07/01/2023
Relendo trechos do livro O Caminho da Servidão, me deparei com uma passagem escrita por Hayek que descreve perfeitamente o cenário atual da sociedade causado pela aparente dicotomia “vidas vs economia”.
Uns bradam “economia e vida são a mesma coisa!” enquanto outros defendem que “não podemos negociar vidas com economia, basta imprimir dinheiro!”
O que frustra é a admitir que viver necessariamente implica em fazer escolhas. E que nenhum objetivo é atingido sem algum sacrifício de alguma parte. Hayek em 1944 fez o diagnóstico perfeito:
“Há pessoas que protestam contra a inclusão dos valores mais elevados da vida na ‘lógica do dinheiro’.
A vida e a saúde, a virtude e a beleza, a honra e a paz de espírito, muitas vezes só podem ser preservadas à custa de consideráveis sacrifícios materiais. A pessoa precisa fazer uma escolha.
Tomemos um exemplo: poderíamos reduzir a zero o número de vítimas de acidentes de automóveis, é claro - se nos dispuséssemos a pagar o preço, abolindo os automóveis. O mesmo se aplica a milhares de outras situações em que arriscamos constantemente a vida, a saúde e os valores espirituais mais nobres a fim de promover aquilo que chamamos, com desprezo, de ‘conforto material’.
❗️Todos os nossos fins disputam o emprego dos mesmos meios. Assim, se tentássemos evitar que esses valores absolutos jamais fossem ameaçados, seríamos incapazes de perseguir quaisquer outros objetivos.❗️
Não surpreende que os homens desejem livrar-se da cruel escolha que as circunstâncias muitas vezes lhes impõem. Tampouco desejam permitir que outros resolva por eles. O que querem, simplesmente, é que a escolha não seja necessária.
Por isso acreditam que ela não o é. Que tudo não passa de uma ‘imposição do sistema econômico existente’. Na realidade, o que os irrita é a existência de um problema econômico.”
Não é à toa que é meu favorito👌🏼
06/01/2023
Dia desses conversando sobre ideologias extremas com um colega, ele me disse algo parecido com que a fala em um vídeo com o .dennysxavier: é positivo que extremos existam, de modo a viabilizar o “centro”. Será mesmo?
O problema desse tipo de defesa dos extremos é que eles se retroalimentam. Quanto mais um lado estica a corda, mais o outro a puxa de volta. E tudo que orbita o “centro” vai ficando cada vez mais fino, até que um dia a corda arrebenta. Todos são obrigados a correr pra um lado na ponta mais limítrofe do espectro se quiserem sobreviver.
Imaginar que essa dinâmica seja fundamental pra irrigar as raízes do bom senso beira o surrealismo. Será mesmo que não conseguimos lutar por equilíbrio, ponderação, e prudência sem atos terroristas? Não conseguimos mirar na razoabilidade meramente defendendo a razoabilidade mesma?
Será que a extrema-esquerda não percebe que ao queimar Igrejas, a única consequência será o pedido em coro pela volta de um Pinochet? Criminosos travestidos de manifestantes insistem em dizer que seus atos são legítimos por não estarem fazendo nada mais que “cobrando dívidas históricas” (seja lá o que isso for), como se fosse razoável destruir completamente a sociedade civil ocidental em retaliação a quaisquer condutas do passado que julgam como moralmente reprováveis nos dias de hoje. Insistem em interpretar acontecimentos de outros séculos (milênios, até) à luz da sociedade atual, pensando que assim estão legitimando toda sorte de barbaridades.
E com isso o resultado não poderia ser diferente: a repulsa causada por atos cada vez mais repugnantes é alimento do outro extremo, que possui o mesmo desejo de exterminar tudo que possa lembrar, mesmo de relance, o outro lado do espectro.
Não é preciso ser muito inteligente pra imaginar onde isso vai parar. A perda do senso comum consolidará a transformação do mundo num manicômio.
05/01/2023
Esse, meus caros, é o poder inescapável da inflação: fazer o dinheiro valer menos.
Depois de explicar o que era inflação a uma amiga uma vez, ela me perguntou “mas Raquel, então quer dizer que o dinheiro vai perder valor para SEMPRE?”. Parece inacreditável… mas, sim.
Não à toa, já cortamos mais de 15 zeros e mudamos de moeda 9 vezes.
E mesmo chegando no Real, nossa mais bem sucedida moeda, a inflação acumulada ultrapassa os 600% - e é por causa dela que se você tivesse guardado uma nota de R$ 100 em um cofre em 1994 e abrisse hoje você teria o mesmo poder de compra que pouco mais de R$ 13 daquela época.
Chamamos isso de perda de poder de compra.
A boa notícia é que é plenamente possível proteger seu dinheiro dessa perda de valor. Basta parar de “guardar” dinheiro e passar a investir - ou ficar mais pobre a cada mês.
(Mais sobre como acontece o fenômeno inflacionário no destaque “Inflação”)
04/01/2023
Investir no Tesouro nada mais é que emprestar dinheiro para o governo. Ao comprar um título público via Tesouro Direto, você passa a fazer parte da dívida interna do país. Esse tipo de investimento de renda fixa é considerado o mais seguro de todos, pois a dívida é assegurada 100% pelo Tesouro Nacional, os donos do cofre.
Trocando em miúdos, mesmo que a dívida do país esteja alta e o governo enfrente dificuldade para pagar seus credores, como nossa dívida interna é em Reais há a possibilidade de recorrer à última alternativa: criar mais dinheiro para pagar quem emprestou.
Isso traria consequências perversas para a economia, mas o rendimento prometido na data de vencimento seria devidamente honrado.
Então sim, ainda é seguro investir em títulos do Tesouro.
03/01/2023
BDRs são recibos de ações americanas negociados na Bolsa brasileira. Uma empresa adquire ações lá fora e negocia os certificados desses ativos aqui.
Apesar de ser em R$, os BDRs refletem indiretamente a flutuação cambial (se o dólar sobe, o preço das suas cotas também sobe). A principal desvantagem é que seu dinheiro continua no Brasil. Mas, especialmente para quem ainda tem insegurança em relação a investir diretamente lá fora, é uma boa opção.
Salva aí para consultar depois😉
02/01/2023
Observamos dois movimentos nos últimos dias: aprovação de uma PEC de R$ 200 bilhões e anúncio de uma possível Reforma Tributária.
O governo federal tem duas possibilidades para ajustar suas contas e tornar novos gastos possíveis:
-Reduzir outros gastos.
-Aumentar o dinheiro que está entrando.
Neste ponto da história todos concordamos que o partido eleito está longe de acreditar que um ajuste fiscal por redução de gastos seja necessário. O bordão “gasto é vida”, proferido pela então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rouseff em 2005, mostra uma crença profunda de seus pares que controlar o gasto público é a última de suas prioridades.
Resta a outra alternativa, que pode ser atingida:
-Aumentando a dívida pública (pegando dinheiro emprestado e pagando juros)
-Aumentando a receita de impostos
A dívida bruta em relação ao PIB já ultrapassa a média dos países emergentes (40-60%) desde o governo Dilma, e estimativas apontam que com o novo pacote essa relação pode chegar a até 97,5%. Aumento de percepção de risco e fuga de capital pressionariam por juros mais altos, retardando o crescimento e aumentando ainda mais a dívida futura.
A solução, portanto, passa inevitavelmente pelo aumento de receita. Em outras palavras, aumento de impostos. O problema é que para colocar 100 no bolso a União precisa arrecadar no mínimo 200. Isso porque o governo federal precisa fazer repasses obrigatórios aos Estados, Municípios e diversos Fundos. Então um ajuste nas contas pelo aumento de impostos precisa ser, sempre, maior que o aumento de despesa previsto.
A Reforma Tributária anunciada muito provavelmente terá como uma das principais missões tornar possível uma realidade de mais gastos.
“Ah mas só os muito ricos pagarão”, alguém pode dizer. Vale lembrar que no Brasil se você tem renda de mais de R$ 3.500 você está nos 10% mais ricos da população. “Mas estou falando de patrimônios multimilionários”, poderiam responder. Se existem multimilionários sem estrutura mínima fora do Brasil para proteção contra impostos absurdos, merecem mesmo pagar a conta 😅
Concordam com a análise? Me digam nos comentários 👇🏼
01/01/2023
Um feliz ano novo para você! Que seja um ano próspero para os seus investimentos ❤