05/09/2026
O ano era 2011, quando um homem de 42 anos teve a orelha decepada após abraçar o filho no interior de São Paulo. Na ocasião, jovens “confundiram” os dois com um casal gay e se acharam no direito de cometer tamanha barbaridade.
Corta para 2026, o ator João Victor Gonçalves foi vítima de outra face conhecida da homofobia: o escárnio. Ser branco, famoso e estar representando um personagem que trata da violência homofóbica não foi suficiente para impedi-lo de sofrer um ataque ao vivo, via streaming, por jovens que se sentiram à vontade para ridicularizá-lo na rua.
Guardadas as devidas proporções, ambos os casos têm algo profundamente em comum: ninguém está livre de sofrer homofobia. Ser branco, hétero, ter visibilidade, dinheiro, prestígio, religião cristã, votar na direita (sic), nada disso impedirá qualquer um de nós de ser alvo de ataques do gênero.
Para se tornar estatística basta que você fuja minimamente daquilo que ainda se ensina em torno da masculinidade, ou seja, qualquer indício de afeto entre homens ou conduta/vestimenta que divirja do modelo Red Pill de comportamento já é o bastante para que qualquer indivíduo seja discriminado ou violentado.
Na episódio do ator global ainda há o agravante da reprodução, em tempo real, do acontecido. Não se trata apenas de focar nos autores do fato, os quais são inegavelmente culpados, mas em todos aqueles que dão audiência para esse tipo de espetáculo dantesco.
Na rede, há muitos que se regozijam com a morte da comunidade ou que negam este fato, mesmo com dados comprovados sobre isso. Tamanho desdém vem da negligência política e da falta de uma educação que coloque as pautas se***is no epicentro do debate educacional.
Sem isso, jovens seguem crescendo homofóbicos, misóginos e transfóbicos, porque continuam a ser educados a naturalizar tais violências. Enquanto pouco é feito para reverter esse cenário, LGBT’s anônimos, pobres, pretos e periféricos seguem sendo alvos de chacota, no mundo real ou virtual.
Já que não há uma tipificação para aqueles crimes, só nos resta expor esses escrotos, punir as plataformas onde eles fazem sucesso e reiterar que, no Brasil, ninguém está livre sofrer homofobia.