () teve o prazer de receber o Prof. Dr. Raymundo Olioni, que compartilhou conosco algumas reflexões sobre as práticas de análise linguística no contexto escolar. Obrigada por compartilhar esses momentos com a gente, Raymundo!! Foi muito produtivo!!!
👏👏😍😍
______

Tenho postado aqui na página do projeto que, ao longo deste semestre, o grupo da RP tem recebido convidados para compartilhar suas experiências e trabalhos, em diferentes perspectivas, objetivando, com isso, ampliar nossas habilidades de compreensão dos múltiplos fenômenos envolvidos com as diferentes linguagens.
Em breve, o grupo terá um dedinho de prosa com a Profª Msc. Marianna Soares!!

Seguimos!!!

Residência Pedagógica FURG
Raymundo Olioni


15/04/2021

No encontro do dia 13/04 do projeto RP, contamos com a participação da Profª. Viviani Kweko, do curso de Artes Visuais da FURG., que nos presenteou com reflexões sobre o tema "Estesia". Obrigada, Vivi, por compartilhar!!!!😍😍😍👏👏👏

Projeto Residência Pedagógica Língua Portuguesa Furg Capes
Residência Pedagógica FURG


10/04/2021

Compartilho, então, o relato da residente Lorena Dias. E, mais uma vez, te agradeço, Lorena!! 👏👏👏👏👏👏

Segue:

"É tempo de reaprender. Quando digo aprender novamente é porque temos uma vaga ideia de que sabemos algo sobre a sala de aula e sobre ensinar. Mas aí vem a pandemia e o ensino remoto para nos mostrar que não sabemos nada, ou quase nada sobre “dar aula”. Ontem, dia 18 de março, eu tive uma experiência que me fez querer sair correndo, desligar o computador e gritar de raiva. Foi a primeira vez que experimentei uma aula online enquanto profe. Na ocasião eu apresentava uma atividade construída coletivamente com a minha colega Andrenara Martins e com a professora Adriana Vitti da escola Cipriano Porto Alegre.
A plataforma utilizada para a aula era o google mett, a maioria dos alunos e alunas não ligavam a câmera, a sensação de nervosismo se espalhava pelas minhas mãos que tremiam segurando o celular. Tentei, tentei, tentei várias vezes realizar a apresentação pelo meu notebook, modelo acer aspire v5, ou seja, um computador velho e desgastado que não fabricam mais. A solução encontrada por mim foi a de utilizar o meu celular com a tela quebrada, um modelo que também não fabricam mais, eu dizia: “vocês me escutam?” o silêncio ressoava, era falta de conexão? era o programa? a raiva ia aumentando….
Depois de um tempo consegui finalmente escutar as minhas colegas e as alunas. Me senti envergonhada, não conseguia nem rir de nervoso, acho que nesses momentos eu me cobro mais do que deveria. Falamos sobre a Malala, sobre a força e a coragem dela em lutar contra os Talibãs pela educação e sobre o exemplo do jovem Carlos André, morador do Tocantins que criou uma escola para jovens carentes. A atividade foi uma proposta de produção textual com o gênero autobiografia, expliquei sobre o gênero, dei exemplos, provoquei eles e elas a pensarem sobre a memória e as fissuras presentes nas recordações. Houve algumas participações tímidas através do áudio e do chat. As meninas foram as que mais participaram, aproveitei o gancho do tema ficção para dialogar com a escritora e também residente Ingrid Rocha que chamou a atenção e a curiosidade das alunas, foi um momento bonito e de muito afeto.
Havia uma lacuna que causava desconforto e intrigava tanto a mim quanto a minha colega Andrenara: Será que eles estão na aula? Por que não responderam? Nem no chat, nem por áudio houve uma grande interação com a turma. Não estava preparada para vivenciar uma aula sem olhares, sem fala, sem aquele barulho do fundão, foi uma experiência diferente. Ao terminar aquela aula fiquei pensando: “foi uma merda!” “deve ter sido muito chato” eram tantos pensamentos negativos dentro da minha cabeça que fiquei andando em círculos no quarto. Aí recebi uma mensagem compartilhada pela professora Vitti, dizia assim: “Eu adorei a reunião! tava loca de vergonha! Eu adorei participar da reunião, para mim foi uma das melhores. Adorei as gurias! Eu tô num momento da minha vida que eu não sei o que eu quero fazer da minha vida, mas alí as meninas falando de faculdade, eu falei Eu consigo! foi muito bom, eu gostei muito.” foi o áudio enviado pela Zindaya. Esse áudio me fez sorrir e por algum tempo esqueci completamente as falhas tecnológicas, esqueci da raiva que havia sentido.
É preciso reaprender, de fato, a educação é uma das partes mais importantes da sociedade, as professoras, os professores estão na linha de frente, agora através de uma tela de computador, mas estão. Para mim foi um momento de muito aprendizado e estar por alguns minutos enquanto profe me permitiu perceber que a formação docente é um processo contínuo e necessário, as novas formas de ensinar são o nosso desafio, mas existe algo maior que nos move: o afeto e a esperança por dias melhores em que vamos poder abraçar nossos alunos e alunas novamente. Participar da Residência pedagógica está sendo uma experiência incrível e eu quero levar para a vida. " (Residente Lorena Dias - Rio Grande, 19 de Março de 2021)


10/04/2021

O trabalho da RP segue firme e recheado de emoções! Tem sido desafio atrás de desafio., medo seguido de medo e, depois, de satisfação...um emaranhado de sentimentos. A cada nova experiência, a cada novo relato, sentimos que estamos no caminho certo. Agradecer...só agradecer por fazer parte deste grupo!!

Na próxima publicação, vou compartilhar uma experiência emocionante da residente Lorena Dias -

Obrigada, Lorena!!! 😍😍🤜🤛


IT Mídia 28/03/2021

Olá!!! O ensaio que está sendo compartilhado hoje, da residente Vanessa Chaves, traz algumas reflexões sobre a escrita e os contextos tecnológicos, reforçando o caráter heterogêneo da língua(gem). Obrigada, Vanessa Chaves, por compartilhar!!!
👏👏👏👏😍😍😍

"Escrever, hoje"
Em seu artigo “Tecnologia e poder semiótico: escrever, hoje”, Ana Elisa Ribeiro (2015, p. 115, grifos da autora) pondera que a escrita é “histórica e socialmente situada, ou seja, não há a ou uma escrita. Ela é viva e depende de muitas condições, inclusive e principalmente as tecnológicas.” Na contramão do pensamento de Ribeiro (2015), quanto à modalidade escrita, há a presunção de um sistema abstrato de formas linguísticas destituído da expressão dos modos de interação e de sua relação com a sociedade, com a história, com a cultura. Por sua vez, essa concepção vale-se do pressuposto de que haveria uma modalidade de escrita pura, associada à norma padrão, seja à gramática, seja à imagem de seu uso por autores literários consagrados. Por conseguinte, a noção imperativa de língua(gem) encontra-se pautada na noção de língua como um instrumento de comunicação, concebendo-a como um código, capaz de transmitir ao receptor certa mensagem. Dessa forma, essa perspectiva desconsidera o fato de que o modo da existência da língua encontra-se na comunicação discursiva concreta. Desconsidera-se, também, as condições de produção dos enunciados e o contexto social em que estão inseridos.
Para Ribeiro (2015, p. 115), não estamos alheios à história da escrita, “como se ela fosse um modo de fazer que corresse ao largo dos cidadãos”. Propomo-nos como sujeitos na/pela linguagem, na/pela escrita de textos. No processo de escrita, de acordo com o princípio dialógico da linguagem de Bakthin (1997), o escrevente circula por um imaginário socialmente partilhado sobre a língua em suas diversas manifestações e variedades, imaginário que se particulariza em situações específicas e concretas do uso da escrita e que se estende aos diferentes e instáveis modos de conceber a relação escrita/mundo e, inclusive, escrita/fala. Para tanto, o discurso é moldado de acordo com o contexto e a intenção de quem escreve e para quem se dirige – interlocutor. Sendo assim, torna-se, até mesmo, incoerente afirmar que o processo de escrita é imutável e inequívoco, associando-o apenas à modalidade escrita da norma padrão da língua. O sujeito na/pela escrita (inter)age com outro(s) e atua em seu contexto social-histórico. Portanto, este não é “alheio” à história e às transformações da escrita.
A adesão a novas máquinas, a novos modos de produzir texto, a novos gêneros textuais, conforme Ribeiro (2015, p. 115), são “criações sociais, menos ou mais inusitadas, inovadoras, que correm conosco na história da leitura e dos modos de escrever”. O acelerado desenvolvimento tecnológico de nosso tempo provocou mudanças socioculturais, o que inclui novas práticas de escrita. Conforme os computadores e a internet foram se desenvolvendo e se popularizando, começamos a utilizá-los com mais frequência e para os mais diversos objetivos: nos comunicarmos por meio de redes sociais e de e-mails, assistir a séries e filmes, comprar e vender produtor, compartilhar experiências em blogs e vlogs e realizar pesquisas, além de muitos outros. Atualmente, por meio de aplicativos e de redes sociais, enviamos e recebemos mensagens de texto/áudio de forma ágil e instantânea. Há quem diga que, hoje em dia, “ninguém lê mais, ninguém escreve mais. As pessoas perderam o costume de ler e de escrever”. Como afirmar isso se, em meio a um expediente de trabalho, os indivíduos estão disputando a atenção entre a produção escrita de um relatório da empresa e a digitação de um comentário em uma rede social, conforme indica Elgan (2017) no site Idgnow? Seja no meio acadêmico, seja no trabalho, escrevendo uma resenha, ou até mesmo no âmbito pessoal, os indivíduos escrevem e/ou formulam, constantemente, textos escritos e/ou orais.
Considerando o crescente desenvolvimento tecnológico, de acordo com Neilane de Souza Viana (2012, p. 5), “as novas possibilidades de interações pela rede virtual estão influenciando de maneira significativa as formas de escrever”. As condições de escrita vêm ganhando um leque de diversidade semântica, além de contemplar abreviações capazes de expressar amplamente as frases e/ou palavras. Assim, conforme Viana (2012, p. 5), a norma culta padrão está ficando cada vez “menos presente na escrita disseminada, sobretudo nas redes sociais”. A internet quebrou as barreiras geográficas e culturais, e criou, também, um código que, muitas vezes, só os internautas conseguem decifrar. Quem entra na sala de bate-papo, escrevendo palavras com pontuações corretas e colocando os devidos acentos, acaba por “denunciar” que não pertence aquele grupo, ou seja, não está acostumado a utilizar a linguagem da internet.
Em visto disto, considerando o tema desta reflexão “Escrever, hoje”, nesse contexto de emergência de – novas – práticas de escrita, é válido apresentar hipóteses explicativas sobre o chamado “internetês”, uma das práticas letradas em Língua Portuguesa, frequentemente associada a jovens usuários da internet. Em uma primeira aproximação ao tema, o internetês pode ser definido como uma “forma grafolinguística que se difundiu em bate-papos virtuais e comunicadores instantâneos, de forma geral; também em blogs, microblogs e demais redes sociais” (KOMESU; TENANI, 2015, p. 15). Sendo uma comunicação ágil, próxima ao ritmo de fala, o internetês seria uma das práticas possíveis da linguagem, partilhada entre adeptos do computador com acesso à internet. Segundo Komesu e Tenani (2015, p. 22), em comum, as pessoas conectadas têm o propósito de “se aproximar – física, afetiva, simbolicamente – umas das outras num espaço ‘virtual’ por meio do trabalho na linguagem”. Não se trata, simplesmente, de uma “interferência” da fala na escrita, concepção que tem como base oposição entre uma modalidade e outra – práticas orais/faladas versus práticas letradas/escritas –, mas de “modo heterogêneo de constituição da escrita” (KOMESU; TENANI, 2015, p. 22) fundada nas possibilidades que a própria estrutura oferece aos usos que as pessoas fazem do sistema linguístico, no jogo da interlocução social. A visão tradicional da relação fala/escrita pressupõe a interferência da fala na escrita, com a assunção preconceituosa contra as práticas orais/faladas.
A partir de uma concepção de que haveria uma modalidade de escrita pura – associada seja à norma padrão, seja à gramática – e projetada como ideal da escrita, muitos indivíduos tecem críticas ao internetês, indicando que esse fenômeno estaria “assassinando” a Língua Portuguesa. Despreza-se, assim, o fato de que, mais do que possibilitar a transmissão de informações, o sujeito dialoga com o outro, constituindo-se como sujeito na/pela linguagem. No internetês, segundo Komesu e Tenani (2015, p. 639, grifos das autoras), tem-se um “lócus privilegiado de observação da escrita como um modo de enunciação fundado no encontro entre práticas sociais do oral/falado e do letrado/escrito”. Assim, há uma forma de interação social e histórica por intermédio da linguagem, por intermédio da escrita. Para além da dita “deterioração de padrões”, o internetês possibilita a interação instantânea entre os interlocutores e representa a identidade “de um grupo de uma comunidade que quer se reconhecer por elas e por elas ser reconhecido” (KOMESU, TENANI, 2009, p. 628). Por exemplo, quando nosso/a amigo/a digita “Oiiiiii”, incluindo inúmeras vezes a vogal “i”, o esperado é que respondamos aquele cumprimento com a mesma intensidade.
Por fim, escrever, hoje... envolve a interação entre os sujeitos, o diálogo, as trocas discursivas e a constituição do “eu” na e pela linguagem. Para além de conceber a escrita como um conjunto de signos que se combinam de acordo com regras, é fundamental compreendê-la como uma prática social que promove a interação entre os sujeitos e que possibilita a atuação do “eu” como um indivíduo pensante, crítico e questionador na sociedade.

REFERÊNCIAS
BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 2. ed. São Paulo : Martins Fontes, 1997.
ELGAN, M. Os smartphones estão sugando a sua produtividade. Você abriria mão deles? Disponível em: http://idgnow.com.br. Acesso em: 04 mar. 2021.
KOMESU, F; TENANI, L. Considerações sobre o conceito de internetês nos estudos da linguagem. Linguagem em (Dis)curso, Palhoça, SC, v.9, n. 3, p.621-643, set/dez. 2009.
______________________. O internetês na escola. 1. ed. São Paulo : Cortez, 2015.
RIBEIRO, Ana Elisa. Tecnologia e poder semiótico: escrever, hoje. Texto livre: linguagem e tecnologia, v. 8, n. 1, p. 112-123, 2015.
VIANA, Neilane de Souza. A linguagem escrita na era da tecnologia: investigando a informalidade nas comunicações online. Revista Vozes dos Vales. Minas Gerais, nº 02, ano 1, p. 1-14, out., 2012. "

Por Vanessa Chaves (março de 2021).


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25/03/2021

Outra atividade muito produtiva desenvolvida pelos residentes foi a produção de um ensaio. A temática sugerida foi a "escrita", bastante ampla, mas com a possibilidade de seguir por diferentes percursos: escrita, poder e tecnologia; cultura escrita/cultura digital; o que é um texto, hoje; a tecnologia como aliada da produção escrita; questões de ensino, entre outros aspectos.

A seguir, apresento o texto produzido pela residente Ingrid Rocha. Obrigada .ingridrocha por compartilhar!!!
😍😍👏👏👏

"Escrever, hoje: o aluno conectado ao uso das tecnologias para produção de textos (Ingrid Alves da Rocha Cunha)

Estamos em constante evolução tecnológica, uma era tomada por descobertas e ressignificação em todas as áreas, com a escrita não poderia ser diferente. Quem consome dados na internet não é mais apenas um consumidor, todos passaram a ser produtores de conteúdo também. As redes sociais tem ganhado cada vez mais espaço entre os jovens e o que já era difícil para a escola antes, vem se tornando ainda mais, o ensino e incentivo à escrita e à leitura. Mas se pararmos para pensar, essa dificuldade vem ocorrendo devido à resistência e até certo preconceito da parte da escola com a produção online.
Os jovens estão cada vez mais engajados com o ambiente online, o Facebook, o Twitter, o Instagram, o TikTok e também o Wattpad, todos esses exemplos são de redes sociais inseridas no dia a dia dos adolescentes e que fazem com que eles pratiquem a escrita.
Uma escrita sem embasamentos técnicos, sem uma maior atenção para noções gramaticais e estilísticas, isso porque os usuários “[...] estão mais interessados na manutenção de suas redes de relacionamento, na expressão de seus pensamentos, ideias e sentimentos.” (GOMES, 2016, p. 82). E um dos motivos que levam a escola a desprezar esses aplicativos é que, por causa deles, os alunos têm produzido textos com menor quantidade de linhas, e quando precisam escrever textos mais longos apresentam certas dificuldades. Isso ocorre porque as redes sociais limitam o número de caracteres por postagens, ou seja, o usuário precisa escrever pequenos textos para expressar suas ideias, mas como muitos ainda não estão preparados acabam se perdendo e não conseguindo transmitir o que desejam.
A escola, nos dias atuais, é desafiada a compreender o mundo complexo e caótico das relações humanas no trabalho e na educação e a se reinventar, para continuar mantendo sua importância, que vai além da acreditação e da distribuição de diplomas. (GOMES, 2016, pág. 89).

A escola precisa dar uma oportunidade aos novos gêneros e novos letramentos para auxiliar os adolescentes e não virar as costas e desprezar os recursos online. Em vez de cobrar por produções extensas que limitam o aluno e sua criatividade, por que não se aliar aos novos recursos e adaptar o ensino para um meio mais digital? A produção escrita online pode desencadear o interesse do aluno pelo conteúdo e a escola precisa se associar e auxiliá-los nessas produções de texto. Se um exercício de produção escrita com um número considerável de palavras ou linhas está sendo dificultoso para o estudante, porque não começar por algo mais simples e relacionado ao que eles estão inseridos? O Twitter, por exemplo, o aplicativo tem como intuito desenvolver diálogos pessoais, o adolescente pode compartilhar uma ideia ou opinião de forma objetiva e então outros podem retweettar sua ideia ou respondê-la, gerando uma rede de informações, de diálogos entre vários usuários. As produções poderiam variar, entre a professora solicitar que a turma criasse um diálogo sobre determinado tema pertinente, a quem sabe, uma criação literária, como minicontos e até mesmo uma produção coletiva, construída comentário por comentário.
Outro recurso que poderia ser muito bem aproveitado para a produção de textos dentro da escola, são as fanfics, Azzari e Custódio (2013), apontam que:

Enquanto gênero textual, fanfics são amostras de discurso apropriado, i.e, de palavras alheias que se tornam palavras próprias, no conceito proposto por Bakhtin (apud Rojo, 2007c: 344) de maneira internamente persuasiva. Seus escritores hibridizam “o discurso do autor e do sujeito” quando a estória é recontada, re-escrita, movendo-se para além do que foi dado. (AZZARI; CUSTÓDIO, 2013, pág. 75).

Se nas postagens nas redes sociais os jovens se perdem em questões estilistas e gramaticas da língua, dentro de uma criação de estórias eles se atentam mais, observam algumas regras e buscam mesmo que de maneira equivocada dicas de como escrever, em vez de buscar ajuda de um professor de língua portuguesa, acabam se aventurando por sites que não possuem garantias de estarem corretos. É a oportunidade perfeita de a escola trazer o gênero para a sala de aula, por que não oferecer ao aluno a chance de recontar uma história clássica? Quem sabe pedir para que eles escrevam fanfics de Iracema, por exemplo, ou de Senhora, enfim, são infinitas as possibilidades. O Wattpad é um site e aplicativo online com o único intuito de anônimos publicarem suas estórias de forma gratuita, e ainda o usuário tem contato com diversos leitores que opinam sobre o que estão contando. Muitas vezes os jovens postam sem nenhum cuidado com a forma ou a escrita e isso gera alguns comentários sobre falta de coesão, erros gramaticais, etc.
A escola tem todo o aporte necessário para auxiliar esses jovens e ainda incentivar a prática de escrita. Escrever nem sempre é uma tarefa fácil, requer um tempo e disposição para deixar os pensamentos fluírem, escrever diariamente ajuda a criar essa rotina e a estimular a construção de textos. Despida do preconceito e munida de recursos digitais, a escola pode oferecer desafios de escrita diários, e promover grandes oportunidades para seus alunos, enxergando estes como nativos digitais que são.
Falar sobre produção de textos digitais abre leque também para os multiletramentos, Gomes (2016) diz que os alunos produzem muito mais gêneros textuais além dos que a escola ensina, muitas vezes, estes não são bem vistos, com a justificativa de que fogem da escrita convencional. Ele também aponta que a inserção de recursos textuais como vídeos e imagens pode aflorar ainda mais a criatividade do aluno. “São novas formas de aprender e de ser.” (GOMES, 2016, p. 83).
O texto não é mais apenas escrito, os jovens fazem vídeos ou stories, como no Instagram, e utilizam legendas para suas postagens, imagens são compartilhadas para apresentar uma ideia e também é feito o uso de hiperlinks, que guiam para novos textos produzidos por outros usuários. A comunicação é constante e a interação faz com que se criem diálogos por toda a rede, mantendo o texto sempre vivo e ativo.
Fazer uso dos multiletramentos já não é um assunto antigo em relação à escola, mas é algo importante que vale a pena ser relembrado. E com a gama imensa de recursos digitais que vem surgindo, é crucial o ensino e a inserção dos multiletramentos na sala de aula, podemos ter por exemplo aqui, os conhecidos emoticon, os rostinhos amarelos que expressam tantas reações e que os nativos digitais utilizam cada vez mais para expressar seus sentimentos e opiniões. As possiblidades de atividades com esse recurso são várias, como incentivar o aluno a criar uma história totalmente visual, somente com emoticon, e depois passar para outro colega a tarefa de recontar essa história, só que com palavras. Cada pessoa entende de uma forma e assim diversas histórias novas podem surgir.
É possível adaptar quase todos os recursos online e as funcionalidades das redes sociais para o ensino e para a prática de produção de textos dentro da sala de aula. A tecnologia está em constante avanço e pode ser uma excelente aliada do professor, basta a escola permitir, para que, cada vez mais, sejamos capazes de alcançar os alunos e fazer com que se interessem pela escrita. “A vida cotidiana é permeada de leitura e escrita.” (BARTON; LEE, 2015, p. 39).


Referências:
AZZARI, Eliane Fernandes; CUSTÓDIO, Melina Aparecida. Fanfics, Google docs..: a produção textual colaborativa. In: ROJO, Roxane (org.). Escol@ conectada: os multiletramentos e as TICs. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2013. cap. 4, p. 73-92.
GOMES, Luiz Fernando. Redes sociais e escola: o que temos de aprender?. In: ARAÚJO, Júlio; LEFFA, Vilson (org.). Redes sociais e ensino de línguas: o que temos de aprender. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2016. v. 2, cap. 5, p. 81-92.
BARTON, David; LEE, Carmen. Atuar num mundo social textualmente mediado. In: BARTON, David; LEE, Carmem. Linguagem online: textos e práticas digitais. 1. ed. São Paulo: Parábola, 2015. v. 1, cap. 3, p. 39-62.

Photos from Projeto Residência Pedagógica Língua Portuguesa Furg Capes's post 23/03/2021

Os encontros do projeto RP acontecem de forma remota, obviamente. Nem sempre estamos com as câmeras ativadas, mas a integração da galera é sempre muito legal!! A conversa no chat rola solta e enriquece os encontros. Aqui também uma das palavras mais faladas é "caí"!!!! Nós resistimos!!! 💪💪💪😅😅😅😍😍😍


23/03/2021

A reflexão que trago hoje, do residente João Carlos Bispo, nos remete para a necessidade, cada vez maior, de interação entre escola e universidade. Essa troca de experiências é fundamental para a formação de professores.

Obrigada, João, por compartilhar!
👏👏😁😁

"Quando entrei nas Letras, eu esperava uma outra realidade, isto é, esperava que a abordagem fosse diferente; felizmente, me decepcionei, uma vez que eu achava que ensinar Língua Portuguesa se reduzia ao ensino de gramática e à contextualização histórica da literatura, e aprendi que era muito mais do que isso.
No primeiro momento, achei que a teoria ensinada nos bancos universitários era, no mínimo, utópica, já que parecia impossível construir um conhecimento na área de língua materna sem ser predominantemente gramatical. Porém, através das imersões nas escolas, por meio dos trabalhos ou atividades de estágios, fui percebendo que era possível aplicá-la, e tive certeza quando fui ministrar uma aula numa escola estadual de Rio Grande, por causa de uma atividade da disciplina de Práticas de Ensino de Língua Portuguesa.
Nessa aula, eu vi como era possível trabalhar o texto sem o famoso “pretexto para gramática”, pois ao discutir o texto com os alunos vi tantas das disciplinas teóricas que tive na Faculdade ganharem corpo, desde a Linguística I e Introdução aos estudos literários às disciplinas de Morfo e Literatura, pois, embora fosse uma aplicação voltada para a linguística textual, a literatura se fez presente nos seus intertextos.
Portanto, eu vejo que o curso de Letras (licenciatura) só fez sentido para mim, quando estive na escola, fora dela, ele parece só um curso cercado por muralhas teóricas, muito importantes, mas, muitas vezes, impenetráveis. Acredito que por meio do programa Residência Pedagógica, conseguiremos cada vez mais fazer a ponte entre o teórico e prático. "
Residente João Carlos N. Bispo (em 28 de out. de 2020).


21/03/2021

Olá!!!! Vamos a mais um relato!! Obrigada Verônica Vianna por compartilhar tuas experiências!!!

" Gostaria de relatar o quanto nossas reuniões são proveitosas, tanto as gerais como as reuniões com os determinados grupos e, também, os encontros com os alunos. Hoje, em especial, falo aqui da reunião que terminou há pouco, com a professora Vitti e nosso grupo RP Cipriano. Foram 3 horas que passaram voando! Falamos bastante sobre as atividades que estamos elaborando para os alunos e sobre os espaços da escola, e, cada vez mais, tenho vontade (garanto que as colegas residentes também) de colocar nossos planos em prática e de irmos à escola pessoalmente. Também foi muito interessante pensar e compartilhar exemplos de atividades adaptadas para aqueles alunos que não possuem acesso à internet, para que eles não se sintam excluídos da disciplina. É sempre bom ouvirmos novas ideias para irmos lapidando as nossas. Enfim, a ansiedade é grande! "
Residente Verônica M. Vianna (Em 24 de novembro de 2020).

Os relatos estão sendo registrados no portfólio do projeto RP e são publicados com a autorização das autoras e dos autores.

🥰🥰🥰👏👏👏

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