26/03/2019
Aprender novo idioma protege o cérebro de alterações causadas por Alzheimer
A mente ativa é essencial para garantir uma longevidade saudável. UiO professor e pesquisador de neurociências da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Pedro Calabrez comentou que, para manter o cérebro funcional é preciso estudar coisas novas --e aprender novas línguas é uma das melhores formar de se fazer isso.
“Ser bilíngue retarda o surgimento dos sintomas do Alzheimer em até cinco anos”, disse Calabrez. “Quando você aprende uma língua, o mundo inteiro passa a ter um novo significado para o cérebro. A cadeira onde você está sentado não é só mais uma cadeira, ela passa a ser uma cadeira e uma “chair”.”
Os benefícios de ser bilíngue não param apenas na prevenção do Alzheimer. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Concórdia, no Canadá, uma segunda língua também pode fazer bem a pacientes já diagnosticados com a doença ou com comprometimento cognitivo leve (CCL), que seria um estado de risco para o Alzheimer.
Os cientistas investigaram áreas de controle de linguagem e cognição nas regiões frontais do cérebro e estruturas do lóbulo temporal medial, importantes para a memória e conhecidas pela atrofia em pacientes com CCL e Alzheimer.
Nos resultados, os voluntários multilíngues exerceram regiões específicas do cérebro e aumentaram a espessura do córtex e a densidade da massa cinzenta.
A pesquisa sugere que as pessoas multilíngues são capazes de compensar a perda de tecido relacionada ao Alzheimer, acessando redes alternativas ou outras regiões do cérebro responsáveis pelo processamento de memória.
"Nossas descobertas contribuem para pesquisas que indicam que falar mais de uma língua é um dos fatores de estilo de vida que contribuem para a reserva cognitiva", diz Natalie Phillips, professora do Departamento de Psicologia da universidade e uma das autoras do estudo.
Aprender novo idioma protege o cérebro de alterações causadas por Alzheimer.