18/03/2026
Hoje não escrevo sobre bananas. É legal ficar sem elas, quando não tem cacho pra colher. Não compro banana de supermercado há 8 anos, desde a primeira colheita. E sim, tem períodos que ficamos sem comer banana fresca - e estamos bem. Congelo, desidrato. Tento não perder uma sequer. Mas banana também tem época, tem ciclo. Observar, respeitar e esperar é o que a gente faz.
Também não resumo mais o repertório de banana à prata. Tem lá em casa nanica, nanicão, maçã, pão/3 quinas. E nos arredores tem a figo. Demos sorte quando elas se alternam.
Nesse dia, estava eu desenroscando a mucuna (feijão de porco) que subiu na bananeira, no mamoeiro, na uvaia, no ipê amarelo, na mangueira, na palmeira. Tinha acabado de fotografar as folhas de mostarda que meu filho plantou de semente. Olhei pra tela, e estava a folhagem da bananeira formando essa “juba” em mim.
A blusa branquinha com que estava na foto ficou inteirinha pintada com a seiva da mucuna. E não sai. Nem com tira manchas. Se quiser não parecer suja, melhor pintar de outra cor - marrom talvez. Até a planta dos meus pés ficou manchada, só saiu no terceiro banho.
E aí eu fiquei pensando na mucuna, na sua força avassaladora, típica de trepadeiras nativas, unida às chuvas torrenciais da semana passada: ela, de uma semana pra outra, sufocou todo mundo a seu redor. Fiquei pensando nas relações humanas, que se direcionadas para tal comportamento, também sufocam, sobem em cima, aproveitam o suporte para florescer - só que aniquilando quem está por baixo. Penso que é nossa tarefa perceber, podar, se desenroscar de relações assim. O mais rápido possível. Pois em dias mais emocionantes (com muita chuva), pode se tornar uma tarefa quase impossível.