07/09/2022
A composição do HINO DA INDEPENDÊNCIA faz uso de duas figuras de linguagem: hipérbato (que inverte a ordem direta dos termos na oração) e metáfora (que altera a conotação das palavras, dando a elas novos sentidos).
“Já podeis da pátria filhos/Ver contente a mãe gentil/Já raiou a liberdade/no horizonte do Brasil”
Na ordem direta, teríamos:
Filhos da pátria, já podeis ver a mãe gentil contente (no caso, a mãe é o Brasil e os filhos são os brasileiros), pois a liberdade já raiou (nasceu) no horizonte do Brasil (ou seja, já se vislumbra a possibilidade de o Brasil ser um país livre).
Observe outro trecho:
“Os grilhões que nos forjava/Da perfídia astuto ardil…/Houve mão mais poderosa:/Zombou deles o Brasil”
Houve uma mão mais poderosa (a vontade do povo) que zombou (riu, desfez-se de) dos grilhões (das amarras) de uma perfídia (astuto ardil, ou seja, uma traição bem arquitetada).
Não podemos nos esquecer de que o eu lírico do poema faz uso da 2ª pessoa do plural para se dirigir ao interlocutor, que são os filhos da pátria. E, como sabemos, o “vós” caiu em desuso no português coloquial há muito tempo, o que deixa o texto ainda mais complicado. “Já podeis…”, não temais…”, “vossos peitos, vossos braços” são exemplos de uso de verbos e pronomes na 2ª pessoa do plural.
Fonte: https://www.stoodi.com.br/.../hist.../hino-da-independencia/