29/09/2026
GRUPO NO CHÃO
Uma posição pública em defesa da democracia, da soberania e dos direitos do povo brasileiro.
O Grupo de Apoio Mútuo Pé no Chão, organização da sociedade civil sem fins lucrativos, nasceu em 1994, no Recife, a partir do compromisso de educadoras e educadores com crianças e adolescentes que viviam nas ruas e nas situações extremas de exclusão social.
Ao longo de mais de três décadas, caminhamos junto às populações das periferias do Recife, construindo, por meio da educação popular, da arte, da cultura e da organização comunitária, caminhos para a autonomia, a dignidade e a garantia de direitos.
Durante toda a nossa história, o Grupo Pé no Chão nunca se manifestou publicamente em períodos eleitorais. Essa postura fez parte de nossa compreensão sobre o papel de uma organização da sociedade civil e de nosso compromisso com a pluralidade. Entretanto, há momentos em que o silêncio pode deixar de significar neutralidade e passar a significar omissão. É nesse sentido que, diante do atual cenário brasileiro, entendemos ser necessário afirmar publicamente alguns princípios que orientaram nossa caminhada desde 1994: a defesa da democracia, da soberania nacional, da ciência, da educação, da liberdade, dos direitos humanos e da dignidade das populações mais pobres e historicamente excluídas.
Não podemos ser indiferentes diante da disseminação de informações falsas, da desvalorização do conhecimento científico, do crescimento da intolerância política e religiosa, da violência como instrumento de disputa social e da possibilidade de estruturas criminosas e armadas ampliarem sua influência sobre as instituições e sobre a vida pública. Para quem trabalha diariamente nas periferias, essas questões não são abstratas, pelo contrário, fazem parte do nosso cotidiano.
Sabemos que quando a democracia se enfraquece, são quase sempre os mais pobres que primeiro sentem suas consequências. São as crianças e adolescentes das periferias que perdem oportunidades; são as famílias vulnerabilizadas que encontram menos proteção; são as mulheres, a população negra, os trabalhadores e as comunidades historicamente excluídas que ficam mais expostos à violência e à negação de direitos.
Por isso, defender a democracia, para nós, significa também defender o direito de uma criança brincar com segurança, estudar e sonhar. Significa defender o direito dos jovens das periferias de construir seu próprio futuro. Significa defender o direito das comunidades de ocupar as ruas e praças com cultura, arte, música, dança e conhecimento, e não com medo.
A experiência do Pé no Chão nos ensinou que a participação popular é uma força fundamental para transformar a realidade. Aprendemos com Paulo Freire que ninguém transforma o mundo sozinho e que a educação precisa contribuir para que as pessoas compreendam criticamente a realidade em que vivem e possam atuar sobre ela. É por isso que fazemos este chamado não à defesa de uma candidatura ou de um partido político, mas à consciência, à participação cidadã e à responsabilidade coletiva com o futuro do Brasil.
Que cada pessoa procure informações em fontes confiáveis, dialogue com respeito, conheça as propostas e os compromissos daqueles que pretendem ocupar espaços de poder e exerça seu direito de escolha de maneira livre e consciente. Que não aceitemos como normal a violência política, o autoritarismo, a perseguição às diferenças, o desprezo pela ciência ou a utilização do medo e da desinformação para manipular a população.
Que a soberania do Brasil seja compreendida como o direito de seu povo decidir democraticamente seus próprios caminhos, preservando sua capacidade de construir um país socialmente justo, economicamente soberano e comprometido com sua população. Depois de mais de 30 anos caminhando ao lado daqueles que vivem nas periferias do Recife, o Grupo Pé no Chão reafirma que não podemos desistir da esperança, da democracia e da capacidade do povo de transformar a realidade. Permaneceremos Pé no Chão: atentos à realidade, comprometidos com os que mais precisam e alimentados pela esperança de construir, coletivamente, um Brasil onde nenhuma criança, nenhum jovem, nenhuma mulher e nenhuma família sejam considerados descartáveis.
Democracia se constrói com participação.
Direitos se conquistam com organização.
A esperança se fortalece quando o povo não se cala diante das injustiças.
Grupo de Apoio Mútuo Pé no Chão
Recife – Pernambuco - Brasil