11/10/2018
A mostra “Imagens, (in)visibilidades e resistências no audiovisual brasileiro” destaca a relevância do audiovisual na construção de novas imagens, conteúdos e visões de mundo, e assim visa disponibilizar um conjunto de 24 produções nacionais de curta metragem, de diversas regiões do país, que foram selecionadas a partir da exibição em festivas e mostras nacionais, como o Festival Visões periféricas, a Mostra Empoderadas – Mulheres Negras no Audiovisual, a Goiânia Mostra Curtas, o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe, entre outras.
Dessa forma, a curadoria está estruturada em três eixos, o primeiro é “Corpos, violências e re(existências)”, e que agrega reflexões sobre a importância do cabelo para identidade negra, exposta no curta Das raízes às pontas (Flora Egécia, DF) e também sobre a intersecção de gênero, raça e sexualidade, ao evidenciar as formas de resistências empreendidas por pessoas trans, no episódio da Websérie Afronta (Juliana Vicente, SP) e no curta Lua (Rosa Miranda, RJ); e ainda os imaginários de gênero e branquitude que sustentam os concursos de beleza infantil, como mostrado no filme Mini Miss (Rachel Daisy Ellis, PE).
O segundo eixo “Memórias e ancestralidade” é composto pelos curtas El Reflejo, de Everlane de Morais, que destaca a potência do cabelo crespo como elemento de contrução identitária; também os filmes De pássaro e Infância: Maria (Mariana de Lima Siqueira, GO) e Almerinda, a luta continua (Cibele Tenório, DF), que respectivamente evidenciam as histórias de Maria Grampinho, da Cidade de Goiás, conhecida a partir de um poema de Cora Coralina; e de Almerinda Farias Gama, uma das primeiras mulheres negras a atuar na política brasileira.
Os curtas de dois jovens realizadores goianos, A câmera de João Tothi Cardoso) e A piscina de Caíque Raphael Silva), juntamente com o filme A fábula de Vó Ita Joyce Prado e Thallita Oshiro, SP), que destacam o universo infantil, protagonizado por crianças negras e suas relações de afeto, em especial com os avós, são alguns dos destaques do terceiro e último eixo “Afetos e visibilidades”.
Produções recentes de estudantes do curso de Cinema e Audiovisual da UEG também integram a mostra, como os curtas Alô Maman, de Michely Ascari; Zero, de Rafael Simon e Duas Vezes Senzala, de Gustavo Pozzatti; o videoclipe BR3U, de Felipe Freitas e o primeiro episório da Websérie LIVE, de Bruna Chamelet e Erik Ely indicam a diversidade de temas, formatos e linguagens utilizadas.
Além das produções citadas, tal mostra destaca a atuação de realizadoras negras/negros, de vários estados brasileiros, que compartilham, por meio do audiovisual, o desejo e o exercício de elaborar novos regimes de visibilidade, de contar histórias ainda não contadas, de criar novas formas de re(existir).