Ricardo Coração de Leão

Ricardo Coração de Leão Ricardo cavaleiro

15/05/2026

A raiva costuma chegar vestida de razão. Ela acende o peito, endurece a palavra, estreita o pensamento e faz a criatura acreditar que precisa reagir depressa para não parecer fraca.

Mas o espírito que se deixa governar pelo impulso quase sempre entrega à dor o comando da própria boca. E uma palavra lançada no fogo da irritação pode ferir mais do que imaginamos, porque nem todo arrependimento consegue reparar aquilo que foi quebrado no instante da cólera.

Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, recorda a importância da indulgência, da mansuetude e do domínio de si como expressões reais do progresso moral. Não se trata de aceitar humilhações, nem de permanecer calado diante da injustiça, mas de não permitir que a violência alheia encontre morada dentro de nós.

A alma que ora antes de responder já começou a vencer a própria sombra. Um minuto de silêncio pode evitar anos de remorso. Um afastamento sereno pode valer mais do que uma discussão vencida. Uma resposta calma pode impedir que o orgulho transforme uma ferida em abismo.

A raiva passa. O estrago, muitas vezes, f**a.

Por isso, antes de agir no calor da ofensa, recolha o pensamento. Respire como quem pede ajuda ao Alto. Lembre-se de que nenhuma vitória vale a perda da paz íntima, e nenhuma provocação merece o sacrifício da sua consciência.

A verdadeira força não está em ferir de volta.

Está em permanecer lúcido quando tudo em volta convida ao descontrole.

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15/05/2026

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Bezerra de Menezes compreendia que a inteligência, quando se afasta da bondade, pode virar lâmina fria nas mãos do orgulho. Por isso, a frase atribuída a ele, “De nada vale o brilho da inteligência, se o coração permanecer às escuras”, alcança tanta gente ainda hoje. Ela não humilha o saber, apenas recorda que conhecimento sem amor pode iluminar a cabeça e deixar a alma abandonada.

O mundo costuma admirar quem responde depressa, quem domina argumentos, quem sabe vencer uma discussão. A espiritualidade, porém, observa outra medida. Pergunta se a palavra levantou alguém. Se a verdade foi dita com caridade. Se a cultura serviu para amparar, esclarecer e consolar, ou apenas para fazer o outro se sentir menor.

Bezerra, chamado de Médico dos Pobres, deixou na memória espírita essa imagem de ciência ajoelhada diante da compaixão. Não era a pobreza que ele romantizava, era a dignidade humana que ele reconhecia onde muitos só viam carência. Sua vida pública e sua atuação fraterna lembram que a maior grandeza não está em saber mais, mas em servir melhor.

Inteligência verdadeira não endurece o olhar. Ela aprende a escutar antes de sentenciar. Ela não usa a razão para ferir, nem a fé para se exibir. Quando amadurece, torna-se ponte: aproxima, esclarece, pacif**a, orienta. O coração iluminado não dispensa o estudo, mas também não se esquece de que Deus costuma pedir ternura justamente de quem recebeu mais entendimento.

A escuridão do coração nem sempre aparece como maldade evidente. Às vezes surge como indiferença, vaidade, frieza, impaciência com a dor alheia. Cada gesto de caridade reacende uma lâmpada íntima. Cada perdão sincero abre uma janela. Cada auxílio discreto devolve ao espírito um pouco da luz que ele perdeu tentando parecer superior.

Que a inteligência brilhe, sim, mas que brilhe com misericórdia.

Porque saber muito pode impressionar os homens.

Amar com humildade, isso aproxima a alma de Deus.

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Pirassununga, SP

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