PATO Escola de Educação Infantil

PATO Escola de Educação Infantil

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Fundada em 1967 por Marcia Palmira Sacco e Elisabeth Mariani, a escola dedica-se exclusivamente à Educação Infantil.

Suas fundadoras acreditavam, e acreditam até hoje, que esta é uma das etapas fundamentais na formação da pessoa. É por isso que desde o início o projeto pedagógico esteve orientado pela busca constante de fazer da escola um lugar onde as crianças são sobretudo, respeitadas. Respeitadas no seu direito de viver a infância plenamente; respeitadas nas suas capacidades, nos seus desejos de descobrir e

03/11/2020

Aos queridos amigos do PATO:

Após algumas semanas de pausa, pudemos avaliar a conjuntura com maior clareza. Tanto o momento atual como o futuro do país seguem tão indefinidos quanto estavam há dois meses, quando anunciamos a demissão da equipe e o encerramento do ano letivo. Por essa razão, estamos enviando os esclarecimentos que boa parte de vocês tem aguardado:

Ainda que as aulas presenciais para a educação infantil tenham sido liberadas, a maneira como esse retorno tem sido conduzido pelas autoridades não enseja a sensação de segurança desejável, nem no aspecto sanitário nem do ponto de vista financeiro.

Como foi dito em agosto, a escassez de recursos no caixa da empresa, provocada pelos cancelamentos de matrícula, pelo alto índice de inadimplência e pela concessão de descontos progressivos, colocou em risco a nossa capacidade de quitar as rescisões trabalhistas caso fosse necessário, já que deveríamos indenizações para pessoas com 4, 11, 22, 23, 29 e até 47 anos de casa.

Todo o planejamento teve em mente essa capacidade: só poderíamos seguir tentando até o momento em que continuar significaria sacrificar (ou no mínimo adiar) as eventuais indenizações da equipe, tomando rumos que não representariam os valores do PATO: as crianças devem ser respeitadas, mas jamais atingiríamos esse objetivo se os adultos envolvidos não recebessem o mesmo respeito.

É essencial esclarecer também que, diferentemente da maioria das escolas privadas de educação infantil da capital e do interior, o PATO reduziu em 50% o salário de professoras e coordenadoras por apenas dois meses, quando poderia ter usado não somente o recurso da redução, mas o da suspensão dos contratos por pelo menos seis meses. Nesse caso, as educadoras teriam sobrevivido com um mísero benefício emergencial durante todo esse período. Para não penalizar a equipe, então, a Direção não hesitou em cortar na própria carne. Além de usar o recurso da redução salarial somente por dois meses, a escola também pagou espontaneamente os benefícios emergenciais de três educadoras, visto que a então MP 936 não previa o acúmulo de benefícios nem para aposentados nem para professores contratados do setor público. Depois desses sessenta dias, a Direção ainda antecipou quinze dias de férias para toda a equipe, sempre na esperança de manter os empregos.

Como todos já sabem, então, em 27 de agosto passado entregamos os avisos prévios indenizados para todas as professoras e coordenadoras. Mais uma vez levamos em conta seu estado emocional e não quisemos sobrecarregá-las com o aviso trabalhado. Imaginamos que, assim como foi para nós, para elas também o encerramento do PATO beiraria a intensidade de uma perda na família. Queremos deixar claro que as rescisões foram pagas integralmente a cada um dos membros da equipe. Tanto eu quanto minha mãe (uma das fundadoras da escola) contribuímos com recursos próprios para que ninguém fosse lesado.

A transparência faz parte dos valores da escola, por isso escolhemos compartilhar alguns dados para que vocês possam compreender melhor nossas decisões:

A Direção está profundamente agradecida pelas doações recebidas através da campanha criada pela comunidade escolar para ajudar o PATO a cumprir os compromissos citados e eventualmente retomar as atividades em 2021. A atitude foi extremamente amorosa e bem intencionada e os valores arrecadados foram de grande ajuda, mas a realidade é que apenas as rescisões trabalhistas custaram quase meio milhão de reais, já que havia vários contratos de décadas e o PATO sempre se orgulhou de valorizar a educação pagando uma hora/aula acima do teto da categoria. Juntando-se a isso, muitos recursos foram investidos na aquisição de EPIs e na adaptação da escola para o retorno às aulas, o que vinha sendo negociado tanto com o governo do RS quanto com a prefeitura de Porto Alegre desde o mês de junho, o quê, como todos sabem, acabou se concretizando apenas quando era tarde demais e, no nosso entender, de forma desorganizada.

A equipe de apoio foi tratada da mesma forma que as pedagogas, dadas as diferentes circunstâncias. As educadoras assistentes e as funcionárias de serviços gerais tiveram os contratos suspensos por dois meses, já que a natureza das suas atividades só permite que o trabalho seja realizado presencialmente. Após esses sessenta dias, receberam também quinze dias de férias antecipadas, sempre com o intuito de manter os empregos, mas não houve milagre. Foram demitidas no final de julho e devidamente indenizadas. A Mara já havia sido desligada da equipe em abril, quando a queda na arrecadação exigiu que pelo menos uma das colaboradoras fosse demitida. Escolher a Mara foi doloroso, pois foram quase 30 anos de casa, mas consideramos vários fatores. O fato de que ela já estava aposentada e não ficaria sem renda foi determinante, além de pertencer ao grupo de risco. Generosa como sempre, Mara entendeu e aceitou nossa escolha com muita dignidade.

Em relação aos nossos “guardiões”: como o Edson Duarte é autônomo e a natureza da sua função é também fundamentalmente presencial, conseguimos manter o pagamento contratual integral até maio, quando passamos, com sua concordância, a aplicar descontos progressivos de 25% a 50% até o anúncio do encerramento antecipado do ano letivo. Ricky Saldanha, sendo terceirizado da Rudder e por fazer parte do grupo de risco, também foi mantido em casa por dois meses graças a um acordo entre a empresa e a prestadora do serviço. Após esse período a escola já não podia mais se dar ao luxo de seguir com a parceria, mas forneceu as melhores referências na esperança de que a Rudder o mantivesse como colaborador.

Dito isso, esclarecemos que o PATO está, agora de fato, encerrando suas atividades definitivamente. Por mais penosa que tenha sido a tomada dessa decisão, ela se fez necessária não apenas levando em conta os aspectos financeiros, mas por termos chegado à triste conclusão de que no mundo atual não há mais espaço para uma escola como a nossa. Tivemos, nesses 53 anos, a sorte de contar com famílias para quem a educação e o bem-estar dos filhos vêm em primeiro lugar. Sem essa irmandade de pessoas sensíveis, bem-informadas e conscientes da importância de confiar na escola que escolheram para os filhos, o PATO não teria chegado onde chegou. Ser pai e mãe do PATO é muitas vezes não entender o porquê da maneira como cada coisa é feita, mas respeitar nossas decisões mesmo assim, confiando de coração aberto. É ter que mandar o lanche de casa quando a vida corrida pede algo mais prático, é fazer milagre para conseguir deixar o filho ou a filha apenas um turno na escola, porque entende que na primeira infância a convivência com a família é essencial, ainda que o mercado de trabalho esteja muito longe de compreender essa necessidade. É chamar vô, vó, tia, tio pra buscar seu filho no PATO porque o trânsito não colabora, é ir na fruteira na última hora pra comprar aquela fruta exótica que a professora pediu, é avisar o chefe que vai se atrasar porque hoje é dia do banho do bebê e você esqueceu o “bebê” sobre a mesa da sala. É abrir mão de muita coisa para trabalhar junto com a escola na fase mais importante da vida escolar de seu filho, pois sabe que, ainda que muitos dias sejam caóticos, esses primeiros seis anos deixarão marcas indeléveis e queremos que elas sejam amorosas, positivas e enriquecedoras, para que nossos filhos atinjam os objetivos explicitados na missão do PATO: que cresçam e se tornem “pessoas afetivas, sensíveis, críticas, autônomas e criativas, capazes de contribuir para a construção de um mundo melhor”, mas, acima de tudo, que estejam seguras e felizes.

Por todas essas décadas recebemos muito amor e o apoio incondicional dessa comunidade maravilhosa, mas consideramos importante esclarecer que também fomos alvo do que há de pior no ser humano, em especial nesses últimos meses, quando chegaram a nós desde comentários mentirosos e mal-intencionados até ofensas gratuitas e absolutamente desnecessárias. Quintana seguramente diria: eles passarão, nós passarinho!

Cumpre a nós também a triste tarefa de informar que as atividades planejadas para o Grupo 5 no intuito de marcar o final da etapa, em função dos ritos de passagem de praxe terem sido prejudicados pela pandemia, não poderão ocorrer nas dependências da escola. Ao enviar a carta aos pais da turma tratando do assunto, nem a Direção nem a Coordenação tinham plena consciência do que viria pela frente. Com o encerramento do CNPJ, porém, o prédio da escola terá que ser esvaziado e tudo que ele contém será vendido na tentativa de recuperar parte dos recursos investidos pessoalmente pela Direção. O imóvel será colocado para alugar assim que possível e estará, portanto, descaracterizado. A orientadora da turma, Laura Hoppe, entrará em contato com pais e mães para combinar um local alternativo para as fotos e a entrega das tradicionais “historinhas” de cada um dos alunos. O contato será feito no decorrer de novembro e a atividade na primeira quinzena de dezembro.

As notas fiscais eletrônicas de agosto serão enviadas em breve. Chamamos sua atenção para o fato de que todas as NFS-e anteriores já foram enviadas para os e-mails de cadastro, pois serão imprescindíveis para a declaração de IR em 2021.

Para encerrar, nosso mais sincero agradecimento a todos vocês. Estamos tristes, mas estamos certas de que a hora é essa. O PATO se despede fisicamente, mas segue vivo em nossos corações. Temos um orgulho imenso da nossa história e a certeza de que nossa missão foi cumprida com louvor. Queremos que sintam o mesmo orgulho, pois ele também pertence a vocês, assim como pertence às dezenas de profissionais que estiveram conosco todos esses anos, cada um deles colaborando com um tijolinho para essa bela história.

Sem falsa modéstia, não há e não haverá outra escola como o PATO.

Viva nós!

Um grande abraço,
Mônica Mariani
Direção

Photos from PATO Escola de Educação Infantil's post 16/09/2020

PATO VIVO

Por Laura Hoppe

O Pato é uma escola em que crianças, pais e professores aprendem e vivenciam experiências que marcam nossas vidas.

O Pato não é uma escola igual às outras. O Pato é o Pato. Todos que fazem ou fizeram parte dele sabem do que estou falando. E como é uma escola especial, como certamente há poucas no mundo, estar ou não estar no Pato nesse momento não faz diferença porque somos todos do Pato e compartilhamos algo que as palavras apenas podem esboçar.

Mais que um lugar ou um espaço de aprendizagens, o Pato é também um espaço simbólico marcado pelo afeto, pelo acolhimento, pelo respeito às singularidades, onde todos podem se desenvolver como pessoas. É por isto que o Pato é uma escola de vida e para a vida.

O Pato não é um empreendimento educacional, um negócio. Ele é um projeto de vida ao qual aderimos em diferentes tempos. Para mim, já são 47 anos compartilhando esse projeto que se tornou também o meu projeto de vida.
Nós do Pato somos uma grande família, e aquilo que vivemos juntos não se perde no tempo porque ecoa e vive em cada um de nós.

Sempre dizemos que no coração do Pato existe um lugarzinho para cada criança que passou por aqui, mas, na verdade, o coração do Pato é imenso e todos temos o nosso lugar nele assim como ele tem um lugar especial em nossos corações. E é por isso que nesse momento, nós, os professores, os alunos e os pais atuais, os ex-alunos e seus pais, assim como os muitos amigos que a escola fez nesses 53 anos de vida, compartilhamos do desejo de que o Pato continue vivo!

16 de setembro de 2020 - 53 anos do Pato!

14/09/2020

O PATO veio até aqui só pra agradecer aos amigos pelo carinho e pelas generosas doações!

Até o momento já foram arrecadados cerca de 23 mil reais, valor que está ajudando a pagar as rescisões dos contratos de trabalho.

MUITO OBRIGADO! ❤🙏🏻🐥

03/09/2020

Num momento tão doloroso, pessoas queridas (pais, mães, ex-alunos, pais e mães de ex-alunos, tantos amigos feitos nessa trajetória) criaram uma campanha para ajudar a escola a cumprir seus compromissos com a equipe.

A ideia da campanha surgiu espontaneamente entre essas pessoas. Um ato amoroso, generoso, humano, lindo.

Apesar disso, há desconfiança. Por isso, sentimos necessidade de esclarecer que a campanha não foi criada por nós e não está sendo conduzida pela escola. Ao contrário, dissemos desde o início que não gostaríamos de nos envolver.

De um lado tanto amor, de outro, suspeição. Muito triste.

Segue o comunicado da organização da campanha, que, esperamos, esclareça a questão de uma vez por todas.

Nosso amor e nossa gratidão a todos que estão conosco.

"Um grupo de ex-alunos, ex-mães & pais e também famílias de alunos matriculados se uniu para formar essa corrente de carinho e solidariedade para esta escola que durante seus mais de 50 anos desempenhou lindamente seu papel no cenário da educação infantil no nosso RS, proporcionando uma educação de vanguarda fundamentada no respeito à infância e a singularidade de cada criança que teve a sorte de passar por lá.

Dessa união surgiu, então, uma campanha de arrecadação de qualquer valor, pois sabemos do atual momento econômico que o país está vivendo, para ajudar no pagamento das rescisões contratuais às quais a Escola está obrigada. Contamos com vocês. Juntos somos mais!"

CONTATO PARA A CAMPANHA: AMORA XAVIER - (51) 99908.0863

03/09/2020

Este vídeo foi produzido por um grupo de amigos do PATO que, de forma espontânea, criou uma campanha para ajudar a escola a cumprir seus compromissos com a equipe. A escola não se envolveu nem na criação da campanha nem na produção do vídeo.

Julian F**s - Sobre a tristeza das crianças e a urgência de priorizar as escolas 15/08/2020

"Não se trata, assim, de uma preocupação meramente curricular. A função da escola vai muito além do ensino ou da transmissão de informação, algo alcançável para alguns em instâncias virtuais. A escola é sobretudo o seu espaço, um microcosmo onde relações vivas e complexas se constroem. A escola, diz Winnicott, tem a função de oferecer por algumas horas "uma atmosfera emocional menos densamente carregada que a do lar", efetuando uma espécie de higiene mental."




Julian F**s - Sobre a tristeza das crianças e a urgência de priorizar as escolas É imenso, um dia saberemos, o que estamos exigindo das crianças para nossos próprios fins, em nome da nossa segurança. Que permaneçam vários meses trancadas em suas casas, relegadas a espaços às vezes sombrios, às vezes esquálidos. Que percam quase tod

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