03/07/2021
Oficina Lit & Fem 2021
literatura & antiautoritarismo
Muitas respostas estão nos livros. Desde a década de 90, antes do Google, que eu procuro compreender a vida e a sociedade a partir da leitura. Muito, muito antes de conhecer a estrutura das narrativas e estudar teorias literárias, as páginas já se abriam como possibilidades para os meus olhos atentos e curiosos porque a literatura é um caminho para existir dentro e fora do mundo.
Há muito tempo, estou pensando nos governos totalitários e autoritários, que surgiram após a Primeira Guerra Mundial, mas ainda nos assombram. Por isso, pesquisei sobre livros publicados por escritoras que atravessaram períodos tão difíceis quanto o nosso e transformaram as suas dores em obras literárias.
Já lemos muitas histórias narradas por homens, mas precisamos ler as narrativas das mulheres. Como elas representam as dificuldades das guerras? Quais são as suas memórias? Quem são as personagens desses livros?
Acredito que a leitura é um dos caminhos que pode nos ajudar a não esmorecer diante do autoritarismo vigente aqui no Brasil. Então, escolhi a representação ficcional de períodos históricos desde o fascismo italiano (1922 - 1943) até o genocídio em Ruanda (1994) para nos acompanhar e encorajar na luta pela reconstrução da nossa democracia fragmentada. A cada encontro, duas obras serão analisadas comparativamente, com destaque nos trechos, linguagens e estruturas literárias que as aproximam — ou as distanciam —, nos fazendo refletir e ressignificar os nossos dias. Vamos?
Aulas via Google Meet, no último sábado de cada mês (exceto dezembro), das 15:00 às 18:00
Inscrições pelo Sympla ou por pix - [email protected]
Oficina Lit & Fem 2021: literatura & antiautoritarismo
Sábado, 31 de julho de 2021, 15h-18h
26/01/2021
Virginia Woolf (1882 - 1941) — mulher, escritora, editora, revisora, feminista... Entre tantos outros títulos nunca suficientes para definir a grandeza dela, a aniversariante do dia! ♥️
“[...] a característica mais importante que um leitor pode ter: sua independência” — Mulheres e ficção (Kindle)
“E há uma dignidade nas pessoas; uma solidão; mesmo entre marido e mulher há um abismo; e isso é algo para se respeitar, pensou Clarissa, observando-o abrir a porta; pois não dá para abrir mão disso, arrebatar isso do próprio marido, contra a vontade dele, sem perder a própria independência, o respeito próprio — algo, no final das contas, que não tinha preço” — Mrs. Dalloway, p. 147 - 148 (Penguin)
“De fato, se a mulher não existisse a não ser na ficção escrita por homens, era de se imaginar que ela fosse uma pessoa da maior importância; muito variada; heróica e cruel, esplêndida e sórdida; infinitamente bela e horrenda ao extremo; tão grandiosa como um homem, para alguns até mais grandiosa. Mas isso é a mulher na ficção. Na vida real, [...] ela era trancada, espancada e jogada de um lado para outro.
[...] Ela permeia a poesia de capa a capa; está sempre presente na história. Domina a vida de reis e conquistadores na ficção; na vida real, era a escrava de qualquer garoto cujos pais lhe enfiassem um anel no dedo. Algumas das palavras mais inspiradas, alguns dos pensamentos mais profundos da literatura vieram de seus lábios; na vida real, ela pouco conseguia ler, mal conseguia soletrar e era propriedade do marido” — Um teto todo seu, p. 65 - 67 (Tordesilhas)
25/01/2021
Última semana para concluir a leitura de janeiro! 💁🏻♀️ Saudade da 📚
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Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
Leitura de dezembro de 2021
O livro tem 952 páginas e há 52 semanas em 2021. Mas ele será lido em 50 semanas para terminarmos com folga. Dividindo 952 páginas por 50 semanas, ficamos com 19 páginas por semana.
Porém, vamos arredondar para 20 páginas por semana, que significa 3 por dia — arredondando para mais também — e seria um total de 21 por semana para quem preferir ler por dia.
Todo mês vamos postar um cronograma, viu? 🗓
Ah, é importante que vocês saibam que estamos oferecendo uma opção de leitura, mas cada pessoa pode e deve ficar à vontade para ler como e quando quiser.
E vamos dar mais uma sugestão: você pode utilizar o app Cabeceira — desenvolvido pela , mas aberto a todas as pessoas —, descobrir o seu ritmo de leitura (há um teste para saber em quanto tempo você lê) e definir a sua meta (em quantos dias você quer terminar de ler?). Então, o aplicativo te diz o tempo necessário para concluir a leitura e você atualiza as páginas lidas lá. Você também pode ativar um lembrete diário no horário em que prefere ler. É bem interessante e estimulante!
E aí, vamos concluir esse desafio com a gente? 💜
̧alves ́rio ̂podelermais
20/01/2021
Rasguei um pedaço do mapa
de modo que o Grand Canyon continua
na minha mesa de trabalho
onde o mapa repousa
desde então minha mesa de trabalho
termina subitamente num abismo
Ana Martins Marques — O livro das semelhanças
Grand Canyon National Park, 2015
18/01/2021
salvo engano o futuro não se imprime
como o passado nas pedras nos móveis no rosto
das pessoas que conhecemos
o passado ao contrário dos gatos
não se limpa a si mesmo
Ana Martins Marques — O livro das semelhanças 💙
18/01/2021
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Mônica Calazans, na linha de frente contra o Coronavírus e símbolo de esperança e luta contra esse governo omisso!
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15/01/2021
Flashback emocionante do Leia Mulheres Olinda, clube de leitura que amo e participo como mediadora, com Katarine Araújo, minha amiga e parceirona em vários projetos ❤️
Quando eu voltei para casa — há quase um mês — já muito grata e feliz por ter saído do hospital, eis que uma revista do Leia Mulheres Olinda estava me esperando no meu e-mail.
Amor em revista, com cartas de amigas e leitoras que participam do Leia Mulheres. Elas me abraçaram com palavras afetuosas e à espera da minha volta. Li e reli tudo com muitas lágrimas e sorrisos.
A ideia da minha mana de leituras e lutas, Mikaela, foi colocada em prática por Tati, mais uma querida ao meu redor, que construiu essa diagramação bonita e sensível, assim como todas as cartas.
Não consigo mensurar a minha gratidão diante de tanto amor e carinho recebido. Muito obrigada, minhas meninas❣️❣️❣️
28/11/2020
por Anastasia Divinskaya, representante da ONU Mulheres no Brasil
A violência contra as mulheres e meninas é uma grave violação dos direitos humanos. Tem uma implicação devastadora na vida das mulheres, das suas famílias e comunidades, bem como de toda a sociedade. Trata-se de uma pandemia e o Brasil não é exceção. No entanto, a questão da violência é geralmente silenciada. A violência doméstica é considerada um assunto privado e interno às famílias. Em geral, as sobreviventes da violência não denunciam com medo de serem culpabilizadas pela sociedade. Assim, os dados existentes não são consistentes e não fornecem o quadro preciso da situação real em relação à violência contra as mulheres e meninas.
O manto de silêncio também protegeu os perpetradores de agressões contra mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres LBTI e outras mais em situação de vulnerabilidade em função de seu pertencimento étnico-racial, viver em situação de pobreza ou com HIV, ter alguma deficiência, sua idade ou natureza do seu ativismo, como acontece com mulheres defensoras de direitos humanos. Estas mulheres são as mais afetadas, as menos visíveis e as que têm mais a ganhar com a força coletiva das vozes que advogam pelos direitos e pela justiça social ao vislumbrar e perseguir uma profunda mudança cultural.
É por isso que este ano nos concentramos em lançar luz sobre essas mulheres historicamente invisibilizadas por meio da nossa campanha “Onde você está que não me vê?”, reforçando o compromisso da campanha UNA-SE em contribuir com a construção de um mundo livre de violência a ser desfrutado por todas as mulheres e meninas.
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05/11/2020
Meu voto é feminista! 💁🏻♀️
Obrigada, Dani! 💜💛
04/11/2020
Meu corpo desfigurado
No campo de batalha
É meu lugar de fala
Ane Montarroyos
04/11/2020
A discussão sobre a cultura do estupro é inesgotável e
continuará na ordem do dia enquanto o corpo de meninas
e mulheres for violado para satisfazer o prazer de
misóginos à espreita de sua vulnerabilidade.