19/05/2021
O desenvolvimento humano não acontece de forma linear em que sistemas mais complexos vão sendo "adicionados", mas sim através do remanejamento de habilidades já adquiridas que se transformam em uma nova competência, por exemplo: segurar o pescoço está atrelado a capacidade de andar (por isso, a teoria que diz que a criança passa a acordar mais à noite porque conquistou a marcha é uma estaca no coração da Psicologia do Desenvolvimento). O desenvolvimento humano é subsequente. Não há percepção especial por parte da criança de um marco em si, ela segue em estágios, ou etapas que se aprimoram ao longo do amadurecimento.
Você já percebeu que eu chamo o desfralde de "processo"? Ele é a EVOLUÇÃO de uma extensão que começou dentro da barriga da mãe e faz seu progredimento próximo aos 7 anos de idade (mesmo que ela desfralde aos 2 anos de idade, o processo não pára por aí. A conclusão das estruturas envolvidas ocorre mais adiante).
Para acontecer, UMA ETAPA DEPENDE DA ANTERIOR. A interação com o meio dá condição para as conquistas infantis. A criança sorri em resposta ao sorriso do adulto, que é a condição para a gargalhada.
A expressão "é meu" mostra a consolidação de uma etapa necessária ao desenvolvimento infantil. Isso porque quando nasce, o bebê é uma simbiose afetiva. Ele não se diferencia do outro. É como se existisse uma coisa só: "eu" (a mãe, o meio e tudo ao redor "sou eu") . Quando ele consegue diferenciar que uma coisa é sua e não do outro, ele passou a perceber que o mundo vai além da sua unidade. O "outro" passou a existir. Percebe a dualidade "eu-outro", "eu-meio". Esse novo estágio é a causa da expressão inadequadamente usada por aí chamada "terrible two" que vai dos 2 aos 5 anos de idade. Não é uma coisa ruim que precisa ser concertada ou que requer "limites". A criança passa a ter desejo pela posse, opondo-se à qualquer condição (negar-se a trocar as fraldas, colaborar ou dizer que "é seu" um brinquedo de outra criança.)
Veja que a etapa da adolescência é a subsequência desse estágio. Só deseja pertencer a um grupo quem se diferenciou do outro primeiro. A criança precisa do seu senso exacerbado de importância e do seu egocentrismo (seu pulo é o mais alto, seu brinquedo é o mais bonito, acha que pode se vingar ou ter o que é do outro para si). Na natureza, quanto mais tempo uma espécie demora para atingir a maturidade, exigindo mais de seus pais, mais inteligente ela será.
Assim, as crises de oposição e "birras" que ocorrem entre os 2 a 5 anos é uma etapa desenvolvimental. Não trata-se de falhas educativas dos pais, mas sim referências de seu progresso evolutivo. A criança com mais de 6 anos também faz birras, se comporta de forma opositora e tem senso elevado de importância. lembre-se que o amadurecimento social ocorre próximo dos 27 anos de idade.
Psicóloga Márcia Tosin