26/08/2021
Esse foi com certeza o post mais difícil de escrever até agora.
Se você perdeu alguém que amava para Covid, eu sei que você entende o que eu to dizendo.
A dor de ver quem você ama ir embora por negligência do Estado, e aqui me refiro ao Estado Nacional, é imensurável. São hoje milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.
Quando a pandemia começou a se espalhar aqui no Brasil, em março de 2020, eu acompanhava todos os números, todos os dias. Temendo pelo dia em que ela iria se espalhar pela cidade onde meu avô morava, no interior.
Com minha avó, morando mais próximo aqui de Recife, esse temor era ainda maior.
Eu acompanhei os dados até o dia em que cheguei à conclusão de que já tinha saído do controle e que, mais cedo ou mais tarde, chegaria na casa do meu avô.
Pouco mais de 2 meses depois, meu pai ligou para mim dizendo que meu avô havia sido internado com suspeita de Covid. Eu estava me arrumando para ir trabalhar na hora e a dor foi tão grande que eu não consigo descrever.
Eu já esperava aquele momento, mas não queria que ele chegasse.
Passei os dias seguintes me preparando para a notícia que viria 8 dias depois. Quando recebi a ligação da minha prima, exatamente 1 ano atrás, eu já sabia o que era antes mesmo que ela dissesse.
Naturalmente, isso não me impediu de f**ar triste e chorar sua partida nos dias que se seguiram.
Muito obrigada, vô, por tudo o que vivi com o senhor. Pelas partidas de dominó e canastra, nunca vou esquecer. Te amo pra sempre.
Ver meu avô partir sem poder me despedir, sem tê-lo visto há mais de dois anos, doeu muito em mim.
Fiquei pensando em como eu poderia fazer para estar mais próxima da minha avó, mas sem colocá-la em risco.
E assim tomei todos os cuidados no meu dia a dia, usando máscara sempre. Consegui vê-la em alguns aniversários, no Natal.
Passei a usar máscara N95/PFF2 em janeiro, quando mudaram as recomendações.
Esse ano nos encontramos 3 vezes. Me lembro bem da última vez que a vi. Ela estava muito feliz porque minha irmã também tinha ido e levado meu sobrinho, que tava com 1 ano e meio.
Foi lindo presenciar isso.
Pouco mais de um mês depois ela foi internada com Covid.
A situação dela se agravou, nos deu esperança de melhora e então piorou de novo.
Católica desde criança, ela se foi no dia de Nossa Senhora do Carmo.
Acho que por tudo o que a gente já sabe agora da pandemia, da falta de gestão na compra de vacinas, em que poderíamos ter iniciado a vacinação meses antes, apesar da dor da perda ser a mesma, parece que a ela se soma ainda um peso enorme.
Por hoje eu só gostaria que mais ninguém passasse por isso, mas sei que essa realidade ainda está distante de chegar.
Então se cuidem, usem máscara, de preferência PFF2/N95, evitem aglomerações, evitem sair para coisas não essenciais. Vacina é estratégia coletiva, só vai ser mais efetiva quando toda a população tiver tomado as duas doses.
A delta tá se espalhando por aí e começa a transmitir muito antes dos sintomas, então não vacilem. Protejam quem vocês amam. Vacinados também transmitem o vírus.