11/09/2026
O que aconteceu na infância não f**a necessariamente na infância. Mas também não precisa determinar o restante da vida.
Uma revisão sistemática publicada em 2026 analisou 13 estudos com adultos que apresentavam dor crônica e histórico de experiências traumáticas na infância ou na vida adulta.
Os pesquisadores encontraram associações entre essas experiências e diferenças estruturais ou funcionais em regiões e redes cerebrais relacionadas à dor, à memória, à emoção, à percepção corporal e à identif**ação de ameaças.
Isso não signif**a que toda dor crônica seja causada por um trauma. Também não signif**a que a dor esteja “apenas na mente”. A dor é uma experiência real, construída pela interação entre cérebro, corpo, história, contexto, expectativas e signif**ados.
Há ainda uma ressalva indispensável: os próprios autores classif**aram a certeza das evidências como muito baixa. Como os estudos eram observacionais, eles identif**am associações, mas não comprovam uma relação direta de causa e efeito.
Na Comunicação Clínica Generativa, essa compreensão nos convida a olhar além do sintoma sem ignorar o corpo. O profissional não pergunta apenas “onde dói?”, mas também procura compreender:
O que essa pessoa viveu?
O que seu sistema nervoso aprendeu a temer?
Que signif**ados foram associados às suas sensações?
E o que pode ajudá-la a recuperar segurança, autonomia e esperança?
A ciência ainda está construindo muitas dessas respostas. Mas uma direção se torna cada vez mais relevante: cuidar da dor também exige escutar a história da pessoa que sente a dor.
O passado pode ter deixado marcas.
Mas marcas não são sentenças.
Referência científ**a:
Lim, T. E., Fitzpatrick, E., Sharma, S., et al. (2026). Brain correlates of psychological trauma in chronic pain: A systematic review. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 183, 106576.
https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2026.106576