09/09/2026
Essa foi a matéria que o INEP, vinculado ao MEC, publicou ontem, 8 de setembro, para celebrar nosso avanço nas habilidades educacionais do país.
Achei, no mínimo, ofensiva essa matéria. Comentei ontem em aula com a turma de Redação.
A comemoração se refere ao PISA 2025, avaliação da OCDE que mede o desempenho de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências e que incluiu, ano passado, a resolução de problemas computacionais, mas ainda com poucos dados significativos.
Os resultados que o INEP resolveu comemorar, mas praticamente ocultou na matéria, mostram um cenário muito menos animador: cerca de 51% dos jovens brasileiros estão abaixo do nível básico em leitura e 72% em matemática. Nos níveis mais altos de leitura, chegamos a apenas 1%. Os resultados permanecem muito próximos dos observados em 2015.
A saber, o nível básico de leitura do PISA inclui identificar a ideia principal de um texto de 3 páginas, algo entre 300 e 1000 palavras.
Mas os dados do INEP não são mentirosos.
Para exibir essa “vitória”, o instituto destaca o 7º lugar entre os países que mais avançaram desde 2006. Ocorre que, no desempenho de 2025, ficamos em 52º lugar em leitura e 71º em matemática, entre 89 países e economias.
Parte dessa aproximação decorre da piora dos outros países, ou seja, não foi preciso melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem (e outros pontos nos ambientes escolar e familiar), bastou que os outros países piorassem.
Desde ontem estou a lembrar do lema do "Partido", em 1984, de George Orwell:
“Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força”.
Ignorância é Força.