19/08/2026
O paciente chega destruído até você. Sem dormir, sem conseguir mastigar, aquela dor insuportável e uma garrafinha de água junto (sua melhor amiga, desde a noite passada).
Ele te conta que tomou dipirona e nimesulida, que era o que tinha em casa e que foi o mesmo que tivesse ‘tomado nada’.
E toda aquela intensidade pode empurrar até mesmo o dentista experiente para uma conclusão precipitada:
“Esse caso precisa de antibiótico.”
Só que a intensidade da dor não responde essa pergunta sobre próximo passo da conduta e/ou prescrição.
Por outro lado, o diagnóstico sim responde.
Na pulpite irreversível já mais avançada, descrita de maneira bastante frequente como a do relato anterior, prescrever antibiótico não resolve a origem desse quadro e não atua como analgésico.
Ou seja, literalmente, seu uso não tem propósito algum no controle de dor para esse diagnóstico, de maneira direta ou indireta.
Por isso, diante de uma urgência onde provavelmente exista um tecido pulpar severamente inflamado e ilhas de necrose pulpar já sendo formadas intracanal, existe uma pergunta muito mais útil do que:
“Qual antibiótico eu passo?”
Pergunte:
“Qual a melhor forma de aliviar a pressão que deve estar presente dentro desse dente e talvez até se estendendo para o espaço ligamentar?”
Essa mudança simples de raciocínio traz referências valiosas sobre qual o melhor caminho para percorrer na resolução do quadro de forma breve e ef**az. Acesso ao canal é capaz de remover a dor pela pressão mais do que qualquer medicação.
E existe ainda o outro lado da prescrição inadequada do antibiótico:
Além de não resolver o problema do paciente, seu uso contribuiu para aumentar, ainda mais, o desenvolvimento de resistência microbiana.
O seu paciente não precisa sair apenas com mais uma receita na mão.
Ele precisa sair com a causa da urgência sendo corretamente manejada.
Salve este post.
Ele pode ser bastante útil naquele próximo caso de pulpite que você atender.