Marina Kiener

Marina Kiener

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Compartilho conteúdos focados em evolução pessoal, qualidade de vida e superação de desafios.

Sou especialista em psicopedagogia, com pós-graduação no Instituto Pichon-Rivière, MBA em neurociência e comportamento em andamento na PUC-RS e também sou estudiosa da Kabbalah há 20 anos.

26/08/2026

Existe um padrão que funciona assim. Você nota o que está faltando antes de alguém pedir, e já resolve. Diz sim com o corpo cansado. Adianta a conversa difícil pra poupar o outro do desconforto, e ainda sai achando que podia ter feito melhor.

Isso começa cedo, quando cuidar dos outros vira a forma mais segura de ser vista. Muita gente se identif**a com essa descrição na hora. O que quase ninguém sabe é o que fazer depois desse reconhecimento.

Uma de vocês escreveu isso em um post recente, com uma precisão que ficou comigo: "difícil é identif**ar um padrão, e depois administrá-lo". Outra completou, em outro dia: "é tão mais fácil fazer o conhecido."

As duas estão certas, e existe uma explicação concreta pra isso.

Reconhecer acende a luz. O caminho neural continua ali, aberto, com décadas de repetição em cima dele. O cérebro escolhe o atalho conhecido porque ele custa menos energia, mesmo quando o destino desse atalho machuca.

A Kabbalah chama isso de Tikun, o trabalho de refinar um desejo que continua vivo, elevando a intenção que existe por trás dele, da carência para a abundância.

Tem uma sequência que funciona no instante exato em que o impulso dispara. São quatro movimentos, e eles cabem em poucos minutos.

O primeiro é rotular. Você sente o corpo se adiantando e dá nome ao que está acontecendo. "Isso aqui é o padrão." Nomear na hora da consciência.

O segundo é reatribuir. Você devolve a causa pra origem verdadeira, ou seja, olha a intenção por trás do ato. Um circuito antigo disparando, treinado durante décadas, fazendo exatamente aquilo pra que foi construído.

O terceiro é refocar. Você se ocupa de algo diferente por dois minutos. O impulso perde força sozinho quando ninguém alimenta ele.

O quarto é revalorizar. Depois que passa, você repara no que aconteceu. Você continuou inteira. E o desconforto de ter esperado durou bem menos do que você imaginava.

Cada vez que você completa os quatro, começa um caminho novo. É uma prática que requer repetição, constância. Dá pra caminhar sozinha nisso, mas com método e companhia, o processo acelera muito.

Em qual dos quatro você acha que vai travar mais?

Salva esse post agora para reler depois.

24/08/2026

Existe um jeito de amar que parece generosidade e é, na prática, sobrevivência.

A vigilância de notar tudo que falta ao redor. A pressa de ajudar antes de ser pedida. A dificuldade de dizer não, porque dizer não parece colocar em risco o quanto você é necessária pra alguém.

Isso costuma ter uma origem concreta. Muitas crianças crescem em ambientes disfuncionais e aprendem, ainda pequenas, que pertencer depende de ser útil. Desenvolvem uma sensibilidade apurada pra ler o entorno, preencher os espaços, se antecipar ao que o outro precisa, porque foi assim que garantiram cuidado.

Esse mecanismo nasceu pra proteger uma criança. O problema é que ele segue rodando sozinho na vida adulta, e vira uma mulher que ama muito, entrega muito, e ainda sente uma distância enorme do que ela mesma sente e precisa.

Uma pessoa colocou em palavras com uma precisão rara: "Sempre essa questão de ser útil, ajudar, ser a boazinha [...] você não podia dizer não [...] faz a gente se sentir percebida e amada." Outra nomeou o próprio papel: "Eu sei que sou a Salvadora [...] se eu não for bonita o suficiente, se eu não for inteligente o suficiente, eu vou ser útil, diferente das outras."

A Kabbalah fala nisso como um processo evolutivo. Fala na Sulam, a escada que se sobe a partir do Tikun e das correções que a gente faz ao longo da vida. A neurociência, pela neuroplasticidade, descreve esse mesmo movimento com outro vocabulário: a capacidade real que o cérebro tem de ampliar a percepção que você tem do mundo, e junto dela, a forma como você pensa, sente e age. Pensamentos, emoções e ações são três eixos da Árvore da Vida e cada correção impacta alguma área.

Mas nenhuma escada sobe sozinha, e nenhum caminho neural se forma sem o primeiro passo consciente.

E o primeiro passo é sempre esse.
Reconhecer.

Você se identif**a com isso?

Se alguém te veio à cabeça enquanto você lia isso, compartilha esse vídeo com essa pessoa agora. E salva aqui também pra voltar sempre que precisar lembrar.🤍

23/08/2026

Existem pessoas que sentem, no próprio corpo, o peso do bem-estar de todo mundo ao redor.

Se alguém f**a confuso, elas já estão tentando resolver. Se alguém f**a triste, elas já entraram na cena, antes mesmo de serem chamadas.

O olhar está sempre na demanda do outro.
Isso tem um nome. Sobrecarga.
E tem uma origem simples de entender, difícil de perceber sozinha. Em algum momento, cuidar dos outros virou a forma mais segura de ser vista. O corpo aprendeu esse caminho cedo, e repetiu tantas vezes que hoje parece personalidade, quando na verdade é hábito.

Quando você carrega uma responsabilidade que nunca foi sua, alguma coisa acontece do outro lado também. A pessoa perde a chance de descobrir que ela mesma dava conta.

Cuidar demais também pode ser uma forma de duvidar da capacidade de quem você ama.

Essa semana, numa das minhas mentorias, uma mentorada usou uma imagem que ficou comigo. "Eu tenho cinquenta e cinco anos e ainda carrego a mochila dos outros. Sempre." Foi ali, na frente do grupo, que ela percebeu que carrega mais a mochila dos outros do que a dos próprios filhos. E o alívio veio no mesmo instante, porque nomear o peso já é o começo de soltar ele.

Antes de entrar na próxima demanda que não é sua, uma pergunta ajuda mais do que qualquer esforço. Isso é meu, ou eu decidi que era meu?

O primeiro passo é sempre se dar conta, resolver vem depois disso.

Que mochila você está carregando essa semana que, se parar pra pensar, nunca foi sua?

Guarda esse vídeo pra reler sempre que sentir o corpo entrando numa cena que não é dele, e também compartilhe com alguém. 🤍

21/08/2026

Você espera mais um sinal. Você pede mais um tempo. Você adia a resolução até sentir uma certeza que talvez nunca chegue por completo.

A Parashá Ki Tetze, que signif**a quando saíres, abre com uma cena de guerra e ensina que, ao sair para enfrentar o inimigo, D´us já entregará essa conquista em suas mãos, antes mesmo do primeiro confronto.

O Zohar lê essa cena como um convite interior. Vencer a inclinação que ainda hesita é a batalha real. Quem age com convicção já venceu, porque a certeza precede a guerra, não a segue.

Qual movimento você já sabe que precisa fazer, mesmo sem enxergar ainda todo o êxito que ele carrega?

Shabat Shalom 🤍

20/08/2026

Você já se pegou tentando salvar alguém que nem pediu ajuda?

Existe um padrão que a gente aprende muito cedo, a criança emocionalmente negligenciada aprende que o amor depende de ser útil. Na vida adulta, isso vira um imã pra relações onde é preciso salvar pra ser amada, quase como a Dorothy de O Mágico de Oz, sempre resolvendo o problema de todo mundo no caminho, menos o dela.

Eu vejo isso o tempo inteiro nas mulheres que chegam até mim, e reconheço em mim mesma, aprendi cedo que ser útil era a forma mais segura de ser amada.

Olhe pros últimos relacionamentos importantes da sua vida. Você entrou porque quis, ou porque foi chamada pra salvar ou consertar alguma coisa. Não precisa responder isso hoje, só reconhecer já é o primeiro movimento.

Guarda esse post pra reler, e manda pra alguém que também tenta salvar todo mundo.

Photos from Marina Kiener's post 19/08/2026

Existe diferença entre aceitar e desistir?

A gente costuma achar que aceitar uma situação difícil é abrir mão de mudá-la. Foi assim que eu entendi por muito tempo, até esbarrar num conceito que vem da terapia de Aceitação e Compromisso: a aceitação não substitui a ação, ela vem antes dela.

Aceitar signif**a reconhecer o que já é real, mesmo sem gostar, pra então escolher a próxima ação com mais lucidez, em vez de gastar a energia brigando com o que não muda mais.

Antes, achava que resistir era sinônimo de força. Hoje sei que boa parte do meu cansaço vinha exatamente daí.

Se você quiser experimentar isso hoje, nomeie uma coisa que você ainda está tentando não aceitar. Pergunte o que mudaria se você simplesmente reconhecesse que aquilo já é real.

Guarda esse post pra reler quando você precisar lembrar disso, e manda pra alguém que também está tentando soltar o que já não muda mais.

16/08/2026

Tem um padrão que aparece direto nas mulheres que eu acompanho.

São pessoas fortes. Ajudam todo mundo. E travam completamente na hora de pedir ajuda.

Isso tem uma origem clara.
Muitas aprenderam cedo que depender de alguém era um problema, e aprenderam a dar conta de tudo sozinhas.

Funciona, até certo ponto. O preço vem depois, cansaço, solidão, a sensação de carregar tudo sem parceria real.

Quando a gente se dá conta desse padrão e começa a se transformar, aparecem outras formas de se relacionar, formas que passam por aceitar a viver a vulnerabilidade sem se sentirem ameaçadas.

Salva esse vídeo se você se reconhece nisso.

Você ajuda todo mundo e trava na hora de pedir ajuda?

16/08/2026

Essa cachoeira f**a no Rio Grande do Sul. Cheguei até ela numa trilha que fiz há algum tempo.

Fiquei um tempo parada, só olhando a água caindo. A queda esculpe a pedra ano após ano, revelando aos poucos uma forma que já estava ali, só esperando para aparecer.

Pensei em Tikun.

A palavra vem do hebraico. Signif**a correção, reparação, conserto.

Mas muitas vezes é interpretado como se a gente tivesse um desejo errado, que precisa ser eliminado.

A Kabbalah e o processo de individuação dizem outra coisa. O desejo é matéria-prima.

O Tikun refina o que o desejo está pedindo de verdade. Como a água faz com a pedra.

Sara esperou 90 anos porque o vaso precisava estar pronto para que ela recebesse o filho, o desejo manifesto.

Um exercício simples, se você quiser experimentar agora. Pense num desejo que você ainda não manifestou. Em vez de perguntar "por que eu quero isso", pergunte "qual a intenção por trás desse desejo?"

É aí que o Tikun começa.

O seu Tikun é a intenção que precisa ser refinada. Refinada para sair de uma visão egoísta, para que a realização do desejo impacte positivamente você e quem está ao seu redor.

Salva esse post para fazer o exercício depois.

Qual desejo você tem dificuldade em realizar?

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