26/06/2023
ME SUBESTIME. VAI SER DIVERTIDO!
Sempre gostei de fazer experimentos sociais. De chocar. De induzir uma expectativa nas pessoas e quebrá-la.
Se tem algo que adoro é ter uma aparência diferente da maioria. Durante os cinco anos da faculdade de Direito, a minha vestimenta era calça larga, tênis, blusa de rock e boné virado pra trás. Já como advogada autônoma, nas raras vezes que necessito ir ao fórum, o prazer é me vestir de kilt, coturno, blusa preta e coleira de caveira. E unindo a vestimenta excêntrica ao fato de eu ser mulher, aparentar ser mais nova do que sou, ao meu piercing, à minha mecha e ao meu olhar que por vezes entrega o meu acentuado déficit de atenção, o resultado não poderia ser outro.
É deveras prazeroso observar o choque que as pessoas têm ao me ver. A sutil virada de cara. E o extremo engano que cometem ao subestimarem meu Q.I.
Já me defendi em uma causa própria com alta carga emocional quando nem o juiz e nenhum auxiliar da justiça acreditavam no que eu estava fazendo. Deixei o promotor sem palavras diante de tamanha argumentação jurídica, autocontrole e retórica. Já criei tese, abri precedente e venci em todas as instâncias a chamada "causa impossível". Nunca perdi uma causa até então.
Na época da faculdade de Direito, eu via alunos ficarem boquiabertos com minhas explanações jurisprudenciais, a exemplo da minha apresentação sobre a LEP, medida de segurança, psicoses e oligofrenias. Os professores, sempre com o ar de surpresa na face, teciam os mais aduladores elogios, e não me faltaram convites para a escrita de artigos acadêmicos e pesquisas científicas.
Mas não atribuo esse fenômeno de surpreender as pessoas à minha suposta inteligência acima da média detectada em exames psicológicos. Atribuo, sim, ao pré conceito que a minha aparência provoca. Há anos venho provando às pessoas que elas erram feio ao me julgar.
E, como professora de produção de texto dissertativo argumentativo, tenho ensinado os alunos a transformar ditados populares em linguagem denotativa. Assim, através deste meu texto, ensino todos os leitores a transformar em linguagem denotativa, empírica e assertiva o seguinte ditado: AS VESTES NÃO FAZEM O SACERDOTE.