29/09/2025
A BANDEIRA DOS CHAPÉU DE PALHA É UM SÍMBOLO DE ALIENAÇÃO?
Nos protestos recentes, do Brasil ao Nepal, a bandeira dos Chapéus de Palha de One Piece apareceu lado a lado com símbolos políticos tradicionais. O bando de piratas de Luffy é a negação do poder estabelecido: enfrenta nobres corruptos, governos autoritários e um sistema global de exploração. Não lutam por tronos, mas por liberdade e solidariedade. Por isso, quando essa bandeira surge nas ruas, ela não é apenas estética pop: é a profecia da cultura pop nos avisando que a revolução é inevitável.
Mas isso levanta uma pergunta inevitável: trata-se de alienação, de “Revolução Colorida” o uso de um símbolo fictício para mascarar uma luta real ou estamos diante de uma consciência política de classe?
De um lado, há quem veja nisso apenas estética, um “meme de protesto”. Mas sobretudo quem acompanha a obra não ignora o que a própria narrativa de One Piece representa: O bando de Luffy não luta por poder, mas contra ele: desafia imperadores, derruba tiranos, expõe a corrupção do Governo Mundial e enfrenta a arrogância dos nobres que escravizam povos inteiros. Sua bandeira é, por essência, um estandarte de liberdade contra o imperialismo ocidental, de solidariedade e de enfrentamento às elites.
É claro que toda narrativa pode ser cooptada, não vamos esquecer o que aconteceu com o V de Vendetta: A direita poderia tentar reduzir esse símbolo a bravura individual, ao instinto do mais forte ou a simples “diversão juvenil”, apagando seu caráter coletivo e insurrecional. Mas One Piece é particularmente resistente a esse tipo de apropriação: sua lógica é visceralmente anti-elite, anti-imperialista e pró-revolta popular com forte apelo a luta de classes.
Carregar a bandeira dos Chapéus de Palha num protesto, portanto, pode ser mais do que alienação estética. Pode ser a expressão de uma proto-consciência de classe almejando uma organização maior, especialmente entre jovens que não se veem refletidos nos símbolos políticos tradicionais. É a tradução, em linguagem globalizada, de um mito contemporâneo de resistência.
Por .maldita
24/09/2025
Todos nós passaremos pelo envelhecimento. Este pode ser divido por fatores primários e secundários. No primário, ocorrerá deterioração inevitável das estruturas celulares e funções fisiológicas, independentes de doenças, estilo de vida e fatores ambientais.
Na presença desses fatores “independentes” (sedentarismo, uso de cigarro/álcool, obesidade, desnutrição, poluição, stress, etc.), ocorre deterioração exacerbada e/ou aceleração das perdas nas funções fisiológicas; a este chamamos de envelhecimento secundário.
Exemplos do que ocorre nas células e órgãos com o envelhecimento:
- Perda de massa, força e qualidade muscular;
- Perda de densidade mineral óssea;
- Redução das capacidades de equilíbrio e flexibilidade;
- Redução da taxa metabólica basal;
- Aumento da inflamação de baixo grau;
- Redução da capacidade de usar oxigênio (▼ ↓ da aptidão aeróbia);
- Redução da complacência arterial (▲ ↑ rigidez das artérias);
- Aumento da disfunção endotelial;
- Risco aumentado de resistência a insulina e diabetes tipo 2.
Podemos listar uma infinidade de mudanças. Logo, o papel dos profissionais da saúde, como o professor de Educação Física, é atuar para evitar, reverter, e/ou atenuar tais mudanças nocivas.
Muitas pessoas ainda falam com a boca cheia e sem nem pensar, que odeiam a dita “musculação”. Por isso nem uso esse termo; o melhor é citar o treino resistido ou de força. Aí retira um pouco desse estereótipo negativo construído. Além de permitir que trabalhemos com outros acessórios do treino de força, como elásticos, halteres, fita de suspensão, kettlebells, peso corporal, etc.
Por isso faz-se necessário sempre informamos corretamente e com base na ciência que podemos ajudar com o exercício físico. É assim que promoveremos mais saúde a população, a fim que a mesma viva uma vida com menos complicações e mais prazer, para fazerem por mais tempo, aquilo que faz sentido! Comece já e liberte-se de crenças limitantes!
D’Onofrio G, et al. Musculoskeletal exercise: Its role in promoting health and longevity. Prog Cardiovasc Dis. 2023 Mar-Apr;77:25-36.
16/09/2025
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Abdominal clássico no solo: será mesmo a melhor opção para iniciantes?
O famoso abdominal de flexão de coluna, feito no chão, ainda é bastante utilizado como exercício inicial. Mas as evidências científ**as mostram que ele pode não ser a melhor escolha.
🔎 Por quê?
Durante a execução, há sobrecarga na região cervical (pelo esforço de sustentar a cabeça) e também nos discos intervertebrais lombares pela flexão repetida da coluna.
Para iniciantes, que ainda não possuem estabilidade adequada no tronco, esse padrão pode favorecer dores e desconfortos.
Além disso, os músculos do core não servem apenas para flexionar o tronco, mas para estabilizar a coluna e transferir forças durante os movimentos.
⚠️ E a prancha?
Muitos consideram a prancha uma alternativa mais segura, mas ela também exige grande estabilidade. Iniciantes frequentemente deixam o quadril cair ou arqueiam a lombar, o que compromete a execução e pode gerar sobrecarga.
💡 Alternativas mais seguras
Pesquisas apontam que exercícios em pé, com elásticos, como rotações de tronco (standing trunk twist) ou exercícios anti-rotação (pallof press), ativam de forma eficiente o core, com menor risco e maior transferência para as atividades do dia a dia.
✅ Portanto, para quem está começando, investir em exercícios funcionais, em pé e com elásticos, pode ser mais inteligente do que iniciar pelo crunch ou pela prancha tradicional.
Boa escolha 🗨️
📚
Shoenfeld BJ, et al. Abdominal Crunches Are/Are Not a Safe and Effective Exercise. Strength & Conditioning Journal, 2016;38(6):1.
Koh HW, et al. Comparison of the Effects of Hollowing and Bracing Exercises on Cross-sectional Areas of Abdominal Muscles in Middle-aged Women. J Phys Ther Sci. 2014 Feb;26(2):295-9.
20/08/2025
A utilização de gordura e o gasto de energia podem ser aumentados durante o exercício aeróbio de baixa intensidade, quando precedido por um protocolo musculação de múltiplas séries realizadas em uma intensidade mais alta.
O resultado deste estudo apoia uma abordagem de treinamento que combina exercícios aeróbicos e musculação, recomendando que o exercício de força seja realizado primeiro, seguido pelo exercício aeróbio com um intervalo de descanso de no máximo 5 minutos.
Embora haja uma intensidade mínima de musculação para ser possível gerar este efeito, o estudo evidenciou que mesmo em intensidades moderadas (60% de 8RM) já é possível evidenciar benefícios.
REFERÊNCIA:
Kang, J., Rashti, S. L., Tranchina, C. P., Ratamess, N. A., Faigenbaum, A. D., & Hoffman, J. R. (2009). Effect of preceding resistance exercise on metabolism during subsequent aerobic session. European journal of applied physiology, 107, 43-50.
Por
16/05/2025
Treinamento musical ativo 🥁 melhora signif**ativamente o controle inibitório em crianças, uma função executiva essencial para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social. A meta-análise incluiu 22 estudos longitudinais com 1734 participantes entre 3 e 11 anos e demonstrou que crianças expostas a programas de música apresentaram desempenho superior em tarefas que exigem atenção, autocontrole e resposta a estímulos.🎶
Nos estudos com delineamento experimental mais rigoroso, os ensaios clínicos randomizados com grupos controle ativos, o efeito foi ainda mais expressivo. O tamanho de efeito observado foi moderado a grande, indicando que o engajamento sistemático com música🎵 supera outras atividades como esportes, artes visuais ou brincadeiras livres no impacto sobre o controle inibitório.
Entre os fatores que amplif**aram os resultados, destacam-se os programas realizados em ambientes especializados, fora do contexto escolar, e a presença de grupos controle ativos. A análise também mostrou que o treinamento musical 🪘 é ef**az independentemente da idade e da intensidade da prática, desde que haja pelo menos 300 minutos acumulados.
Os achados sugerem que a música 🎼 pode ser uma aliada potente na educação e na intervenção precoce em crianças com dificuldades de autorregulação, como nos casos de autismo e TDAH. Ao promover simultaneamente estímulos cognitivos, motores, emocionais e sociais, o aprendizado musical 🎤 se apresenta como uma estratégia viável e ef**az para fortalecer habilidades fundamentais para o desenvolvimento infantil.
Por
23/04/2025
Nos últimos anos, tem se destacado o papel do exercício excêntrico e seus efeitos positivos na saúde e aptidão física. Exercício excêntrico nada mais é que uma execução de movimento com predomínio da *fase de freio*. Nessa fase ocorre contração muscular ao mesmo tempo em que as fibras se alongam.
Isso inclui uma variedade infinita de movimentos, mas no caso deste artigo, podemos relacionar com: caminhada na descida, passadas e descer escadas caminhando.
Comparado com a mesma quantidade de subida na escada, descer escadas impacta em uma frequência cardíaca ~49% menor, um consumo de oxigênio ~97% menor e um gasto calórico ~50% menor. Subir escada se gasta ~0,11 kcal/degrau enquanto para descer, o gasto é ~0,05 kcal/degrau. Por isso, essa atividade tem um custo metabólico menor, ao mesmo tempo que é acessível e fácil de aplicar. Você pode usar as escadas do seu prédio, o custo é zero R$!!
E nos parâmetros de saúde, os estudos tem demonstrado que descer escadas: melhora a força muscular, força de extensão do joelho, aptidão funcional, agilidade, densidade óssea, sensibilidade a insulina, perfil lipídico, reduz biomarcadores inflamatórios, de fibroses e de atrofia muscular, regula metabolismo e função endotelial (vasos sanguíneos), melhora função cardiovascular (reduzindo a pressão arterial e freq. cardíaca) e contribui para o sonhado/necessário emagrecimento.
Logo, opções para se exercitar é que não faltam! Esta modalidade de descer escadas (que não precisa ser de alta intensidade) é muito pouco difundida, más já é muito promissora. Contribui para o resgate funcional (atividades básicas e instrumentais da vida diária), promove benefícios cardiometabólicos e pode se executado por várias populações, inclusive as que tem doenças crônicas!
É isso! Vamos além de só sentar e empurrar/puxar pesos! Paz!
Araújo LHL, et al. Descending stair walking as exercise medicine. Br J Sports Med. 2025 Feb 3;59(3):141-143.
15/04/2025
Uma pesquisa realizada pela McKinsey Global Institute revelou que a obesidade representa o terceiro fardo social mais pesado no Brasil, atrás somente da violência e do alcoolismo. Esse trabalho também revelou que as consequências da obesidade representam um gasto equivalente a 2,4% do nosso PIB.
Um dos fatores que agravam o quadro é justamente a associação com a desnutrição, que pode atingir quase a metade dos indivíduos obesos.
Um estudo brasileiro investigou deficiências nutricionais em 93 homens e mulheres submetidos à cirurgia bariátrica. Os dados demonstraram que 75% apresentaram alguma deficiência, sendo as mais prevalentes de vitamina B12 (31%), ferro (29%), vitamina D (26%) e cálcio (14%). Outros estudos estrangeiros também relataram grande prevalência da deficiência de vitamina B1 (tiamina), zinco, vitamina A, ácido fólico e selênio.
💭
13/04/2025
Você não é incapaz. Só está sendo avaliado da forma errada.
Imagine a cena: uma sala cheia. O professor chega com um anúncio:
“A tarefa de hoje é simples: todos devem subir naquela árvore.”
O macaco abre um sorriso. O pinguim congela de nervoso. O peixe olha sem entender.
Todos têm o mesmo desafio. Mas cada um veio de um mundo diferente.
Esse é o retrato do SISTEMA EDUCACIONAL.
Ele ignora as individualidades. Supõe que todos devem aprender, pensar e agir da mesma maneira.
E aí, quem não se encaixa, começa a acreditar que está falhando.
Mas não está.
Como Einstein dizia: “Julgue um peixe pela sua habilidade de subir em árvores, e ele acreditará a vida inteira que não vale nada.”
A verdade é simples: você talvez esteja tentando vencer no jogo errado.
Se você nasceu para nadar, não há vergonha em não escalar.
Seu talento existe. Sua habilidade também. Só precisam do ambiente certo.
Então pare de se comparar.
Pare de se sentir menor.
Descubra onde você é forte. Invista nisso.
Porque é lá que você vai brilhar de verdade!
̂ÉÚnico ̂nciaEmocional ̧ãoDiária ̂ ̃oSeCompare ̂ntico ̂ ́nico
25/02/2025
A empatia do profissional da saúde pode aumentar a adesão do paciente ao tratamento e melhorar os resultados clínicos.
A relação paciente-profissional é vital entre os pacientes com dor crônica, porque os pacientes muitas vezes se sentem isolados, incompreendidos ou estigmatizados quando uma causa subjacente da dor não pode ser identif**ada.
Um profissional que é compreensivo, escuta, fornece informações de maneira clara, explica detalhadamente, é compreensível, empático, te faz sentir confortável e se interessa em você como pessoa em todas as suas dimensões faz total diferença para um tratamento ef**az! Muitas vezes mais que qualquer técnica empregada.
E você tem sido empático ou tem sido tratado com empatia?
Por
08/02/2025
Muita gente ainda diz que perder peso “não tem segredo”, basta comer menos do que gasta.
👉🏿Ocorre que embora de fato para emagrecer devemos fazer um déficit calórico, isso não é tão simples e uma das razões é que o quanto gastamos também se reduz conforme comemos menos e vamos emagrecendo.
👉🏿Isso pode parecer injusto (e pode até ser), mas existem várias razões para que isso ocorra; detalharei melhor:
1-Adaptação metabólica: nosso corpo (hipotálamo) considera que a perda de peso é um perigo pois signif**a que a comida se reduziu, e períodos de escassez podem signif**ar desnutrição no futuro. Assim, ele reduz o gasto energético como mecanismo de defesa (redução do hormônio T3, que ocorre por redução dos níveis de leptina, produzido pela gordura).
2-Redução da massa muscular: mesmo c exercício e bom aporte proteico, é raro que não se perca um pouco de massa muscular após emagrecer (~ 20-30% do que chamamos massa magra, água intra-celular e órgãos- são aceitáveis). Como o músculo é uma fonte de gasto de energia, se reduzo a quantidade dele, o gasto metabólico naturalmente cairá. Podemos, porém, sempre trabalhar para perder o mínimo de músculo!
3-Redução do esforço de se movimentar: esse é o menos conhecido, mas intuitivo. Coloque uma mochila de dez quilos nas costas e saia para passar. Ficará mais cansado que o normal. O oposto ocorre quando emagrecemos: o esforço para se movimentar se reduz, e gastamos menos energia. Para compensar, somente aumentando substancialmente a carga de exercícios!
👉🏿A relação entre gasto e ingestão calórica é mais complexa que muitos imaginam. Já discuti também sobre o aumento da fome após emagrecimento em outras postagens.
👉🏿Perder e manter peso é difícil, pois vai contra nossa fisiologia; mas é possível! Um bom jeito de começar é se despir dos preconceitos e da idéia de que “não tem segredo e sei o que tem que fazer”.
Ref.
Bonomi AG, Soenen S, Goris AHC, Westerterp KR (2013) Weight-Loss Induced Changes in Physical Activity and Activity Energy Expenditure in Overweight and Obese Subjects before and after Energy Restriction. PLoS ONE 8(3): e59641
08/02/2025
No mundo, o câncer que mais acomete os homens e causa alta mortalidade, é o de próstata. É vital que após os 50 anos de idade, procure-se o médico para os exames necessários, pois, um diagnóstico precoce facilitará o tratamento e salvará muitas vidas!
Uma grande preocupação no tratamento, são os efeitos colaterais. Pode ocorrer perda de libido, impotência sexual, anemia, perda óssea, depressão, ansiedade, confusão mental, ganho de gordura, ↑ do colesterol, ↑ da fadiga, pior controle glicêmico, perda de força e de massa muscular.
A depender da agressividade do(s) tratamento(s), a qualidade de vida reduz. Logo, f**a evidente a importância do exercício físico para atenuar os efeitos colaterais citados, reduzir o avanço e o processo de metástase da célula tumoral.
No estudo de revisão de Webber et al. (2024), foram levantados potenciais mecanismos do exercício no combate ao câncer de próstata. 👉🏿Um deles é a redução da gordura (emagrecimento) e colesterol, o que pode afetar a produção de hormônios androgênios.
👉🏿Alterações epigenéticas, na qual o exercício afeta expressão de microRNAs, permitindo menor expressão de genes que fazem o tumor progredir.
👉🏿O exercício tem efeito redox ou detox (↓ stress oxidativo), por ↑ enzimas antioxidantes e ↓ espécies reativas ao oxigênio, as quais danif**am estrutura e funcionamento das células.
👉🏿A angiogênese (↑ vascularização) reduz ambiente de hipóxia tumoral, permite melhor entrega de oxigênio, o que favorece melhor ação dos medicamentos.
👉🏿As Miocinas liberadas pelos músculos, atuando na ↓ de inflamação, crescimento, proliferação, migração, invasão do tumor e aumento da autofagia e morte celular programada.
Ainda falta maiores entendimentos, mas, a ciência avança! Ser um profissional diferenciado é estar atento a isso para ajudar mais pessoas! Se liguem!!
Webber M., et al. Effects of exercise training on prostate cancer: Current evidence and potential molecular mechanisms. Advanced Exercise and Health Science, 2024 sep;1(3):160-69.