15/01/2020
Reportagem Sindicato dos professores do DF
|| GOVERNO REDUZ INVESTIMENTOS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E MODALIDADE F**A COM OS DIAS CONTADOS
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) está com os dias contados. A previsão de orçamento para 2020 é a pior dos últimos anos. A Lei do Orçamento Anual do governo federal destinou apenas R$ 25 milhões no setor. Em 2019, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, investiu R$ 16,6 milhões na área, o que corresponde a 22% dos R$ 74 milhões previstos.
Os números mostram que mais R$ 1 milhão foi usado para cobrir os chamados restos a pagar de 2018. “Eles não têm nem o que executar. Destruíram todos os programas que existiam. É até de se perguntar: gastaram 2 milhões no quê?”, questiona o coordenador da Unidade de Educação de jovens e Adultos da Ação Educativa da ONG Ação Educativa, Roberto Catelli”.
Levantamento do Sistema Integrado de Operações (Siop) mostra que este foi o menor investimento no programa da década. Em 2012, por exemplo, durante o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), o investimento no EJA foi de R$ 1,6 bilhões, valor 115 vezes maior do que de 2019”.
Enquanto isso, mais da metade dos brasileiros com mais de 25 anos não concluiu o ensino básico, número que corresponde a 52,6% da população. Esse dado é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2018 mostra que a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos de idade ou mais foi 6,8% (11,3 milhões de analfabetos).
“Nem os governos neoliberais dos anos 1990, que quase não investiram na educação, ousaram jogar o Brasil nesse obscurantismo”, critica Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF. Ela diz que, além de dilapidar a cultura e a educação, o governo Bolsonaro não cumpre a Constituição, adota métodos ultrapassados de alfabetização, como o silábico, da cartilha Caminho Suave, e impõe medidas repressivas nas escolas, como a militarização.
Os impactos têm sido profundos no Distrito Federal. Em pouco mais de 2 anos, o desinvestimento em educação retirou do DF o selo de unidade da Federação livre de analfabetismo, que ganhou em 2014. Em 2019, o governador Ibaneis Rocha (MDB) fechou várias turmas e turnos noturnos oferecidos pela rede pública de ensino.
“A gente vai observar ainda mais fechamento de turmas e turnos de EJA, que já vem ocorrendo desde 2019. Agora, com Bolsonaro, vai acentuar pela falta de investimento. O objetivo é claro. Isso aí é um projeto de governo para sucatear a educação pública. Hoje, a gente observa isso na EJA”, finaliza Letícia Montandon, diretora do Sinpro-DF.
Os números confirmam a declaração de Darcy Ribeiro, antropólogo, educador, romancista, criador da Universidade de Brasília (UnB): "A crise da educação no Brasil não é uma crise; é um projeto".
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