20/06/2020
Plumas x suor
Não é de hoje que nosso carnaval caçapavano sofre para manter-se na avenida, derramando muito suor, mas com poucas plumas.
Suor vindo dos carnavalescos que trabalham incansáveis durante meses, suor de homens, mulheres e adolscentes que vestem as camisetas da escola e fazem acontecer.
Juntam "lixo" para transformar em "luxo", levantam paredes, costuram, cansam, tiram migalhas do próprio bolso para doar para a escola, a sua escola de samba amada.
Migalhas estas que se juntam a outras migalhas e se tornam e se tranformam em um instrumento, uma fantasia, um calçado...
Um carnaval não se faz de plumas e sim de suor, de dedicação, de amor e de raça.
Um carnaval se faz daquele que bate no peito, que grita e chora...
As plumas... Ah!!! As plumas, são lindas é claro, trazem beleza e luxúria para avenida, mas NEM sempre uma pessoa que veste plumas derrama suor pelo carnaval, mas geralmente esses são os destaques, são das plumas que a mídia gosta, é o luxo que aparece nas fotos e reportagens, enquanto quem luta, f**a sempre nos bastidores e isso não é uma escolha da escola ou mesmo escolha pessoal, é uma escolha social, aos olhos de quem vê quem se veste melhor merece mais destaque, mas na pele de quem sente, quem está por trás de todo o carnaval é quem merece ser destaque.
Sem as plumas o carnaval acontece, mas sem o suor o caranaval morre.
NÃO somos contra as plumas, nós gostamos delas, aliás nós AMAMOS as plumas, mas VALORIZAMOS O SUOR de quem está por trás de uma escola de samba e de um sonho de carnaval realizado.
O suor nós vemos o ano inteiro quando se bate baixa, carrega madeira nos ombros, fura os dedos a agulhadas, cola as mãos, erra a letra, risca, rabisca, embola o papel e começa tudo de novo. Puxa couro, estica couro, afina, desafina, canta, samba, chora e sorri.
Esse é o verdadeiro espírito carnavalesco. Aquele que apenas se veste de plumas e não faz parte dessa luta diária das escolas de samba, merece outro nome, quem sabe um admirador, mas não um carnavalesco.
Carnavalesco não se importa apenas com o brilho, mas com o desenvolvimento geral do carnaval desde o lixo para depois gerar o luxo.
"Um sonho que se sonha só é só um sonho, mas um sonho que se sonha junto é a realidade"
(Raul Seixas)