15/09/2026
Falar sobre qualidade de vida é também refletir sobre o que entendemos por uma vida satisfatória.
Um editorial científico publicado em 2026 na revista Applied Research in Quality of Life, ao fazer um balanço dos últimos 30 anos de pesquisas sobre qualidade de vida, aponta uma mudança importante na forma como o conceito vem sendo compreendido.
Qualidade de vida já não pode ser pensada apenas a partir de indicadores econômicos, mas precisa ser compreendida como um fenômeno multidimensional, contextual e interdisciplinar.
O futuro do bem-estar humano dependerá menos de simplesmente aumentar riqueza, bens materiais ou tecnologia e mais de compreender quais condições, relações e valores efetivamente sustentam uma vida que as pessoas considerem boa.
Isso envolve diferentes dimensões da existência: saúde física e psicológica, relações, família, trabalho, comunidade, valores, condições sociais, ambiente e sustentabilidade. Parece óbvio, mas produz uma consequência importante: não é possível compreender a satisfação com a vida olhando para uma única dimensão.
Nas últimas décadas, também aumentaram as iniciativas destinadas a melhorar a qualidade de vida e o bem-estar, como psicoterapias, intervenções familiares, programas de desenvolvimento, iniciativas organizacionais, políticas públicas e programas sociais.
Ao mesmo tempo, houve uma mudança na própria compreensão do bem-estar: de uma perspectiva centrada apenas em problemas e patologias para uma abordagem que também considera aspectos como resiliência, esperança, perdão, gentileza e aceitação.
Talvez por isso, pensar sobre qualidade de vida também seja pensar sobre as escolhas que fazemos e os critérios que utilizamos para avaliar a própria vida.
A carreira ocupa uma dessas dimensões. E, quando uma parte tão signif**ativa da nossa vida é dedicada ao trabalho, pensar sobre carreira implica também pensar sobre que lugar queremos que ela ocupe na construção de uma vida que consideramos satisfatória.