Instituto Hugo de São Vítor

Instituto Hugo de São Vítor

Compartilhar

O Instituto Hugo de São Vítor promove cursos e atividades ligadas à alta cultura.

24/06/2026

Ler a literatura clássica ocidental sem os mitos? Impossível. Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare: todos constroem sobre um mundo habitado por deuses, heróis e criaturas que a razão não explica, mas a imaginação reconhece. Quem desconhece os mitos lê as palavras. Quem os conhece lê o sentido.

23/06/2026

Apuleio, escritor latino do século II d.C., deixou, em uma obra chamada Florida, uma imagem que vale guardar. Ele compara o homem estéril para a virtude aos infelizes que recebem por herança campos pedregosos, só rochas e espinhos, onde não nasce nada de valor, onde apenas grassa a aveia brava e o inútil joio. Sem colheita própria, saem a afanar os frutos alheios, a saquear jardins vizinhos, e misturam as flores do próximo aos cardos que trazem em si.

Mas quem é estéril para a virtude? Nenhuma alma criada por Deus nasce incapaz de se cultivar. A alma estéril se fez estéril por suas próprias ações e omissões. Ela se esteriliza quando, diante da oportunidade, recusa os estudos e deixa entregue às pragas o intelecto que recebeu para cultivar. A culpa é nossa e de mais ninguém, pois há tempo, há dinheiro, há meios, há professores, há cursos. Falta vontade e resolução, e essa falta já acusa o nosso estado inculto.

Depois vêm os dias, os meses e os anos envelhecendo na opção pela ignorância. Acumulam-se em nós, como a cinza, o pó e o m**o num depósito abandonado, as perguntas sem resposta, as dúvidas que vão entrevando a alma, as meias-respostas que dão engulho, os sentimentos enjaulados, os pensamentos como caniços quebrados e pavios que só fumegam no ar. E tudo o que vem a reboque: a confusão, a ansiedade, a depressão, o niilismo.

Pior coisa é se esconder atrás de desculpas como a burrice, os deveres da vida ou a pobreza de nascença. Quanto mais se estuda, mais se conhecem exemplos de pessoas metidas em encrencas muito piores que as nossas e que, ainda assim, triunfaram. Melhor é nos calarmos diante disso, e, pelo menos, não reclamarmos. Pois essas desculpas, no fim, só existem por causa da mesma ignorância que tentam justif**ar.

22/06/2026

Se na leitura você se encontra completamente passivo aos personagens, situações descritas, você não conseguira tirar fruto algum de suas leituras. Ter a capacidade de sair de si e entrar no personagem, procurar compreende-lo, é o que enrriquece a nossa imaginação. Deve haver um cultivo destes personagens no seu interior.

19/06/2026

Você decidiu que não vai estudar. Entende-se: é caro, é árduo, e parece não render nada de tangível. Mas tem uma pergunta que sempre aparece depois dessa decisão, mesmo que ninguém queira fazer ela em voz alta: se eu seguir assim pelo resto da vida, o que vai acontecer comigo?

No primeiro momento, nada acontece. Nada mesmo. Você está aí, no mundão, fazendo o que todo mundo faz: trabalhando, curtindo, jogando conversa fora, vendo série, repetindo opinião que ouviu em algum lugar sem nunca parar para examinar se faz sentido.

Por fora, você é só mais um, igual a tantos outros que também não usam direito a inteligência que receberam. O problema é outro, e é mais sério do que parece à primeira vista: você nunca vai saber o que essa escolha custa lá na frente.

Faz sentido pensar assim. Você abriu mão justamente da parte de você que se interessa por entender as coisas. Como então enxergar as consequências de uma escolha que você fez exatamente para não precisar enxergar nada? A conta não fecha.

Quem decide não examinar a própria vida não vai conseguir examinar o que essa decisão produz. Esse é o primeiro preço, talvez o mais traiçoeiro de todos: você vai viver com consequências que nem percebe que existem. Pensar é como malhar. Quando você para de exercitar, o músculo atrofia, e depois de um tempo dói até levantar peso leve de novo.

Com a cabeça é igual. Por fora está tudo bem, trabalho, lazer, rotina normal. Por dentro f**a acumulada a pergunta que nunca foi feita. Mais cedo ou mais tarde, sem avisar, ela cobra a conta.

19/06/2026

Este trecho foi retirado de nosso vídeo denominado “Você pensa?”. Um chamado a meditarmos se, de fato, somos papagaios de pensamentos ou se pensamos. Assista ao vídeo completo em nosso canal do YouTube.

Acesse nossa livraria. Link na Bio.

16/06/2026

A falta de uma busca pelo conhecimento passa por muitas justif**ativas. As circunstâncias em que nos encontramos, sejam materiais ou familiares, bem como as nossas autocomplacências, podem nos dominar. Estudar requer esforço em vista de um bem maior.

Este trecho foi retirado do nosso vídeo "Por que você escreve mal?". Acesse o nosso canal e assista ao conteúdo na íntegra.

10/06/2026

“Se te imito nos transes da ventura,
Não te imito nos dons da Natureza”.

Assim o segundo maior sonetista português termina o que dedica ao maior, ao inapelável e inevitável maior de todos, aquele que foi, em tudo que expressou, o maior. Camões, grande Camões! Hoje é teu dia. Tu, que foste o símbolo que os republicanos portugueses usaram para seu estandarte – até isso foste. O único caso em que um novo sistema político foi inspirado pelo desprezo a uma obra poética. Mas que obra!

Foste o cantor da hora mais gloriosa daquele rosto de Europa, Portugal. Foste o cantor do amor, o último dos trovadores, cantor melífluo e inigualável. O fundador da língua que falamos, que esta era bem diversa do que hoje é, antes de ti.

Numa vida errante, mas não errada, fundaste muito do que somos, os que falamos português. Contra a falta de estudos formais, contra um espírito tumultuoso, contra a invídia, a indiferença, o abismo, a guerra, a prisão e a pobreza, nos fundaste.

E que temos feito, que temos construído sobre esse legado que não perece? Parece que pouco. Quem te imita, quem te estuda, quem sequer te lê? Falta muito! E tem sido assim há muito tempo…

Mas olha cá, desde as alturas da glória, onde da lei da morte te libertaste. Celebramos hoje ela, a tua morte, mas como que a despeito dela. Olha cá, e não fiques mui desenganado. Pois ainda alguns te lemos, ainda te estudamos e ainda te buscamos imitar, por mais que te eleves; e ainda te proclamamos: o maior de nossa língua.

Olha cá, queremos dizer, para estoutro país, que fala a mesma língua tua, ainda que com tons diversos. País que nunca viste, mas que te vê e que em ti pode buscar o modelo que imitar. Basta, para isso, a tua obra. No que nos toca, não vai ela f**ar às traças. Aqui também terás imitadores.

Assim, que alguns desses teus dons, a despeito de tua desventurosa ventura, aqui também se semeiem, para que algo da tua glória também nos toque, na esperança que ela e nós aumentemos.

10/06/2026

Neste trecho do vídeo “Como Ler um Clássico”, o professor Mário nos mostra um dos motivos pelos quais muitos não conseguem tirar frutos de suas leituras. Para exemplif**ar isso, ele faz um exercício utilizando duas estrofes de Os Lusíadas.

10/06/2026

Há um conceito bastante atual e até jocoso que corre pelos vídeos e conteúdos da internet e chega, claro, às conversas do mundo real: o "pobre premium", ou a gourmetização do simples. Que é, no fundo, a boa e velha maquiagem do que é essencialmente pobre ou fraco.

Pega-se um sujeito meio miserável, dão-se-lhe umas roupas novas e um carro de última geração, e pronto: o sujeito, que em nada mudou no essencial, já f**a muito mais atraente. Isso já aconteceu com a comida. O bom e velho "podrão" honesto ganha ares de alta gastronomia quando servido num cenário superinstagramável com raspas de trufas brancas por cima.

Poderíamos citar várias outras searas onde isso vem acontecendo, mas f**aremos com a nossa. A da educação.

O que antes era uma baixa educação, perfis de gente dando dicas, um livrinho aqui, outro acolá, algo despretensioso que sabia o seu limite e o respeitava, sofreu o mesmo fenômeno. Começaram a revestir essa baixa educação com um Aristóteles aqui, raspas de São Tomás ali, estética clássica, pitadas de grego, latinismo e Tradição da Igreja. E temos o que poderíamos chamar de baixa educação premium.

Os elementos são de alta cultura. Mas vê-se, no modo como essas pessoas se comunicam e tentam explicar conceitos filosóficos, que não saíram do universo da baixa educação. Não se formaram, não entenderam o caminho, não passaram pelo processo árduo que lapida o verdadeiro intelectual. Eles só se maquiaram.

E o que isso tem de ruim? Muito. Cria uma ilusão para quem começa a frequentar esse "ambiente": acha que está no suprassumo da vivência intelectual, quando está apenas consumindo um simulacro.

A diferença entre o simulacro e a formação real não está nos autores citados nem nos cenários construídos. Está no que acontece dentro de quem estuda.

Aristóteles dizia que todos os homens desejam naturalmente o conhecer, mas esse desejo, quando alimentado de aparências, adormece satisfeito sem ter encontrado coisa alguma.

A formação verdadeira não adorna nem agrada. Exige, e exige muito. Não raspas de alta cultura, mas a alta cultura ela mesma.

Photos from Instituto Hugo de São Vítor's post 08/06/2026

Não quer seguir as instruções dos professores? Quer escolher pelo que lhe parece mais fácil e atraente? Então pode esquecer. Nunca dominará nem o básico.

Quer que seu escola/colégio seja a primeira Escola/colégio em Porto Alegre?

Clique aqui para requerer seu anúncio patrocinado.

Localização

Entre em contato com a escola/colégio

Telefone

Endereço


Avenida Independência 944
Porto Alegre, RS
90035072

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 17:00
Terça-feira 09:00 - 17:00
Quarta-feira 09:00 - 17:00
Quinta-feira 09:00 - 17:00
Sexta-feira 09:00 - 17:00