19/08/2026
A VIOLÊNCIA E A “CONSTRUÇÃO” DO FEMININO
Num lindo dia de sol, em pleno sábado à tarde, o diálogo esquentou no Café Brasiliano, em Chapecó, diante de uma plateia atenta, juntamente com vários participantes on-line.
A antropóloga Adiles Savoldi e a psicanalista Návia Terezinha Pattussi trouxeram instigantes interrogações sobre “o que é uma mulher” e em que consiste o feminino, especialmente diante de uma questão que atravessa a história da humanidade: por que a violência contra a mulher persiste, embora somente há pouco tempo tenha passado a ser reconhecida e nomeada juridicamente como feminicídio?
Uma das questões que ficaram em aberto é justamente esta: mesmo com o endurecimento da legislação e com inúmeras iniciativas de combate à violência contra as mulheres, essas incidências não diminuem como seria esperado.
Independentemente de a “construção” do feminino trazer as marcas históricas e culturais de cada tempo, que fatores permanecem, desencadeando essa repetição?
Essa constatação parece ultrapassar as condições culturais de cada época e nos conduz a uma pergunta que a psicanálise se propõe a sustentar:
O que, para além das construções históricas e culturais, insiste na relação com o feminino e atravessa o tempo, mantendo-se como algo ao mesmo tempo perturbador e fascinante?