26/05/2026
Aprende de cara duas curiosidades, a primeira é: a palavra "humanitas" está ligada a "terra" e "solo".
A segunda: "magnifica" é um adjetivo, uma característica, que se origina de uma expressão formada por um verbo e um adjetivo latinos.
Acontece que estas "curiosidades" dizem muito sobre este título e indicam algo que somente um leitor culto pode alcançar.
Na língua latina, "Humanitas" origina-se de "humanus", que se origina de "humus". "Humus" é o solo, a terra, donde vêm as palavras portuguesas e latinas "inumar", que significa enterrar e "exumar" que significa "tirar da terra" (em latim, inumare, exumare) e também "humilis", que significa"humilde". Em latim ainda temos "umidus", no sentido de "úmido", que toma para si a característica da terra molhada e da lama para tornar-se adjetivo.
Portanto, "humanitas" a humanidade, para os latinos, é aquela espécie ou, ainda, natureza animal, condição, ligada à terra ao "humus". Na cosmovisão greco-latina, assim como no entendimento judaico, mas por vias diferentes, o homem nasce da terra, barrenta e mista com seus minerais. Prometeu, um titã, criou a humanidade do barro e posteriormente Filemon e Baucis a fizeram ressurgir das pedras que desenterravam do solo após o dilúvio, na versão da mitologia grega.
Essa visão de mundo greco-latina deixa claro que somos aqueles seres gerados da matéria, criaturas corpóreas que a ela, de algum modo, também pertencemos, seja da matéria plástica, como é o barro, seja da matéria dura, um minério ou muitos minerais. Simbolicamente isto fala muito da nossa condição física e mental: temos plasticidade e nos moldamos, mas também podemos assumir formas fixas se necessário. Após a vida, voltamos para onde viemos e somos inumados. A cosmovisão cristã não é diferente nesse sentido, mas ainda acrescenta o fato de termos alma, o sopro de vida de Deus, do latim "anima", o ar que ingerimos nos pulmões.
Ao dizermos "humanitas", consideramos e relembramos toda a nossa natureza e a reflexão antropológica por trás de um substantivo.
Ao termos o adjetivo "magnifica", consideramos a expressão "magnum facere", "fazer/tornar grande", que dá origem ao verbo "magnificare", que, assim, se torna o adjetivo "magnifica". Denota portanto a característica de ser elevada a uma grandeza ou alto valor.
Desse modo - podemos concluir pelo que as palavras e o contexto da encíclica indica - o título está falando da elevação da nossa natureza humana a sua devida importância e dignidade, ao seu valor que naturalmente foi escolhido por Deus entre os seres.
Esta no entanto é uma interpretação que, com certa segurança, deve se aproximar do sentido geral deste título. Um valor que, não por acaso, só pode ser compreendido quando temos uma educação humanística, que vem do que Cícero também chamou de "Humanitas".