Alexandre Mattos

Alexandre Mattos

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1) Geriatria e Gerontologia;
2) Peculiaridades da medicina do idoso;
3) Aspectos da medicina especializada no cuidado com o idoso;

1) CEO e Diretor Médico do Instituto de Medicina do Idoso, Recife - Brazil;
2) Professor de Geriatria - Faculdade de Ciências Médicas - PE;
3) Exerceu, por duas vezes, a Presidência da Sociedade Brasileira de Geriatria - PE e outras diretorias na sociedade científica de Geriatria e Gerontologia;
4) Mestre em Ciências da saúde e medicina interna - UPE;

09/08/2026

04/08/2026

Robôs humanoides na saúde: o que é real e o que ainda é ficção?

Nos próximos 2 a 3 anos, certamente veremos robôs humanoides em atuação em hospitais e clínicas. Mas, talvez, não do jeito que os filmes de ficção científica sugerem.

O papel deles será auxiliar: levar materiais e medicamentos entre setores, monitorar ambientes e dar suporte à reabilitação e à interação social. Tarefas repetitivas, de baixo risco e sem contato direto com o corpo do paciente.

O que já funciona hoje, inclusive no Brasil, são robôs de logística — no Distrito Federal, um hospital público testa desde 2025 um robô que dispensa e entrega medicamentos.

Na geriatria, três frentes se destacam para utilização de robôs:
🔹 companhia e estimulação cognitiva
🔹 auxílio à mobilidade e reabilitação
🔹 monitoramento em casa e no hospital

A evidência mais consistente é a do robô terapêutico PARO, que mostrou reduzir agitação em idosos com demência. O efeito existe, mas é modesto e não funciona em agitação grave.

Não se trata de substituir profissionais. O ganho é de tempo: liberar a equipe do que é repetitivo para sobrar mais atenção onde só o cuidado humano funciona. Medicina aumentada, não medicina automatizada.

Barreiras técnicas, regulatórias, éticas e econômicas ainda são empecilhos. No Japão, mesmo com política pública e subsídios por mais de uma década, só 26,7% dos serviços de cuidado de longa duração adotaram algum robô.

Referências:

1.Pu L, Moyle W, Jones C, Todorovic M. Gerontologist. 2019;

2.Moyle W, et al. J Am Med Dir Assoc. 2018;

3.BMC Health Serv Res. 2026;

26/07/2026

Continuar dirigindo na fase idosa sempre é um dilema da família e da sociedade, se é ou não possível e até quando manter a direção veicular.

Mas, antes de comentar sobre o assunto, é importante trazer o que a Legislação Brasileira fala em relação a isso. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), não há uma idade máxima para dirigir, mas sim, é necessário que a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) seja renovada de acordo com a idade do condutor.
Para a renovação da CNH é importante seguir as orientações:

Condutores com menos de 50 anos: a CNH tem validade de 10 anos

Condutores com idade entre 50 e 69 anos: a CNH tem validade de 5 anos

Condutores com 70 anos ou mais: a CNH tem validade de 3 anos

Porém, além da validade da CNH, é fundamental a família ficar atenta às condições físicas e mentais do condutor e observar alguns sinais como: estar pouco atento, muito esquecido, não estar ouvindo ou enxergando com clareza, respostas lentas a situações inesperadas, se tem dificuldade de concentração ou fácil distração, se faz uso de medicamentos de risco para direção, dentre outros.

Mas não é apenas a idade cronológica que deve determinar a parada da direção veicular, pois se agirmos assim poderemos estar incorrendo em etarismo e causar, inclusive, danos à saúde do idoso.

Porém, se um desse sinais de risco para direção veicular estiver presente no idoso, converse com o geriatra e avalie com precaução a continuidade de conduzir veículos.

veicular

26/07/2026

Você conhece a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) no idoso?
Porque nem toda agitação noturna é sintoma comportamental da demência ou insônia.

A SPI é frequentemente subdiagnosticada no idoso e pode ser confundida com insônia, agitação noturna *sundowning* ou até demência. Muitos pacientes acabam recebendo sedativos sem investigação adequada.

No idoso, sempre pense em causas secundárias: deficiência de ferro, doença renal crônica, neuropatia periférica e medicamentos \(antidepressivos, antipsicóticos, anti\-histamínicos e antieméticos\).

O diagnóstico clínico exige a presença de:

✔️ vontade irresistível de mover as pernas
✔️ piora no repouso
✔️melhora com o movimento
✔️ piora à noite

Na prática: repouso → melhora ao mover → piora noturna.

Atenção também aos medicamentos que podem piorar ou causar SPI, como mirtazapina, venlafaxina, ISRS, antipsicóticos, metoclopramida e anti-histamínicos sedativos.

O tratamento começa com o essencial: corrigir a causa de base, revisar medicações, repor ferro quando indicado e orientar higiene do sono e hábitos saudáveis.

Quando necessário, os gabapentinoides são hoje a principal opção no idoso, enquanto agonistas dopaminérgicos perderam espaço pelo risco de augmentation (piora dos sintomas).

Prof. Alexandre de Mattos
Geriatra • UPE • IMEDI

18/07/2026

Do mini eu ao eu de agora: a mesma curiosidade de sempre, hoje dedicada à medicina, à geriatria, ao ensino médico e à ciência do envelhecimento. O tempo passa para todos nós…

13/07/2026

ESTATINA EM ALTA DOSE OU ESTATINA MODERADA + EZETIMIBA EM IDOSOS DE ALTO RISCO CARDIOVASCULAR?

Uma sub-análise do ensaio clínico randomizado SaveSAMS, publicada agora em julho de 2026 no Journal of the American Heart Association, avaliou 318 pacientes com 70 anos ou mais e doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida.

Durante seis meses, foram comparadas duas estratégias:

➡️ Rosuvastatina 20 mg
➡️ Rosuvastatina 5 mg + ezetimiba 10 mg

As duas opções apresentaram redução semelhante do LDL-colesterol e alcançaram as metas terapêuticas com frequência comparável. Entretanto, a combinação de estatina em menor dose com ezetimiba apresentou algumas vantagens:

✅ Menor ocorrência de sintomas musculares: 0,7% versus 5,4%
✅ Maior redução do colesterol não-HDL
✅ Menor aumento da lipoproteína(a)
✅ Tendência a menor incidência de diabetes

Esses resultados reforçam que, em idosos com doença cardiovascular estabelecida, a associação de estatina em dose moderada com ezetimiba pode oferecer eficácia lipídica semelhante à estatina de alta intensidade, com melhor tolerabilidade.

Na prática geriátrica, essa estratégia pode ser especialmente útil em pacientes com maior risco de efeitos adversos, sintomas musculares, fragilidade, polifarmácia ou dificuldade de adesão.

A escolha, entretanto, deve ser individualizada, considerando risco cardiovascular, metas de LDL-colesterol, tolerância, funcionalidade e preferências do paciente.

Análise: Prof. Alexandre de Mattos
GERIATRIA | UPE | IMEDI

13/07/2026

Hoje foi a Cerimônia da Aula da Saudade da Turma 114 de Medicina da FCM / UPE, onde vivi um daqueles momentos que ficam para sempre na memória e no coração.

Ter sido escolhido como professor homenageado por uma turma tão especial é uma honra que recebo com profunda e eterna gratidão. Obrigado, Turma 114, pelo carinho e por me permitirem fazer parte da história de vocês.

Que a medicina seja sempre exercida com ciência, humanidade e propósito. Tenho muito orgulho de cada um de vocês!

12/07/2026

🍷 O vinho protege o coração? A ciência hoje diz que não.

Por quase 50 anos, repetiu-se que uma taça de vinho por dia faria bem ao coração. A ideia nasceu do “paradoxo francês” e de estudos que mostravam uma curva em “J”: quem bebia pouco parecia adoecer menos que abstêmios. Mas havia um problema.

Muitos “abstêmios” desses estudos já tinham parado de beber por doença (o chamado sick-quitter bias). E quem bebia pouco costumava ter mais escolaridade, melhor dieta, mais atividade física e menos tabagismo. Ou seja: não era o vinho que protegia — era o estilo de vida.

Quando esses vieses são corrigidos, o benefício desaparece. Uma meta-análise com mais de 4,8 milhões de pessoas não encontrou redução de mortalidade no consumo leve. E os estudos mais rigorosos são justamente os que menos acham “benefício”.

👴🏻 No idoso, atenção redobrada: o álcool dura mais no organismo e, junto com fragilidade, quedas e polifarmácia (benzodiazepínicos, anticoagulantes, hipoglicemiantes), o risco se multiplica.

📌 A mensagem: vinho não é remédio para o coração. Quem não bebe, não deve começar. Quem bebe, quanto menos, melhor. Os polifenóis do vinho você encontra na comida — sem o etanol junto.

Referências:

1. Zhao J, et al. JAMA Netw Open. 2023;6(3):e236185.
2. Biddinger KJ, et al. JAMA Netw Open. 2022;5(3):e223849.
3. George S, et al. J Stud Alcohol Drugs. 2026;87:621-638.

07/07/2026
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