15/10/2015
SOBRE O DIREITO E DEVER DE MUDAR O MUNDO – Dia dos professores, dia de luta! (15/10/2014)
Gostaria de deixar aqui minha mensagem para meus amigos professores, inspirada na CARTA DO DIREITO E DEVER DE MUDAR O MUNDO, escrita por em Pedagogia da Indignação . Cartas pedagógicas e outros escritos (Editora , P.53-21)
Meus amigos... é preciso acreditar nos sonhos. Mas sonhar apenas não basta, é preciso agir e fazer desse sonho – uma escola pública de qualidade – um projeto para nosso país.
Para Paulo Freire sonhos são projetos pelos quais se luta.
E a luta implica em tomar posições e agir diante de tudo aquilo que nos desumaniza e nos corrompe, como o fatalismo e a comodidade.
De fato, sabemos as muitas dificuldades que enfrentamos diariamente em sala de aula, com as famílias, os gestores e o sistema do qual fazemos parte. Ainda sentimos a amarga herança do passado colonial, escravocrata e as forças sutis que muitas vezes dificultam nossa busca pela formação integral de nossas crianças e jovens para que eles possam ser protagonistas de sua própria história.
No entanto, vejo diariamente muitos professores empenhados em fazer de seu ofício uma oportunidade de libertação de seus educandos, enquanto outros entregam-se ao desânimo diante da constante falta de reconhecimento pelo seu trabalho.
É importante dizer que se a Educação muda o mundo é por esse motivo que pouco se investe nela. Se a educação emancipa os sujeitos, é por esse motivo que se investe na educação técnica e profissional, esvaziando –a de todo e qualquer tipo de reflexão acerca do mundo, da sociedade e dos fatos políticos. Se uma escola pública de qualidade pode dar voz aqueles que estão à margem da sociedade, com poucos recursos para investir em educação e cultura, faz sentido que seja constantemente inferiorizada diante do sistema educativo privado.
Se não há valorização dos professores, é porque existe um projeto por trás dessa prática. Se nosso sonho é que sejamos valorizados e as nossas crianças tenham uma escola de qualidade, existe o “contra-sonho” que nos impede de realizar aquilo que almejamos.
Não sejamos mais ingênuos. Existem sim forças antagônicas das quais não conseguimos fugir. E por esse motivo, não é possível ser neutro no ofício de educar: ou se está a favor da luta pela escola pública de qualidade ou contra ela.
“... educação que, não podendo jamais ser neutra, tanto pode estar a serviço da decisão, da transformação do mundo, da inserção crítica nele, quanto a serviço da imobilzação, da permanência possível das estruturas injustas, da acomodação dos seres humanos à realidade tida como intocável...”
Por esse motivo falo sobre sonhos e sobretudo, de luta.
A luta diária, pacífica – mas não medrosa- , a luta pela dignidade de nossas crianças, jovens e suas famílias e a amorosidade nas relações com as pessoas envolvidas nesse processo de ensinar e aprender diário.
Luta não significa guerra. Luta significa a não omissão, fazer seu trabalho com amor, mas saber lutar pelos seus direitos, cumprindo com seus deveres com dedicação e entusiasmo.
Todos nós sabemos: “Mudar é difícil, mas é possível!”
Não permita que lhe convençam do contrário, pois assim você estará contribuindo para a manutenção de todas as injustiças das quais discorda. Não sejamos passivos, inertes, insosos e mornos. Ocupemos nosso lugar nessa missão, dolorosa e gratificante de construir um futuro para esse país.
Vamos “problematizar” o futuro, refletir: O que quero para mim e para meus educandos? Quem sou eu e qual meu papel diante desse desafio? Por que não mantenho acessa a chama dos meus primeiros anos de magistério? Quem tirou essa “fé” de mim? Se não tenho fé naquilo que faço, por que me percebo dessa maneira?
Não espere que a valorização das nossas boas práticas educativas aconteça de maneira vertical, de cima para baixo. Entenda como valorização o reconhecimento das famílias, as alegrias das crianças... Mas não deixe de lutar, pois para ser educador é preciso amar o que se faz, não um amor ingênuo, mas um amor brigão, inconformado, atuante.
Portanto eu digo e repito. Precisamos lutar por uma escola pública de qualidade, pela valorização de nossos educadores e o primeiro passo é estarmos conscientes de que quando os educadores se levantarem em luta e se reconhecerem enquanto sujeitos de mudanças, ai conquistaremos a educação que tanto sonhamos.
Avançamos e muito nos últimos anos, mas a luta precisa continuar. Uma luta pedagógica, ética e política e necessária.
Vamos acreditar nessa utopia e fazer de tudo para que ela um dia, seja realidade nesse país.
Para ser educador é preciso amar o que se faz.
Para Paulo Freire: “Amar é um ato de coragem... e não se pode falar de educação, sem falar de amor!”
Portanto, tenha coragem de amar sua profissão e lutar por dias melhores.
Amor, luta, sonho, utopia, futuro... Palavras indissociáveis... Graças a Deus!
Parabéns a todos pelo nosso dia... Cabeças erguidas e vamos a luta!
( Professora Natália Brandão Venturini)