19/08/2026
Por que problematizar a virada securitária? Em um ano eleitoral, a pergunta torna-se ainda mais urgente. Revolta e antipolítica, de Acácio Augusto, chama a atenção para o modo como a segurança deixou de ser apenas uma área das políticas públicas para se tornar uma das principais linguagens da política contemporânea: é em nome da proteção, da ordem e do combate às ameaças que se legitimam mais policiamento, vigilância, militarização e controle. O problema, portanto, não se resume à eleição de candidatos explicitamente autoritários.
O problema, portanto, não se resume à eleição de candidatos explicitamente autoritários. Dos que defendem abertamente a ação letal da polícia — inclusive diante de chacinas e massacres — aos que deslocam o debate para a reorganização institucional proposta pela PEC da Segurança Pública, diferentes campos políticos convergem na centralidade conferida à segurança. Sob vocabulários distintos, o narcotráfico, o “narcoterrorismo” e o crime organizado são mobilizados como ameaças que justificariam o fortalecimento, a integração ou a expansão dos aparatos de segurança. Como argumenta o livro, a promessa de segurança atravessa a própria democracia e pode ser mobilizada por diferentes posições do espectro político, enquanto policiais e militares acumulam força política e transformam sua atuação securitária em dividendos eleitorais.
Às vésperas das eleições, problematizar a obsessão por segurança significa, então, perguntar não apenas quem queremos eleger, mas também que formas de governo, controle e violência continuamos autorizando quando a segurança se apresenta como resposta incontornável aos conflitos sociais.
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Título: Revolta e antipolítica: anarquia!
Autoria: Acácio Augusto
Prefácio: Camila Jourdan
Posfácio: Facção Fictícia
Orelha: Nilson Oliveira
Página: 200
Formato: 13 x 21 cm
Imagens: Renato Baruq e .insurrectas
Lançamento: 25.09.26