24/12/2022
Vou compartilhar um insight que tive ontem no ritual com ayahuasca... pode ser também um desabafo.
Não gosto do termo 'despertar', ou 'despertar espiritual', mas é o termo que as pessoas usam e todo mundo entende isso. Mas talvez uma palavra melhor seria 'lembrar'. O despertar é um se lembrar quem Sou. E isso ainda venho processando. Além de que não existe pessoa desperta, existe pessoa despertando; é um processo pra Vida inteira.
Ontem no ritual eu entendi porquê as pessoas não querem despertar: teriam que deixar de acreditar em suas mentiras e ilusões. E como viver a vida depois que perceberem como o mundo funciona? Como olhar todo o sofrimento e não se envolver com ele? Como viver no mundo sem ser do mundo? Senti solidão por vários meses depois que comecei as consagrações. Solidão, desesperança e aflição. Tudo que tem uma raíz no medo.
Sempre julguei as pessoas que não queriam despertar, mas ontem me deu vontade de não ter entrado nesse processo. Deu vontade de ceder e voltar pra zona de conforto, onde o mundo é lindo e cor de rosa. Mas depois que você vê não tem como 'desver'.
Por outro lado, tive ontem uma experiência na qual eu percebi que somos muitos por aí, estamos vivos e espalhados pelo mundo. E foi como se eu tivesse notado a presença desses outros 'despertos' espalhados pelo mundo, e isso me trouxe de volta a esperança e o sentimento de fazer parte de um plano maior, e de união.
Quando a gente entra nesse processo a gente quer que as pessoas entrem também. A gente quer que aqueles que amamos também façam parte pra que possamos compartilhar nossas experiências e vermos que não estamos sozinhos. Mas as pessoas não querem despedir, então seguimos sozinhos.
Mas agora eu sigo sabendo que posso estar só no dia a dia, mas não estou só pelo mundo.
Nesse natal eu desejo, sinceramente, que despertem; que percebam que toda essa briga não leva a nada, que somos literalmente a mesma coisa, e que todo o medo que você sente foi programado dentro de você pra que você enfraqueça (e não se lembre quem você é).